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METADE DA AVENIDA DAS AMÉRICAS ESTÁ SEM FISCALIZAÇÃO
publicado em: 23/07/2018 por: Lou Micaldas

CET-Rio diz que retirada de radares ocorreu por término de contrato

Os equipamentos eletrônicos que flagram infrações por avanço de sinal e excesso de velocidade estão sendo retirados da Avenida das Américas, na Barra. A debandada dos pardais começou há duas semanas e, na última sexta-feira, metade da via já estava sem fiscalização. Uma equipe do GLOBO percorreu os cerca de 25 quilômetros da avenida e constatou a ausência de pardais em um trecho de 13 quilômetros, entre o Bosque da Barra e a estação do BRT Notre Dame, no Recreio. Em alguns pontos, restam apenas postes com fios pendurados onde anteriormente havia radares. Em outros, as carcaças dos equipamentos permanecem, mas as câmeras e flashes desapareceram. Segundo a CET-Rio, o processo de retirada deve se estender por mais 30 dias e ocorre por conta do término do contrato entre a prefeitura e Perkons, empresa responsável pelo serviço.

Para especialistas, o “apagão” na fiscalização pode provocar um recrudescimento nos índices de acidentes com vítimas. Para se ter uma ideia, quando as câmeras estavam em funcionamento, a via era uma das recordistas em infrações de trânsito. Dados obtidos junto ao Detran por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que, em média, um veículo foi multado a cada hora na Avenida das Américas por excesso de velocidade, entre janeiro de 2016 e junho de 2017. Foram 13.526 infrações dessa categoria registradas, 751 em média por mês.

A via também é uma das campeãs de acidentes com vítimas. No ano passado, a Avenida das Américas ficou em segundo lugar no ranking: foram registrados 218 acidentes em que o Corpo de Bombeiros foi acionado (em média, 18 por mês), de acordo com estatística do Detran-RJ. Perdeu apenas para a Avenida Brasil, que tem mais do que o dobro de sua extensão: a via expressa, com 58,5 quilômetros, registrou 639 acidentes.

— O pardal tem um efeito educativo. Então, é bem possível que esses índices aumentem ainda mais. O que vai acontecer é um aumento do excesso de velocidade e do avanço de sinal, e, naturalmente, isso pode resultar em algum dano para o cidadão — afirma o consultor Fernando Pedrosa, ex-coordenador do Programa de Redução de Acidentes de Trânsito do Ministério dos Transportes.

Para o advogado Armando de Souza, presidente da Comissão de Trânsito da OAB-RJ, a prefeitura deveria ter se antecipado ao fim do contrato para evitar a falta de fiscalização:

— O término do contrato era previsível. O gestor tem que ter a responsabilidade de, na ocorrência de um fato semelhante, apresentar uma alternativa, mesmo que seja intensificar a fiscalização com guardas municipais, para coibir infrações de trânsito. O que não pode é retirar os radares e não tomar providência.

Virgínia Salerno, presidente da CET-Rio e secretária municipal de Transportes, diz que a fiscalização será reforçada enquanto não houver a substituição total dos equipamentos. Ao trafegar pela via, na sexta-feira, no entanto, a equipe do GLOBO não constatou a presença de guardas municipais no trecho sem radares.

— A fiscalização será reforçada, mas o que assegura, mesmo, a velocidade educada são os radares — reconhece a gestora, que dá um prazo para a solução. — Já foi feita outra licitação, mas dependemos do Inmetro para aferir os equipamentos. Em até 60 dias vamos recolocar tudo.

Presidente da ONG Trânsito Amigo, o engenheiro Fernando Diniz lamenta a retirada dos equipamentos. Sua militância por segurança no trânsito começou após perder o filho em um acidente justamente na Avenida das Américas, em 2003.

— Lamento muito que isso esteja ocorrendo, porque estamos falando de algo que vai de encontro à vida, o bem mais precioso que existe. Não tenha dúvida de que o número de feridos e mortos vai aumentar por causa disso. Não sei onde o poder público quer chegar. Quando se fala em salvar vidas, não pode haver falta de recursos — afirma Diniz.

PISTA DE CORRIDA

Entre os moradores da região, o temor é de que a prefeitura não cumpra a promessa de instalar novos equipamentos. O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, diz que outras vias do bairro também tiveram pardais retirados ao longo da gestão do prefeito Marcelo Crivella:

— A Avenida Sernambetiba, à noite, virou pista de corrida. Com a Avenida das Américas, a tendência é que ocorra o mesmo. Essa história de fim de contrato é a desculpa que a prefeitura vem dando sempre. A verdade é que a cidade está em decadência em termos de manutenção.

A notícia pegou de surpresa o bancário Marlon Isaías Rezende, de 33 anos. Morador do bairro há uma década, ele não havia notado a ausência dos radares:

— Os pedestres vão ficar mais expostos. Uso o BRT para ir ao trabalho e sempre fico muito atento ao atravessar a rua. Com os pardais em funcionamento já era perigoso, porque muitos motoristas só esperam passar a câmera para acelerar fundo. Agora, vai ser um Deus nos acuda.

Procurada pelo GLOBO, a Perkons disse que a CET-Rio se pronunciaria sobre o assunto.

Autor(a): Pedro Zuazo
Fonte: oglobo.globo.com/rio/metade-da-avenida-das-americas-esta-sem-fiscalizacao-22910372
Colaborador(a): Ricardo Pereira de Sá

 

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