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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

Comerciantes e visitantes pedem melhorias para o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, que reúne o melhor da cultura da terrinha no Rio de Janeiro

“Eu perguntei a Deus do céu, ai. Por que tamanha judiação?”. Os versos da canção “Asa Branca”, do cantor e compositor Luiz Gonzaga, patrono do Centro de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão/RJ, são evocados por um comerciante que mantém, há 15 anos, uma loja de produtos típicos no pavilhão. Com água e luz cortadas por falta de pagamento há mais de um ano, os barraqueiros só vêem a situação piorar. Segundo contam, no último mês, o serviço de limpeza dos banheiros e o recolhimento de lixo também pioraram muito. 

Semana passada, os comerciantes organizaram um rateio para comprar óleo diesel e abastecer os geradores que mantém o fornecimento de energia elétrica do lugar. Outro grande problema, segundo contam, tem sido o racionamento de água, cujo fornecimento é feito através de carros-pipa. 

A cearense Maria Altêncio conta que o medo dos comerciantes é o fechamento do equipamento cultural. 

“Tiramos nosso sustento daqui antes mesmo da construção do pavilhão. É preocupante tudo que está acontecendo. Precisamos que a situação melhore o quanto antes. Como não vemos melhora, só me resta fazer preces a Padre Cícero. Na sexta, quando o óleo do gerador chegou e conseguimos restabelecer a energia, foi como chuva no sertão. Fiquei emocionada, e voltamos a trabalhar depois de três dias parados”. 

Segundo relatam os próprios comerciantes, só com a Light a dívida beira R$ 5 milhões e as contas deixaram de ser pagas devido à inadimplência de condomínio dos barraqueiros.  

Visitantes apontam ainda goteiras nas lonas do pavilhão, lixo espalhado, e sujeiras nos banheiros. 

Uma outra comerciante, que pede para não ser identificada, diz que a Prefeitura deveria dar mais atenção à feira, entre outros motivos, por uma questão de saúde pública. 

“As barracas menores não têm gerador próprio. Então, o armazenamento de comida virou uma questão muito séria. Eu trago carnes congeladas em pequenas quantidades, só para o consumo do dia. Mas será que todos tomam este cuidado? A energia elétrica é fundamental para garantir a qualidade do alimento, que é refrigerado. A maior parte das barracas aqui vende comida. Sem gerador, como armazenar alimentos perecíveis com qualidade?”, indaga ela, ao revelar que a existência de geradores não impede o desabastecimento de energia elétrica. “Já fizemos até vaquinha pra comprar o óleo dos geradores”, completa.  

Para Chiquita Dias,, que mantém uma das maiores barracas do complexo, falta vontade política para resolver os problemas do reduto nordestino. 

“A feira é muito querida por toda a população da cidade e também por turistas. Por isso, a Prefeitura deveria ter um carinho maior com esse espaço. Água e luz não são problemas difíceis de resolver. Seria melhor que a Prefeitura pagasse a Light e a Cedae, e cobrasse dos barraqueiros. A inadimplência que existe sempre teve a conivência do poder público. Tá na hora de acabar com esse jogo. Quem não pagar, não pode trabalhar. A Prefeitura tem que agir”, diz a cearense. 

Visitando pela primeira vez o Centro, Cristina Nunes, de 51 anos, recebeu homenagens dos repentistas. 


“Estou encantada com este lugar. É um povo muito animado!”, disse, enquanto aplaudia os artistas.  

Em janeiro, a Prefeitura rescindiu o contrato com a associação que administrava o equipamento. Na ocasião, alegou que faltou transparência na prestação de contas e nas eleições. As tarifas públicas também não foram pagas pela administração anterior.

Ex-presidente da Associação dos Feirantes, Antônio Helismar Leite Pereira foi procurado, mas não foi encontrado. 

Responsável pelo espaço, a Riotur informou, em nota, que a “Secretaria Municipal de Cultura planeja uma remodelagem para o espaço, mas o trabalho emergencial realizado mantém o equipamento de portas abertas e funcionando normalmente”. Sobre a falta de abastecimento de energia elétrica na última semana, a Riotur alega que a “empresa terceirizada que mantém os geradores do espaço sofreu com a paralisação dos caminheiros e consequentemente, a Feira teve o abastecimento de óleo diesel comprometido, mas o fornecimento de energia já foi restabelecido”. O órgão não informou, no entanto, o motivo da falta de energia elétrica no período anterior à greve dos caminhoneiros nem se há uma expectativa de pagamento das contas de luz e água, para a religação de tais serviços, evitando interrupções e prejudicando o funcionamento do centro.

Autor(a): Maria Luisa de Melo (malu@jb.com.br)
Fonte: Jornal do Brasil - http://www.jb.com.br/rio/noticias/2018/06/04/feira-de-sao-cristovao-sofre-com-falta-de-energia-eletrica-agua-e-abandono/
Colaborador(a): Glória Nogueira

 

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