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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

A CHACRINHA E A INFÂMIA
publicado em: 09/04/2018 por: Lou Micaldas

A gente tenta fazer graça, mas a verdade é que o que vem ocorrendo no Brasil é lamentável

Gandhi e Mandela, a quem Lula gosta de comparar-se, não espernearam antes de serem presos.

Lula desobedeceu a ordem judicial, entrincheirou-se, rodeou-se de comparsas, armou um circo. Fez churrasco. Fez missa. Fez comício. Deitou falação. Fez campanha eleitoral. Exortou à violência. Parafraseou Getúlio. Recorreu a clichês piegas (“eu agora sou uma ideia”? não tinha um marqueteiro por perto?). Prometeu provar sua inocência (depois de condenado em duas instâncias?).

Lembrou muito o programa do Chacrinha. Teve auditório, chacrete (Gleisi, Manuela etc.), calouro (Boulos). Teve artista (de verdade!), cantoria, claque. O júri, o Supremo, foi prévio (Gilmar fez as vezes de Aracy de Almeida).

Só faltou perguntar pela Terezinha e se o público queria bacalhau.

Lula fingia coragem, dizendo que resistiria até o fim, enquanto negociava com a polícia. Travestiu sua rendição de ato de heroísmo. A militância recusou-se (ou assim fingiu) a aceitar. Depois se reuniu para decidir, “democraticamente”, se manteria Lula em cárcere privado ou não (eu, hein).

Gleisi Hoffmann incitou a resistência, mas implorou que não resistissem. No fim, Lula se entregou como um cordeirinho, como todos sabíamos que faria.

Mas o programa do Chacrinha só acaba quando termina. Vamos torcer para o carnaval de Lula terminar na quarta-feira, com a negação da questão de ordem de Marco Aurélio.

A gente tenta fazer graça, mas a verdade é que o que vem ocorrendo no Brasil é lamentável.

A carreira do homem que veio do nada, que lutou contra a ditadura, que incendiou o imaginário de tantos, que conduziu seus sonhos, que foi duas vezes presidente, que teve 85% de aprovação, chega ao fim de maneira melancólica.

O STF permite que Lula fure a fila e faz intermináveis sessões para decidir se ele merece um tratamento diferenciado para escapar da prisão (ainda fará mais uma ou duas sessões, e pode voltar atrás).

Um ex-presidente da República desobedece a ordem judicial, obstrui a Justiça, desafia a polícia e transforma sua despedida em um circo midiático. Rodeia-se de inocentes incautos de maneira absolutamente irresponsável, expondo-os aos perigos de um conflito com a polícia.

Ao palanque acorre uma multidão, que inclui dois candidatos a presidente, uma ex-presidente, ex-ministros, ex-senadores e ex-prefeitos (entre eles, gente supostamente respeitável, como Erundina, Suplicy e Haddad), para prestar solidariedade ao ato ilegal de um criminoso comum.

Sacerdotes aceitam submeter sua fé aos interesses pessoais do criminoso, e fazem dela um instrumento da mais reles propaganda política.

Um ex-presidente faz discurso exortando a militância à violência — e seguem-se agressões a jornalistas e a vandalização do prédio de Cármen Lúcia.

A Polícia Federal dá um show de incompetência e falta de planejamento, e a Polícia Militar dá um show de omissão. Após o embuste da pretensa resistência, Lula se entrega, aparentemente embriagado.

Nossa vergonha é transmitida ao vivo para o mundo inteiro. Se é que alguém ainda tem alguma curiosidade sobre o que se passa aqui.

Parafraseando um presidente infinitamente mais respeitável do que Lula, Franklin Roosevelt, 7 de abril de 2018 é um dia que viverá na infâmia.

Autor(a): Ricardo Rangel
Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/a-chacrinha-a-infamia-22571130
Colaborador(a): Igor Silveira Félix

 

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