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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

O BRASIL RUMO À DEPRESSÃO ECONÔMICA
publicado em: 11/03/2017 por: Lou Micaldas

Depressão econômica corresponde a um longo período caracterizado pela queda acentuada do crescimento econômico, por numerosas falências de empresas, crescimento vertiginoso do desemprego, escassez de crédito, baixos níveis de produção e investimento, redução das transações comerciais, alta volatilidade do câmbio e crise de confiança. Os períodos de contração econômica prolongada dá-se o nome de depressão. A depressão que atingiu a economia mundial em 1929 persistiu por quase toda a década de 1930 e somente foi debelada com a execução de obras públicas e o aumento dos gastos militares na segunda guerra mundial.
Por sua vez, recessão é um período em que ocorre um declínio na taxa de crescimento econômico de uma região ou país por dois ou mais trimestres consecutivos. Recessão resulta na diminuição da produção e do trabalho, dos salários e dos lucros das empresas. Do ponto de vista dos empresários, recessão significa restringir as importações, produzir menos e aumentar a capacidade ociosa. Para o consumidor, significa restrição de crédito, juros altos e desestímulo para as compras. Para o trabalhador, significa baixos salários e desemprego. No caso atual do Brasil, tudo leva a crer que o País que se encontra em recessão profunda deve caminhar para uma situação de depressão econômica.
Os dados divulgados pelo IBGE recentemente mostram que a atividade econômica do Brasil retrocedeu ao patamar do início de 2011. Atualmente atravessamos um período em que a produção está em queda por três trimestres consecutivos, depois de outros três sem crescimento. Além disso, os dados revelam que a queda na produção no terceiro trimestre deste ano está 4,5% abaixo do nível obtido em igual período do ano passado. Não é, portanto, uma queda trivial e muito menos esporádica. O impacto da recessão sobre a renda do brasileiro foi ainda mais profundo do que sobre a economia como um todo. Desde 2014, ano de início da crise, o PIB per capita (o valor total do PIB dividido pela população) caiu 9,1%, de acordo com o IBGE. O PIB per capita ficou em R$ 30.407 em 2016. Enquanto isso, o PIB total cresceu 0,5% em 2014 e caiu 7,2% no acumulado de 2015 e 2016.

O setor mais afetado pela crise foi a agropecuária, que decresceu 6,6%, principalmente devido às lavouras de milho (-25,7%), cana de açúcar (-2,7%) e soja (-1,8%). A indústria decresceu 3,8%, com destaque negativo para a indústria da transformação, que fornece equipamentos para outras indústrias e despencou 5,2%. O setor de serviços caiu 2,7% em 2016. Sozinho, o comércio decresceu 6,3%. Já a área de transporte, armazenagem e correio sofreu queda de 7,1%. Além da queda em valores absolutos, houve recuo também na proporção do investimento em relação ao PIB. A taxa de investimento encerrou o ano em 15,4%, percentual mais baixo do que o verificado em 2015, de 18,2%. Um dos principais motores da atividade econômica brasileira, o consumo das famílias também recuou em 2016. O consumo caiu 4,2% em 2016 — um ano antes, havia recuado 4%. O elevado desemprego (12,5 milhões de trabalhadores) soma-se à queda da renda da população em termos reais. 
Pelos dados acima apresentados, pode-se afirmar que o Brasil está claramente em recessão que foi engendrada por uma série de erros de política econômica cometidos pelos governos neoliberais que se sucederam de 1990 até o presente momento e, também, pela atitude passiva do incapaz governo Michel Temer que não adota nenhuma medida efetiva que seja capaz de evitar a caminhada do Brasil rumo à depressão econômica. Mantida a política econômica neoliberal atual, deve demorar dez anos para o Brasil recuperar sua riqueza perdida com a recessão.

Para o Brasil superar a recessão atual e evitar a depressão econômica, é imprescindível a superação de 4 grandes obstáculos: 1) o governo incompetente e antipopular de Michel Temer; 2) o falido modelo econômico neoliberal; 3) o ineficaz e ineficiente modelo de gestão pública do Brasil; e, 4) o falido e corrupto sistema político institucional do País. O governo Michel Temer é obstáculo à superação da crise econômica, política e de gestão pública do Brasil porque demonstra incompetência na condução da economia, descompromisso com os interesses do povo e da nação brasileira e submissão aos ditames do capital financeiro. Além disso, trata-se de um governo fraco sob a direção incompetente de Michel Temer que tem a rejeição de 90% da população brasileira e não possui a liderança política nem a capacidade administrativa necessária para realizar as transformações exigidas para o Brasil na quadra atual. 
 
O modelo econômico neoliberal faliu no Brasil porque provocou uma verdadeira devastação na economia brasileira de 1990 a 2014 configurada no crescimento econômico pífio, nos gargalos existentes na infraestrutura econômica e social, na desindustrialização da economia brasileira, na explosão da dívida pública e na desnacionalização da economia brasileira. Na tentativa de superar a crise econômica, o governo Michel Temer, que substituiu o malfadado governo Dilma Rousseff, decidiu adotar uma política econômica que está se traduzindo no aprofundamento da recessão da economia, no aumento vertiginoso da dívida pública, na quebradeira generalizada de empresas e também no desemprego em massa.
 
O modelo de gestão pública do Brasil é ineficiente e ineficaz devido à falta de integração dos governos federal, estadual e municipal na promoção do desenvolvimento nacional, regional e local. Esta é uma das principais causas do descalabro administrativo do setor público no Brasil gerador de desperdícios, atrasos na execução de obras e corrupção desenfreada. Associe-se a esse fato a existência de estruturas organizacionais inadequadas em cada um dos níveis federal, estadual e municipal que inviabilizam o esforço integrativo nessas instâncias de governo. A falta de integração das diversas instâncias do Estado é, portanto, total, fazendo com que a ação do poder público se torne caótica no seu conjunto, gerando, em consequência, deseconomias de toda ordem.
 
O sistema político institucional do País faliu porque o presidencialismo em vigor tem sido gerador de crises políticas e institucionais, o sistema político do País está contaminado pela corrupção, a democracia representativa no Brasil manifesta sinais claros de esgotamento não apenas pelos escândalos de corrupção nos poderes da República, mas, sobretudo, ao desestimular a participação popular nas decisões do governo, reduzindo a atividade política a meros processos eleitorais que se repetem periodicamente em que o povo elege seus representantes os quais, com poucas exceções, após as eleições passam a defender interesses de grupos econômicos em contraposição aos interesses daqueles que os elegeram.

O povo brasileiro precisa entender que não bastam pequenas mudanças ou simples reformas nas instituições políticas e legislações em vigor. Urge fundamentalmente a superação da gigantesca crise econômica, da profunda crise política, da crise de gestão da administração pública e da crise ética e moral que ameaçam o futuro do Brasil. É preciso entender que todas essas crises estão interligadas e que nenhuma delas será superada isoladamente sem a superação das demais. A primeira das crises a serem superadas é a crise política com a renúncia de Michel Temer e a constituição de um governo provisório presidido pela presidente do STF- Supremo Tribunal Federal que, em seguida, convocaria uma nova Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva para reordenar a vida nacional em novas bases após a qual seriam realizadas eleições gerais em todo Brasil com base na nova ordem constitucional. 
 
Fernando Alcoforado, 77, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor de diversos livros.
Saiba mais sobre o escritor no blog: (http://fernando.alcoforado.zip.net).

Autor(a): Fernando Alcoforado
Fonte: http://fernando.alcoforado.zip.net
Colaborador(a): Pelo próprio autor

 

 

 

 

 

 


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