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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

Antonio Palocci me faz lembrar um western italiano.
Antes que o leitor comece a suspeitar de Alzheimer, esclareço: refiro-me a um diálogo magistral do filme Quando os brutos se defrontam (d. Sergio Sollima, 1967), um dos que melhor conseguiu embutir assuntos sérios num enredo de ação, satisfazendo tanto aos espectadores que buscavam apenas emoções baratas quanto aos capazes de captar algo além do óbvio.
Mostra o professor tísico de um colégio de elite do Leste estadunidense (Gian-Maria Volonté) indo ao Oeste para, num clima quente e seco, tentar recuperar a saúde. Lá seu destino se entrelaça com o de um chefe de bandidos (Tomas Milian)  e acaba surgindo uma improvável amizade entre ambos.
Mas, a interação os transforma. O selvagem desenvolve sentimentos nobres e o civilizado, ao mesmo tempo que se fortalece fisicamente, fica embriagado com o poder que seus conhecimentos e sua inteligência privilegiada lhe podem proporcionar entre os rústicos.
Acaba se tornando o líder de todos os foras-da-lei da região. E, quando desmascara e está prestes a executar um espião da agência de detetives Pinkerton, diz ao sujeito que, mesmo tentando passar-se por inculto, ele ainda deixava perceber que era uma pessoa estudada.
E o homem da Pinkerton lhe responde: "Já você é a pior espécie de parasita. Civilizado entre os civilizados, selvagem entre os selvagens, se adapta perfeitamente a qualquer ambiente e passa a manipular todos ao redor, tendo como único objetivo satisfazer sua ambição desmedida".  
Igualzinho ao Palocci, que, quando estava entre os idealistas, era simpático ao trotskismo e pertenceu à Libelu; depois, ao se ver diante das tentações da política profissional, cedeu a todas elas, mandou os escrúpulos às favas, tornou-se um ás da corrupção, encheu-se de grana, tudo fez para esmagar um coitadeza com sua autoridade ministerial e, preso, se revelou o maior delator serial do petrolão, com um comportamento mais vergonhoso ainda que o de muitos empresários cuja única ideologia era o enriquecei! capitalista.
E por que falar no Palocci agora? É que nesta 6ª feira (22) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região homologou sua delação premiada. O acordo com a Polícia Federal de Curitiba já estava fechado e assinado desde abril, mas o Ministério Público Federal discordava.
Dois dias depois (!) de o Supremo Tribunal Federal haver decidido que a Polícia Federal também tem autoridade para firmar tais acordos, o TRF-4 correu a dar sinal verde ao Palocci para usar seus conhecimentos e sua inteligência privilegiada na inglória faina de safar-se da prisão passando por cima dos cadáveres (em sentido figurado, claro...) de quantos ex-companheiros de partido ele conseguir ferrar.
Até mesmo o registro do PT corre perigo, pois sabe-se que Palocci vai sustentar que o ditador líbio Muammar Gaddafi forneceu US$ 1 milhão teria para a campanha presidencial de Lula em 2002, o que é terminantemente vedado pela Constituição Federal:
Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado:I - ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira;II - estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros...
Se conseguir fornecer alguma prova concreta de que isto realmente aconteceu, Palocci poderá jogar a pá de cal no caixão do PT.
Postado por celsolungaretti às 09:22  
Marcadores: Antonio Palocci, delação premiada, Gian-Maria Volonté, Lula, Muammar Gaddafi, petrolão, Sergio Sollima, Tomas Milian
Um comentário:
 celsolungaretti disse...
Dois comentários a este post foram excluídos.
Um era uma historieta sarcástica e só não está no ar por causa de uma lambança técnica que cometi. Se o intitulado "Unknown" quiser postar de novo, terei prazer em aprovar. Não traduz o que eu penso, mas é totalmente contra meus princípios censurar o humor.
O outro era tolo demais para figurar neste espaço. Atribuía-me interesse e prazer em ver o PT tendo o seu registro cassado. Ora, se eu quisesse isso mesmo, o melhor que eu poderia fazer era não escrever nenhuma linha a respeito.
Ao cantar a bola, dei tempo para os petistas se precaverem contra as intenções inimigas. E fiz bom jornalismo. Quem não consegue entender tais obviedades, nem deveria visitar este blog.

Autor(a): Celso Lungaretti
Fonte: http://www.velhosamigos.com.br
Colaborador(a): Celso Lungaretti

 

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