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FALTA DE RECURSOS AMEAÇA O RÉVEILLON DE OITO BAIRROS DA CIDADE
publicado em: 26/11/2018 por: Lou Micaldas

A pouco mais de um mês da virada, Riotur busca alternativa para bancar as festas; só a de Copacabana está garantida

A festa da virada de 2018 em Copacabana: no último réveillon, foram 17 minutos de queima de fogos Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

O réveillon 2019 pode perder parte do brilho. Até o momento, só o show da virada em Copacabana, que rendeu R$ 12 milhões em cotas de patrocínio, está garantido. Outros pontos da cidade, como a Praia do Flamengo e o Piscinão de Ramos, correm o risco de ficar sem festa, depois de a prefeitura ter tentado, sem sucesso, atrair comerciantes locais para o custeio das celebrações em oito bairros — o objetivo era arrecadar R$ 10 milhões. Agora, segundo a Riotur, a esperança é que a Casa Civil e a Secretaria de Fazenda do município liberem recursos para as comemorações.

Além de Flamengo e Ramos, estão ameaçadas as viradas do Parque de Madureira, do Conjunto IAPI da Penha e da Praia da Bica, na Ilha do Governador, na Zona Norte. Na Zona Oeste, a crise pode atingir as festas da Praia da Brisa, em Guaratiba, e da Praia do Recôncavo, em Sepetiba. Tampouco está batido o martelo sobre a celebração na Praia da Moreninha, na Ilha de Paquetá. Eram previstos shows em todos esses locais. Na Praia do Flamengo, haveria ainda queima de fogos.

— É mais difícil (vender cotas de patrocínio) dessas oito festas porque foi novidade, foi a primeira vez que tentamos. Houve até interessados, mas não efetivaram as propostas. Vamos continuar tentando. Vou repetir (esse modelo) ano que vem, até para reduzir o investimento da prefeitura — diz Marcelo Alves, presidente da Riotur. — Nesse processo de outros palcos pela cidade (para a chegada de 2019), dependo, efetivamente, do repasse de recursos da Casa Civil e da Fazenda — reitera ele.

Orçamento Indefinido

Nem a virada de Copacabana, apesar de confirmada, tem seu orçamento fechado. A Riotur pode ter que complementar os patrocínios com dinheiro do caixa municipal, que seria usado para pagar as balsas e os rebocadores da queima de fogos — um custo de cerca de R$ 3 milhões.

— Mas espero ainda conseguir mais um patrocinador. Acredito que será a primeira vez que o réveillon será todo pago com recursos privados — afirma Alves. — Caso isso não ocorra, a prefeitura terá que participar, o que quero evitar. Propus alternativas para reduzir os custos das balsas. A tradição é alugar 11, mas a empresa dos fogos diz que dez seriam suficientes. São detalhes que podem ser ajustados — acrescenta ele.

A exemplo de anos anteriores, o réveillon de Copacabana (que na virada passada custou R$ 18 milhões) será produzido pela SRCOM. “O caderno de encargos retirado pela empresa garante o custeio e realização da queima de fogos pela mesma, utilizando a verba de patrocínio captada”, afirma a Riotur, em nota.

Menos tempo de fogos

Em vez dos 17 minutos da última festa, no entanto, as boas-vindas a 2019 terão 14 minutos de explosões, como antecipou a coluna de Marina Caruso no GLOBO. O objetivo, segundo a prefeitura, é que o show pirotécnico gere menos fumaça. Fogos inéditos devem ser usados. Foram definidos também os artistas que se apresentarão: os cantores Gilberto Gil e Thiaguinho, o grupo Skank e a Beija-Flor, campeã do carnaval 2018. Haverá ainda uma homenagem à Banda de Ipanema.

Nos corredores da Riotur, a informação é de que, se não houver mais recursos, a tendência é de uma festa mais simples.

Subsecretaria ganha espaço na realização de eventos
A falta de recursos pode não ser a única dor de cabeça para o presidente da Riotur, Marcelo Alves. Uma resolução assinada no último dia 19 pelo secretário municipal de Casa Civil, Paulo Messina, pode aumentar os poderes da Subsecretaria de Promoção de Eventos, vinculada à pasta. Pelo texto, o órgão comandado por Rodrigo Castro poderá planejar, coordenar e monitorar a realização de grandes eventos institucionais, além permitir ou não outros eventos.

Por hora, nada muda na Riotur em relação ao réveillon e ao carnaval, principais festas do Rio. A suspeita, no entanto, é de que se abra espaço para uma futura investida de Messina na área comandada por Alves. Não seria a primeira vez que os dois entrariam em rota de colisão. O titular da Casa Civil já tentou, sem sucesso, tirar do presidente da Riotur a gestão da empresa municipal Rio Eventos. Em outro episódio, Messina transferiu a administração da Feira de São Cristóvão para a Secretaria de Cultura.

Em nota, a prefeitura diz que, desde o ano passado, as análises e decisões sobre os pedidos de autorização para eventos já tinham sido centralizadas na então Coordenadoria de Promoção de Eventos do Gabinete do Prefeito. Após uma reestruturação da Casa Civil, a coordenadoria ganhou status de subsecretaria. E passou a coordenar a atuação dos demais órgãos públicos no suporte operacional a grandes eventos.

As políticas públicas de turismo, porém, continuariam a cargo da Riotur. Segundo o município, caberá à subsecretaria a organização e promoção de um calendário anual de eventos que se somem ao réveillon e ao carnaval.

Autor(a): Renan Rodrigues
Fonte: oglobo.globo.com/rio/falta-de-recursos-ameaca-reveillon-de-oito-bairros-da-cidade-23259656
Colaborador(a): Maria Helena Alves

 

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