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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

CARTA DA ELENIR VIEIRA PARA O PEDRO PARENTE
publicado em: 01/06/2018 por: Lou Micaldas

Olá Pedro... foi exatamente assim que você escreveu para nós, petroleiros que estávamos na ativa no dia da sua posse, em 2/6/2016, às 10h40m, no Rio de Janeiro. Em seu pronunciamento aos empregados, você desejava que o chamássemos por Pedro, como se isto conseguisse fazer com que todos nós, que entramos na PETROBRAS concursados e pela porta da frente, sentissemos você como um dos nossos.

Claro que, como astróloga, montei o mapa astrológico do momento da sua posse... e não gostei do que vi... uma grande cruz, com sol no alto, na casa da carreira e um grande trígono na casa do relacionamento com o exterior. Ou seja, você desejava poder e faria qualquer coisa para chegar a ele.... até mesmo, se relacionar intensamente com o exterior.

Tão logo assumiu, começou uma verdadeira caça às bruxas... lembro-me que publicava mensalmente, um quadro estatístico das penalidades aplicadas a empregados! No fundo, sua mensagem era de que todos éramos culpados pelos esquemas de corrupção, até que provássemos o contrário!

Mas, sabe Pedro (que não é meu Parente), você nunca foi nem será um dos nossos... e sabe porquê?

1 - Você nunca soube o que é "amassar barro" para construir a história da PETROBRAS. Certamente jamais ouviu de um dos nossos companheiros de labuta, o desafio que foi construir a Refinaria Presidente Bernardes em Cubatão (RPBC). Vou te contar um trechinho... muitos destes empregados quevocê julgava, à priori, que poderiam ser corruptos, fizeram chegar a primeira torre de destilação através do Rio Cubatão, porque não existia estrada naquela época. Estes nossos companheiros, pouco tempo depois de inaugurada a RPBC, mandaram embora os "gringos" e assumiram por sua conta e risco, a gestão de operação daquela refinaria! Refinarias que você, agora, quer vender para os gringos, que nem sabem o que é Brasil.

2 - Você nunca soube o que é ajudar o Brasil a encontrar petróleo no mar, no início em águas rasas, depois em águas profundas, depois em águas ultraprofundas e, recentemente, no pré-sal! Não imagina o que significou para estes companheiros de labuta, passar horas, dias, anos de sua vida, estudando, pesquisando, explorando as profundezas dos oceanos, sem poder chegar lá embaixo, para retirar o petróleo bruto que, agora, você quer ver nas mãos de estrangeiros, através de uma “parceria estratégica privada”. 

Não fosse isto, como explicar um presidente de empresa, que "veste a camisa" desta organização, colocar no conselho de administração, um representante de uma de suas maiores concorrentes (Shell)? Alguém já viu isso? Não Pedro (que não é meu parente), a Shell é concorrente da PETROBRAS....Certamente agora, já tem em suas mãos, o conhecimento conquistado por nós, da PETROBRAS, sobre a geologia da área marítima do nosso BRASIL... sem colocar uma só gota de suor e trabalho para isso... apenas fazendo parte do Conselho de Administração.

3 - Você, Pedro (que não é meu Parente), sabe o que significa construir "dutos de petróleo" nas áreas mais selvagens deste País? Lógico que não! Você foi apenas conhecer os dutos já prontos. Sabe, uma vez, recebemos fotos de um duto em construção, repleto de cobras lá dentro. Fiquei perplexa com o que vi... pensei mesmo que fosse em outro País... até que um dia, revi um colega que fora da RPBC e que, naquela época, estava trabalhando na área de Engenharia, construindo dutos de petróleo. Ele disse que aquelas fotos foram feitas por seu grupo de trabalho, na selva amazônica! Mas, isto te interessa de alguma coisa? Óbvio que não! Tanto assim que você está vendendo, a preço de "amigo para amigo", o terminal de gás, construído com suor daqueles que você nem sabe que existe (próprios e contratados).

Sabe porque resolvi escrever pra você Pedro (que não é meu Parente)? 
Para te mostrar porque você, decididamente, não é um dos nossos!
Me desliguei da PETROBRAS há um ano, depois de 29 anos de trabalho nesta empresa que sempre foi a empresa dos meus sonhos! Mas, mesmo aposentada, me sinto tão petroleira quanto aqueles que lá ficaram e para os quais nós passamos o bastão, quando saímos.

O sentimento que tenho é muito diferente do seu...

Fui aprovada em seleção ampla e aberta; entrei pelos meus próprios méritos e não por acordo com partido político.

Jamais saberá o que significa entrar pela primeira vez em uma Refinaria, como empregada... receber o bastão daqueles que me antecederam e contaram suas histórias de vida e a história real e por dentro da empresa. 

Jamais saberá o que é amar uma empresa como a PETROBRAS e todos os empregados como se fossem, de fato, sua família! Jamais saberá o que é sair da empresa, passar o bastão, com o sentimento de dever cumprido. 

Lembro-me do dia em que fui chamada pois ocorrera uma tragédia... dois auxiliares de segurança industrial foram destacados para retirar uma jaguatirica da ponte do Rio Cubatão, que passa dentro da Refinaria. Não se sabe ao certo o que ocorreu... apenas que um deles caiu no rio e o outro, ao tentar socorrê-lo, pulou também e ambos foram sugados pela barragem ali existente.

Durante quase uma semana, equipes trabalharam dia e noite até encontrar seus corpos. Coube a mim sair e comunicar o desaparamento destes companheiros, às suas famílias. Durante dias todos nós, irmanados, só sabiamos buscar seus corpos e rezar. Você não imagina Pedro (que não é nosso Parente), quando os corpos foram encontrados, o tamanho da homenagem que eles receberam. Todos nós, empregados da RPBC, fomos aos dois velórios... primeiro o cortejo (jamais vi igual) que levou um deles para ser enterrado em Santos.... saímos do cemitério e, no mesmo cortejo, fomos todos enterrar o segundo companheiro em São Vicente!

Você não sabe o que é ver tantos petroleiros mortos ao longo dos anos, por acidente de trabalho!!! 

No fundo, tenho certeza que, só quem trabalha em uma empresa com o potencial de risco existente na PETROBRAS, sabe o que isto significa, pois são tragédias que acontecem com muita frequência, com pessoa próprio e terceirizado.

Lembra-se Pedro (que não é nosso Parente), quando a P-36 afundou no início da década de 2000? Se não me engano, você atuava no Poder Executivo do Brasil mas, certamente, não sabe a dor que todos nós sentimos. As lágrimas que todos nós Petroleiros de carteirinha (ativos e aposentados) derramamos naquela tragédia e em todas as outras foram e são reais, pois éramos e continuamos sendo uma família de gente que briga, se degladia mas que, na hora "h" aceita o desafio, sai batalhando como um time e chora de verdade quando alguém da família se vai de forma tão cruel!

Deste time, Pedro (que não é nosso Parente), você não faz parte! Porque está querendo matar a nossa PETROBRAS... Mas, tenho convicção, de que não conseguirá!

Tentará esquartejar a empresa como seus "amigos" fizeram no passado e vendê-la em pedaços... mas DEUS é nosso amigo... não conseguirá acabar com a empresa que tantos de nós, deu a própria vida para construir e fazê-la gigante como é!

Espero Pedro Parente, que você reflita sobre o que está fazendo com a PETROBRAS... ela não é minha, nem sua... é uma empresa que foi criada pela luta de um povo e merece respeito!

Autor(a): Elenita Vieira
Colaborador(a): Anna Eliza

 

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