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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

O PT, em parte, é herdeiro da tradição revolucionária, segundo a qual, numa Justiça de classe, prevalecem os interesses da classe dominante.

E Lula, o representante mais emblemático da corrente que conduziu o PT à acomodação com a burguesia, trocando a luta de classes pela harmonização de interesses, embora, nesta barganha sórdida, a parte do leão acabe sempre cabendo ao grande capital: ele mantém firmemente em suas mãos as rédeas da política econômica, que, segundo Karl Marx, é a mais determinante em qualquer governo.

Mas, sob Lula e em boa parte por causa do Lula, o PT acreditou que, firmando o pacto com o diabo  (expresso na repulsiva Carta ao Povo Brasileiro de junho de 2002), passaria a receber o mesmo tratamento dado aos demais partidos. Quanta ingenuidade!

Bastou reeleger uma presidente incapaz e que estava conduzindo o país ao caos econômico para os donos do PIB, com a maior sem-cerimônia, a expelirem pela via parlamentar.

Ou seja: não basta haver abandonado os ideais revolucionários para o PT ter o direito de gerenciar indefinidamente o capitalismo sob a tutela dos capitalistas ("Moço, posso tomar conta do seu carro?"). Precisa também desempenhar o papel de serviçal com um mínimo de competência...

E, ainda que o poder econômico tenha decidido utilizar durante algum tempo os préstimos do PT, não deixou de apoiar, por baixo do pano, o enfraquecimento do partido via mensalão. Houve um momento, no primeiro mandato do Lula, em que poderia, inclusive, tê-lo derrubado, mas naquele instante não lhe convinha ir tão longe. Quem realmente incomodava era o Zé Dirceu, e este foi tirado do caminho.

Os dirigentes petistas  então se defenderam, face à opinião pública, com a alegação pinoquiana de que não existira mensalão nenhum (só os devotos incondicionais engoliram a balela).

Houve também quem, com mais sinceridade, admitisse o prática da corrupção por parte do PT, ressalvando, contudo, que os partidos de centro e de direita sempre fizeram a mesmíssima coisa sem que o rigor da lei despencasse com tamanha contundência sobre eles.

Eu mesmo concordo e assino embaixo. Mas, alertei que o fato de a lei ser frouxamente cumprida com relação a outrem não obriga a Justiça e a polícia a tratarem da mesma forma o PT. Aos olhos da opinião pública, soava patético o chororô de que "os outros delinquiam em paz e nós somos crucificados". O erro não era o que se estava fazendo com o PT, mas sim a impunidade (às vezes total, às vezes parcial) dos demais.

O ridículo se repete, com os protestos de que a Justiça brasileira nunca agiu tão rapidamente como está agindo para condenar Lula em 2ª instância. É uma ofensa à inteligência dos cidadãos.

No fundo, o pecado pelo qual o PT está pagando é o de ter acreditado que, esquecendo Marx e adotando como guia (embora sem admiti-lo explicitamente) Eduard Bernstein, o pai do reformismo, passaria a ser visto pela burguesia como parceiro, tanto quanto o PSDB ou o PMDB, p. ex.

Não percebeu que estava sendo apenas tolerado pelos poderosos, enquanto isto lhes convinha...

Autor(a): Celso Lungaretti
Fonte: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/

 

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