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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

HADDAD X BOLSONARO É O CENÁRIO CERCADO DE PIORES AUGÚRIOS
publicado em: 19/09/2018 por: Lou Micaldas

O cenário que se esboça, de um 2º turno com Haddad x Bolsonaro, é o que está cercado de piores augúrios.

A decepção dos brasileiros com os Poderes da República está cada vez maior. Então, faz todo sentido que grandes contingentes, não vislumbrando esperança nenhuma à frente, busquem no passado as soluções para os problemas atuais, embora isto equivalha a repetir o que já deu errado com a vã ilusão de que dará certo na segunda tentativa. 

Para o caldo de cultura se tornar definitivamente infernal, desde as manifestações populares pró impeachment da Dilma estamos às voltas com fanáticos obtusos e as expectativas exageradas que eles criam. 

Eram bem minoritários nas jornadas de 2016, mas sua participação cresceu em volume e contundência na paralisação selvagem dos caminhoneiros de maio/2018, quando até flertaram com a possibilidade de um golpe de Estado destrambelhado, acabando, contudo, por concluírem que ainda não tinham cacife para tanto.

No caso de uma vitória eleitoral de Bolsonaro, os truculentos que esperam vê-lo tocar o terror sofreriam uma enorme decepção. 

Primeiramente, porque as duas linhas mestras do seu eventual governo seriam a submissão incondicional às imposições neoliberais, indo muito além do que Dilma e Temer tentaram mas não conseguiram entregar aos senhores do mundo; e o enfrentamento dos problemas sociais por meio da força bruta, sem controle nenhum. Alguém acredita que isso daria certo no Brasil do século 21?  

 Ademais, um presidente da República brasileiro nem de longe tem poder para tornar realidade todas as barbaridades que ele está demagogicamente prometendo. O Congresso, o STF e a sociedade civil logo o fariam cair na real.

Mas, quem é tolo a ponto de acreditar nessas lorotas, é também tão primário que não se conformará facilmente quando seus castelos no ar desabarem. Mesmo Hitler e Mussolini tiveram dificuldade para lidar com seus radicais.  

Hitler precisou até promover  uma matança de correligionários (a noite dos punhais longos) para impor definitivamente sua autoridade aos nazistas. Mussolini enfrentou resistências no seio do fascismo, mas aproveitou o Caso Matteotti para limpar a área. Como eram líderes de maior envergadura, ambos acabaram prevalecendo e consolidando-se no poder. 

Já o Bolsonaro não passa de um demagogo explorando um nicho que se revelou promissor para suas ambições. Nem mesmo um novo Plínio Salgado ele é. Então, tenderia a ser ultrapassado pelos acontecimentos, dificilmente conseguindo administrar as inevitáveis crises e cumprir até o fim seu mandato. 

E, como aconteceu com Jânio Quadros e Dilma Rousseff, afastamentos traumáticos sempre deixam um legado de inconformismo, incompatibilidades, irreconciliabilidades e consequente instabilidade política. Vale lembrar, p. ex., a sucessão de quatro golpes de Estado ocorridos na Argentina de 1955 a 1976 e todos os governos formados a partir de cada um deles, sem conseguirem tirar o país do fundo do poço. 

Já com o Haddad o sistema (ou seja, o dominante poder econômico e os subalternos Executivo, Legislativo e Judiciário) provavelmente chegaria a um acordo, mas a pergunta é: as hordas de trogloditas ensandecidos engoliriam numa boa a volta do PT ao poder? 

E, havendo turbulências, os grandes capitalistas (e as chamadas forças da ordem, que nada mais são além de seus braços armados) não acabariam optando por se alinharem com os que lhes são afins? 

De resto, seria outro governo incapaz de entregar o que está prometendo, pois a volta aos tempos felizes do Lula presidente (nem tão auspiciosos assim pois a desigualdade econômica escandalosa não diminuiu um ponto percentual sequer, apenas era uma conjuntura mais favorável para as commodities brasileiras, a ponto de se poderem aumentar a ração de migalhas para os explorados sem reduzir a esbórnia dos exploradores) esbarrará na agudização das contradições capitalistas. 

O que se prenuncia, pelo contrário, é uma nova crise financeira em ampla escala, provavelmente mais devastadora que a de 2007/2008. Até o Vaticano adverte que estamos marchando para um bis.

Em meio a tantas incertezas e maus pressentimentos, é desalentadora a postura do PT, que continua levando em conta unicamente os seus interesses, como de hábito. 

O melhor caminho, neste momento, seria a união das forças de esquerda em torno de uma candidatura que não representasse explicitamente o PT e Lula. Ou seja, pela ordem: 1) Ciro; 2) Marina; ou 3) Boulos.

Aí haveria condições para se pacificar um pouco os espíritos, tentando virar uma página que foi negativa sob todos os pontos de vista e criar anticorpos para não sucumbirmos aos difíceis desafios que se avizinham.

Mas, falta grandeza revolucionária e faltam estrategistas gabaritados ao PT, que quer porque quer impor uma derrota frontal ao sistema, sem ter o necessário para tanto: votos não prevalecem sobre o poder da grana e o poder das armas. 

Só se verdadeiramente possui aquilo que se é capaz de defender em qualquer circunstância. O PT não conseguiu articular nenhuma reação de verdade ao defenestramento da Dilma e nada indica que o conseguirá quando vier a ser novamente necessário, pois não desencanou até agora das ilusões democrático-burguesas. 

Quando a correlação de forças nos desfavorece, temos de ser sensatos e realistas, deixando os confrontos de maior monta para depois. Blefes e bravatas nos momentos impróprios quase sempre produzem resultados desastrosos. 

Autor(a): Celso Lungaretti
Fonte: naufrago-da-utopia.blogspot.com/2018/09/quando-correlacao-de-forcas-nos.html

 

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