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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

A TIJUCA VEM ACABANDO FAZ TEMPO, AFIRMA MOACYR LUZ
publicado em: 29/01/2018 por: Lou Micaldas

Para compositor, a segurança de toda a cidade 'está em frangalhos'

Nasci em Jacarepaguá, cresci no Catumbi, mas morei na Tijuca por 23 anos. Era o sonho de todo suburbano. A Tijuca era a Zona Sul do subúrbio, mas vem acabando faz tempo. O fim dos cinemas de rua como o América e o Carioca, na Praça Sans Peña, foi muito representativo. As pessoas conviviam nas ruas, buscavam batidas clássicas no So Kana para subir o Alto da Boa Vista.

Teve uma época em que havia uma certa paz, os apartamentos valorizaram muito, havia um relacionamento mais civilizado entre o asfalto e o morro, o asfalto e o asfalto. O bairro ficou refém. Hoje, já não tem mais comunidades pacificadas. Como é possível passar um comboio de bandidos atirando com fuzis às 20h, por onde as pessoas caminhavam, bebiam nos bares?

O bloco Nem Muda Nem Sai de Cima, que desfilava sábado, quando esse episódio lamentável aconteceu, nasceu na cozinha na minha casa. O meu desejo e o de meus parceiros ao fundarmos ele, há mais de 20 anos, era integrar a comunidade. Essa tragédia atinge essas referências, os bares, o bloco, que são símbolos da Tijuca.

Estou muito preocupado. Temos que cuidar da esperança, do futuro do bairro, onde não há mais o direito de ir e vir. Qual é a solução? Botar tanques de guerra nas ruas? O Rio vai virar Sarajevo. A cidade sangra como um todo e a segurança está em frangalhos.

Autor(a): Moacyr Luz é sambista e tijucano

 

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