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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

No Carnaval de 1970, Dalva de Oliveira fazia um grande sucesso com a música “Bandeira Branca”, que dizia: “Bandeira branca, amor, / eu peço Paz, / pela saudade que me invade,/ eu peço Paz...”. Décadas depois, vez por outra vemos movimentos, sempre na mesmice de eleger um belo domingo de sol, mobilizar as elites intelectuais, políticas, mundanas, empresariais… ONG’s, artistas, todos vestidos de branco, na orla de Ipanema – Leblon ou no entorno da Lagoa, pedindo… paz!

Há pouco mais de 40 anos pedia-se paz por amor, hoje pedem paz por causa da violência. A exclusão e as desigualdades sociais e econômicas geraram ao longo do tempo um quadro grave de desintegração e decadência da sociedade brasileira.

GUETOS OU NAÇÕES? – Referimo-nos aos guetos que, coincidentemente, se acentuaram a partir da extinção do BNH (Banco Nacional da Habitação), que mal ou bem realizava projetos na área da habitação popular.

Esses guetos, caracterizados de favelas, se transformaram em micronações com códigos próprios. Seriam, assim, as cidades “informais”. Possuem valores sobre vida, cidadania e relações sociais muito distintos dos valores do Estado “formal”. Dessa forma, as transgressões às regras vigentes na cidade “formal” são normais e aceitas pelos moradores dos guetos.

Daí o incremento da crueldade na prática dos delitos e o desrespeito pela vida e patrimônio. Tendo sempre como pano de fundo o sentimento de impunidade que viceja em ambas as sociedades ou cidades : a “formal” e a “informal”.

DESEJO UNÂNIME – Observo que a paz é um desejo unânime. Das elites, dos despossuídos de Vigário Geral ou da Baixada, cujas manifestações se caracterizam pelas “barricadas” que interrompem o trânsito nas vias centrais e rodovias para reivindicar a paz na forma de segurança para as suas vidas. As manifestações das elites não interrompem o trânsito porque, antes, as autoridades já providenciaram.

Por paradoxal que possa parecer, a paz também é desejo dos presidiários e do chamado “crime organizado”. “Paz, Justiça e Liberdade”, clama o PCC ou o “Comando Vermelho”.

É desejo dos artistas globais que, em uníssono, proclamam: “Paz, a gente é que faz…”. Como?

AUTOESTIMA – Penso que para atingirmos um ambiente de paz precisamos fazer o resgate da autoestima do povo excluído, promover a inserção na economia formal da grande massa de marginalizados sociais e econômicos. Melhorar as condições de vida dessa massa, oferecendo reais perspectivas de ascensão social.

A exclusão e a desigualdade geram um caldo de cultura onde proliferam a violência, a degradação do meio ambiente e a perda da dignidade humana e dos valores éticos e morais de uma sociedade civilizada.

Para nós do Rio de Janeiro, a paz não significa apenas a sensação de um ar de segurança física e patrimonial.

ATO DE CIDADANIA – Paz é o fim dessa “guerra civil” não declarada, mas caracterizada pelos assaltos à mão armada, invasão de residências, balas perdidas, roubos e furtos de veículos, rebeliões nos presídios, chacinas, homicídios como uma das principais causa-mortis, menores abandonados nas ruas, tráfico, consumo de drogas, cracudos, mendigos, desordem urbana, fim dos mafuás montados nas ruas e calçadas, stress, violência no trânsito, assaltos nos coletivos, transporte “pirata”, eufemisticamente chamado de alternativo, desemprego, subemprego, miséria.

A paz é um desejo mas também uma responsabilidade de todos. É um ato de cidadania, como o voto.

O voto pode ajudar no restabelecimento das condições para uma sociedade civilizada. Quem reparte o pão, alimenta a paz.

Autor(a): Mário Assis Causanilhas
Fonte: www.tribunadainternet.com.br/
Colaborador(a): Maria Clara Ribeiro dos Santos

 

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