DICAS DE SAÚDE
O
Sal da forma como é consumido hoje é uma bomba atômica
para o nosso organismo, pode ser equiparado ao cigarro. |
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A
ciência comprova que dormir depois do almoço faz bem.
Por Simone Muniz Você já pode pleitear um sofá para tirar um cochilo depois do almoço sem constrangimentos. Está comprovado cientificamente que a sesta faz bem. Segundo estudos da área de cronobiologia, nova disciplina que destaca a importância de se respeitar o ritmo de produção de cada ser humano, o ideal é dormir de 10 a 20 minutos no início da tarde, logo após o almoço. Cronobiologia é a ciência que estuda os relógios biológicos, ou seja, a regularidade dos mecanismos de produção do corpo. Verifica as alterações de sono e de disposição física e mental de cada um. De acordo com a disciplina, o ritmo
biológico está relacionado, principalmente, com a fisiologia,
o clima da região, a hora do dia, as estações do
ano e os hábitos pessoais. "Trata-se de um mecanismo inerente à espécie", diz John. Ele confirma a maioria das pesquisas internacionais que acreditam que também o ser humano fica menos disposto no início da tarde. "Uma aula às 13h, por exemplo, rende muito menos do que se fosse mais tarde", afirma. Segundo ele, nos homens e em certos animais, a atenção começa a diminuir em torno do meio-dia, o horário, geralmente, mais quente. "Quando está muito calor, o organismo precisa de parar de produzir para se equilibrar. As atividades, físicas ou mentais, aquecem ainda mais o organismo e arriscam um desequilíbrio e uma desidratação", explica John Araujo. Como a menor disposição no horário da tarde está relacionada com o equilíbrio da temperatura corporal, fica fácil entender que o clima da região e a estação do ano também influenciam na necessidade da sesta. Quanto mais quente,
mais o corpo pede para parar. "Povos como os brasileiros têm
maior disposição para fazer a sesta do que os do hemisfério
norte. Segundo os pesquisadores, ainda existem várias questões a serem esclarecidas sobre a sesta. Mas ninguém duvida que a necessidade de descansar no início da tarde também aumenta quando comemos muito ou se optamos por alimentos pesados. "Ao se alimentar, o organismo desvia parte do calor e da energia para realizar a digestão", explica o cronobiologista Luiz Menna-Barreto, do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento de Ritmos Biológicos da Universidade de São Paulo. Se a qualidade e
quantidade dos alimentos exige mais calor e mais energia para digerir,
atrapalha a realização das atividades físicas e
mentais O mais importante, de acordo com os cronobiologistas, é a consciência e o respeito ao ritmo próprio. "Não somos máquinas", diz Luiz Menna-Barreto. "Podemos administrar muito melhor o tempo de atividade e de repouso", completa. Efeitos do Cochilo após o almoço Cochilo depois do almoço estimula aumento da concentração Quem pensa que dormir depois do almoço é coisa de preguiçoso, está muito enganado. Estudos revelam que siesta aumenta aprendizado e memorização. Todos sabem que dormir bem ajuda a manter a saúde. Mas o sono ainda é cercado de desconhecimento e mitos, como o de que precisamos dormir 8 horas por dia. "Isso é mentira", diz Marco Túlio de Mello, chefe da disciplina de medicina e biologia do sono do Departamento de Psicobiologia da Unifesp. "Acontece que a média da população precisa de sete horas e 40 minutos de sono para sentir-se bem, mas há os curtos dormidores, que necessitam de menos de seis horas e meia, e os longos, que requerem mais de 8 horas." A "siesta" é outro tema que desperta opiniões controversas. Enquanto uns acham que cochilar depois do almoço é um merecido descanso, outros veem a prática com pouca tolerância. Mas cada vez mais estudos vêm demonstrando que a soneca traz benefícios físicos, como a recuperação do corpo, e mentais, como o aumento da concentração. "Ela é ótima para quem vai trabalhar à tarde", diz Mello. Há quem não se adapte, porém, e acorde do cochilo vespertino meio mal humorado ou "grogue". "Mas a maioria se beneficiaria", afirma o psicobiólogo. O ideal, portanto, é que cada um experimente a siesta para saber se ela vai funcionar. E se alguém falar pra você que cochilo é coisa de preguiçoso, diga que um estudo da Universidade de Harvard mostrou que sonecas diárias de 45 minutos são suficientes para turbinar a memória e o aprendizado. Não é um ótimo argumento? A siesta perfeita Você pode até usar o carro, baixando os bancos o máximo possível - mas estacione num lugar seguro; Caso haja barulho, use tapa-ouvidos ou ouça música calma. Vale também sons de ondas, de pássaros, o que você considerar relaxante; Feche as janelas, cortinas ou use uma máscara. A escuridão estimula a produção de melatonina, hormônio indutor do sono; Segundo os fisioterapeutas, esta é a melhor posição para dormir: corpo de lado, com o travesseiro entre o ombro e o pescoço, e pernas levemente dobradas (pode haver um travesseiro ou almofada entre elas); Faça sua siesta entre 12h e 14h. Nesse período, nossa temperatura tende a cair, estimulando o sono; Programe um despertador para dormir entre 20 e 40 minutos, coincidindo o despertar com uma fase de sono leve. Sono atrasado? Vá de 90 minutos, um ciclo de sono completo; Faça um almoço leve, rico em salada, legumes e frutas. Uma refeição pesada pode derrubar você; Tome um café antes. A cafeína leva uns 25 minutos para fazer efeito e vai "bater" na hora de acordar. Isso só funciona para não-viciados; Aprenda técnicas de meditação para relaxar a mente. CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DA SESTA Por Dr. Fausto Ito - Dentista; Membro da Associação Brasileira do Sono e Diretor da ITO Clínica (RJ). "Depois os homens se ergueram e foram dormir a sesta e as mulheres puseram-se a lavar os pratos". Este trecho extraído de, Ana Terra, de Érico Veríssimo, se refere a uma tradição que surgiu na Europa no século XIII e que mesmo com todo o progresso da humanidade e o ritmo acelerado da vida moderna tende a se espalhar pelo mundo afora. A sesta é um hábito cultural fortemente arraigado em países como a Espanha, Itália e Portugal. A origem da palavra vem do latim sexta e quer dizer meio-dia – a sexta hora do dia romano que se inicia às 6 da manhã. Há relatos de que a sesta surgiu como uma reação ao clima e que por isto as pessoas optavam por dormir nas horas mais quentes do dia e trabalhar nas horas mais frescas. É conhecida como um hábito pessoal de repouso após o almoço e que não deve ultrapassar os 40 minutos de duração. Após este tempo limite, o organismo começa a entrar em sono profundo e despertar durante esta fase do sono pode provocar sensação de cansaço, lentidão e confusão mental. Hoje, sabemos que a vontade de tirar uma soneca pós-prandial acontece devido a uma coincidência com a queda na temperatura do corpo humano a qual favorece o sono. Tal fato é moderado por neurotransmissores e ocorre em 2 momentos distintos ao longo do dia: o primeiro acontece por volta das 13 horas e o segundo, à noite, às 22 horas para induzir o sono noturno. Fato é que um cochilo depois do almoço pode fazer um bem enorme para qualquer pessoa e também para as empresas que adotam o método. A técnica da sesta é uma prática agradável que revigora, melhora o estado de alerta à tarde e alivia o estresse. Diversas empresas no mundo, inclusive no Brasil, já disponibilizam instalações para descanso dos funcionários, uma vez que essa prática melhora a qualidade de vida e o rendimento no trabalho, principalmente quando associada à alimentação e estilo de vida saudáveis. Outra boa notícia é que não existem efeitos colaterais e todos podem se beneficiar dela sejam crianças, adultos, grávidas e idosos. As exceções ficam por conta dos insones devido à possibilidade de prejudicar o sono noturno, e das pessoas que sofrem com os distúrbios respiratórios do sono, como os roncos e as apneias obstrutivas que fragmentam o sono e provocam sonolência excessiva durante o dia, os quais podem ser mascarados pela sesta.
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