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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

No próximo domingo, 27, os diretórios municipais do Partido dos Trabalhadores foram instruídos a realizar atos de lançamento da candidatura faz-de-conta do ex-presidente e atual presidiário Luiz Inácio, embora até as pedras das ruas saibam que é mais fácil o Brasil reinstalar a monarquia e o príncipe de Orléans e Bragança assumir o trono do que Lula ultrapassar a barreira da Lei da Ficha Limpa.

Discute-se a conveniência de ser definido já neste domingo um vice para a chapa. Em caso afirmativo, equivalerá à indicação da identidade do verdadeiro candidato, depois que a quimera lulista for fulminada pela Justiça Eleitoral.

Mas, claro, entrando tão tarde na caça aos votos, o herdeiro designado fará apenas figuração, ajudando a legitimar uma eleição que o PT, na sua retórica bombástica, qualifica de ilegítima se Lula não participar. A lógica e a coerência também não são o forte de Gleisi Hoffmann & cia. 

Ademais, seria desfeita a expectativa quanto a quem encarna o plano B, com Fernando Haddad ou Jaques Wagner recebendo a benção do Lula. Como ambos são certeza de fracasso, soaria o alarme para todos os fisiológicos se bandearem em busca de candidaturas viáveis às quais possam se atrelar.

Enfim, o comezinho bom senso seria mais do que suficiente para os dirigentes petistas decidirem não anunciar vice no domingo. Mas, como bom senso é um dos artigos mais em falta no partido ultimamente, deles tudo se pode esperar, até que cometam mais esta lambança.

De concreto, Lula e seus paus mandados se mostram irredutivelmente hostis à ÚNICA possibilidade de o PT pelo menos disfarçar sua decadência na próxima eleição: uma composição com Ciro Gomes ou Guilherme Boulos. Insistem em, sozinhos e altaneiros, acrescentarem mais uma derrota à coleção. 

Vão registrar a candidatura do Lula na enésima hora (o prazo final é dia 15 de agosto às 19h) e só depois da inevitável impugnação haverá alguém se apresentando oficialmente ao distinto público como candidato do, ou apoiado pelo, PT. O eleitorado ficará com a impressão de que se trata do velho não tem tu, vai tu mesmo...

Quanto a Lula, já existe quem o compare a Jim Jones, o pastor maluco que conduziu seu rebanho ao suicídio. Para outros, o amargor por ter acabado em cana é tamanho que o Lula estaria imbuído de sentimentos tipo depois de mim, o dilúvio...   

Aliás, tal previsão agourenta proveio de um seu xará, o rei Luís XV da França. E se confirmou, pois duas décadas mais tarde cairia a monarquia francesa.

Por último: como nem o impeachment da Dilma e a prisão do Lula convenceram a esquerda brasileira a retomar o caminho da luta contra o capitalismo, ao invés de continuar plantando ilusões democratico-burguesas na cabeça dos explorados, só nos resta torcermos para que, com o fiasco que se prenuncia nas eleições de outubro, a ficha finalmente caia. 

Desconstruindo a si próprio e travando a domesticada esquerda atual (igualmente cheia de vícios conciliatórios), o PT talvez esteja, sem querer, abrindo espaço para a afirmação de uma nova esquerda. Uma esquerda de verdade, disposta a ir à raiz dos problemas, liderando o povo numa transformação em profundidade da sociedade brasileira. 

É a esperança que sobrou, então temos de apostar nela. 

E, mais do que tudo, temos de apostar em nós mesmos e agir, pois o sebastianismo nada de bom trouxe no século 16, nem trará agora.

Autor(a): Celso Lungaretti
Fonte: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/

 

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