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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

A HATE PARADE
publicado em: 28/03/2018 por: Lou Micaldas

Nas redes sociais tem gente com ódio tão profundo, tão intenso, que é até bonito de se ver

Anos atrás estava em Berlim durante uma edição da Love Parade, o divertido desfile alemão mezzo parada gay, mezzo festa eletrônica. Era uma multidão desfilando no Tiergarten. Ao longo do trajeto tinha também uma turma de bebuns que ficava estacionada nos foodtrucks, só olhando a festa e enchendo a cara.

Alguns dias depois foi a final da Eurocopa e, no mesmo lugar onde aconteceu a Love Parade, instalaram telões para juntar a torcida. A Alemanha perdeu o jogo, mas rolou festa da mesma maneira. A multidão era bem diferente daquela na Love Parade, a não ser pela turma dos bebuns parados nos foodtrucks. Se não eram os mesmo da Love Parade, eram irmãos gêmeos.

É que o negócio deles era encher a cara, não fazia diferença se era Love Parade, final da Eurocopa, desfile de miss ou eleição de Papa. Eles só queriam um pretexto para beber até cair.

Nas redes sociais acontece o mesmo. Se vocês repararem bem, os haters, a turma da treta e do dedo na cara, são sempre os mesmos, não importa a discussão. Tanto faz se a polêmica é a firula do Neymar, o clipe da Anitta, a intervenção no Rio ou o julgamento do Lula, o que eles querem é um pretexto para xingar alguém e arrumar encrenca com todos.

É difícil imaginar o que deixa essa gente tão alterada: pode ser o excesso de café, um sapato apertado ou a falta de um remédio tarja preta específico nas farmácias próximas. Estão o tempo todo com raiva de alguém ou indignados com algum acontecimento. Um psicólogo de botequim ou um amigo aconselhariam esses infelizes a abandonar as redes, descansar a cabeça, dar um pulo na praia. O problema é que, infelizmente para os outros, os haters odeiam psicólogos. E também odiariam os amigos, se os tivessem.

Outra característica do hater é que ele vive reclamando dos outros nas redes, mas ele mesmo nunca sai da frente do computador. Nem no fim de semana: sábado à noite ele está falando mal de algum filme, no domingo de manhã se queixa do sol e na segunda volta ao batente, chateando porque odeia as segundas-feiras. A raiva nunca acaba. Tem o hater fixação, que perturba sempre com o mesmo assunto, tem o hater holístico, que consegue irritar a todos ao mesmo tempo e o hater das causas nobres, ser nefasto que usa movimentos do bem como escudos para os seus ataques do mal.

Vocês podem fazer um teste para identificar essas malas: basta escrever um nome polêmico num post. Só o nome, nada mais. “Anitta”, por exemplo. Ou então “Lula”, da mesma maneira. Se os seus amigos forem da velha guarda, escreva “Lacerda” ou “Brizola”. Em meio segundo o hater vai aparecer nos comentários como um pitbull enlouquecido, xingando tudo e todos, sem nem reparar que o seu post não diz nada. O doido é ativado por palavra-chave, então a simples menção do seu desafeto — ou ídolo — o faz perder as estribeiras que nunca teve. Se você voltar ao post uma semana depois, ainda vai encontrar o hater por lá, rosnando nos comentários. A falta do que fazer e a ausência de qualquer atividade produtiva o tornam incansável.

É difícil exterminar haters. Chumbinho, ratoeiras, Raid, nada disso dá jeito. A única maneira é jogar um contra o outro e deixar os dois batendo boca em looping. O que não deixa de ser divertido.

Os bebuns de Berlim iam adorar.test.

Autor(a): Leo Aversa
Fonte: oglobo.globo.com/rio/a-hate-parade-22533069
Colaborador(a): Rodrigo de Souza

 

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