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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

Compromisso foi assumido durante a Olimpíada, mas mudas até hoje não foram plantadas em Deodoro

Um dos pontos altos da cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio, no Maracanã, na noite de 5 de agosto de 2016 — festa transmitida para uma plateia de mais de 3 bilhões de espectadores em todo o mundo — foi o plantio de mudas pelos mais de 10 mil atletas que participaram do evento. Durante a entrada das delegações, desportistas de 205 nações eram convidados a depositar em totens sementes de espécies da Mata Atlântica. Elas seriam levadas para uma estufa e plantadas posteriormente no Parque de Deodoro, na Zona Oeste, para formar a Floresta dos Atletas, que ficaria como mais um legado para os cariocas.

À época, a imprensa internacional chegou a elogiar o viés ecológico da solenidade, afirmando que a festa não teve apenas beleza, mas também conteúdo. A ideia dos diretores da cerimônia era enviar uma mensagem de alerta sobre o aquecimento global. Três anos depois da festa, no entanto, nem sinal da floresta.

Como mostrou reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, o prometido era plantar as mudas em Deodoro no ano seguinte. Mas, em meados de agosto deste ano, elas permaneciam — algumas com mais de dois metros de altura — numa fazenda no município de Silva Jardim, a 160 quilômetros do Rio.

As mudas são mantidas por uma empresa de reflorestamento, que alega não ter recebido pelo serviço. O proprietário afirma inclusive já ter gasto mais de R$ 1,8 milhão em manejo e classificação das plantas. O caso se torna mais intrincado porque, segundo a empresa, não foi assinado qualquer contrato com os organizadores para realizar o plantio.

Como é comum em casos desse tipo, ninguém quer a responsabilidade para si. O Ministério da Cidadania apontou para o Comitê Rio 2016, que, no entanto, encerrou suas atividades em setembro de 2018. O governo do estado passou o bastão para a prefeitura do Rio, que, por sua vez, argumentou que para contratar a empresa que cuida das plantas seria preciso fazer licitação. E prometeu buscar um parceiro privado para viabilizar o projeto ainda este ano.

Apesar das falhas de organização que estressaram o COI, das críticas de federações, que chegaram a apontar a preparação da Rio-2016 como a pior da história, e das denúncias de compra de votos para escolha do Rio como sede, o fato é que a Olimpíada de 2016 foi um sucesso. Mas o compromisso assumido diante de uma audiência planetária não pode ser esquecido. A dívida não é deste ou daquele gestor, mas do Rio.

O abandono das mudas olímpicas é nova fotografia do descaso. Perpetuar uma floresta semeada pelos melhores atletas do mundo, durante um evento histórico, deveria ser motivo de orgulho para a cidade e os cariocas. Jamais um transtorno.

Fonte: Opinião - Jornal O Globo

 

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