Logomarca Velhos Amigos
INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

O PT NA HORA DA VERDADE
publicado em: 08/10/2018 por: Lou Micaldas

Por estar esquivando-se da imprescindível autocrítica desde o impeachment de Dilma Rousseff, o PT até agora vinha se recusando a reconhecer quão ameaçador é o populismo de extrema-direita que deu o ar de sua desgraça nas manifestações de rua de 2013, avolumou-se nas de 2016 e não cessou de acumular forças desde então: duas vezes esteve envolvido em ações concertadas  para forçar o impedimento de Michel Temer, tentou aproveitar a paralisação selvagem dos caminhoneiros para provocar uma quartelada e tem sido a força propulsora da candidatura de Jair Bolsonaro. 

Desde o início, o objetivo último desses neofascistas é a tomada do poder, e lamento informar ao Zé Dirceu que eles, sim, têm chances de êxito. 

Apesar de seus três principais expoentes na campanha eleitoral serem simplesmente ridículos —tenho comparado Bolsonaro, Mourão e Guedes aos Três Patetas, de tanto que batem cabeça e dão tiros no pé—, há um núcleo profissional na campanha deles que nada tem de trapalhão, aquele que infesta com fake news as mídias e redes sociais. Dá para se perceber claramente a batuta de atuais ou antigos integrantes da comunidade de informações regendo tal orquestra.

Com sua obsessão em fazer o povo brasileiro acreditar que o defenestramento da rainha louca teria resultado de um golpe e que Lula seria um prisioneiro político, o PT subestimou grosseiramente o risco Bolsonaro. 

Desperdiçou esforços e afugentou possíveis aliados ao priorizar o acerto de contas do passado, quando deveria é estar garantindo que houvesse um futuro.

Inexistisse tanta soberba no PT e provavelmente a esquerda teria se unido em torno do candidato (Ciro Gomes, Marina Silva ou Guilherme Boulos) de um partido sem seu porte, mas também sem o desgaste de quem passou 13 anos no poder e acumulou altíssima rejeição.

E, claro, inexistisse tanta soberba no PT e provavelmente o candidato do bloco da esquerda buscaria o entendimento com as forças alheias dispostas a apoiá-lo, ao invés de bater-lhes com a porta na cara, como o Vinícius Torres Freire destacou (vide aqui).

A autocrítica agora terá de ser na prática

Mas, para chegarem a isto, o PT e Lula teriam de haver percebido quão perigoso é esse neofascismo que há cinco anos procura uma brecha para assenhorar-se do poder; e precisariam ter a humildade de enxergarem as prioridades da esquerda e dos brasileiros civilizados em geral como bem mais importantes do que seus mesquinhos interesses partidários.

Que os dirigentes petistas coloquem a mão na consciência e se compenetrem de que só eles podem agora barrar a escalada neofascista, mudando radicalmente o tom de sua campanha nas últimas três semanas e sabendo explorar os erros crassos que os três principais expoentes inimigos igualmente cometem (e em escala maior ainda!).

O liberticida apenas capitaliza o ódio despertado pelas gritantes mazelas do Estado brasileiro, escancaradas pela Operação Lava-Jato. Se trouxer a discussão para o plano das medidas a serem tomadas para tirar o Brasil da recessão e para pacificar nosso país antes que estejamos matando uns aos outros pelas ruas, calará o pregador do caos, cujo programa de governo é um amontoado de contradições, estultices e propostas irrealizáveis.  

O desabafo já aconteceu e os cidadãos que estavam indo contra seus interesses movidos por um estado de espírito rancoroso e por um efeito-manada, podem caírem na real se tomarem conhecimento de que o preço por eleger-se um aventureiro desequilibrado como presidente é amargar mais recessão e turbulências ainda, como aconteceu depois da renúncia de Jânio Quadros. A campanha do Haddad pode, sim, virar o jogo. 

Caso contrário, tudo de positivo que um dia os petistas tenham feito será anulado pela catástrofe que advirá de suas ações neste momento decisivo. (por Celso Lungaretti)

===============

PT, VOLTE A SER DIGNO DA HORA

Celso Rocha de Barros

O PT está prestes a ganhar algo raríssimo na política: uma segunda chance. 

O fracasso de Michel Temer e as revelações da Lava Jato sobre os partidos de direita deram sobrevida ao Partido dos Trabalhadores e colocaram Fernando Haddad no 2º turno, na eleição mais importante de nossa história. Há eleições que se pode perder, mas esta não é uma delas! 

É a chance de o PT encerrar a crise que ajudou a começar com a política econômica do primeiro mandato de Dilma Rousseff. O passo inicial, portanto, é abraçar a responsabilidade econômica que faltou a Dilma em 2012. 

O segundo passo é até mais importante: precisa abandonar qualquer ressentimento, qualquer desejo de vingança causado pela crise política que seus adversários provocaram com o impeachment de Dilma Rousseff.

Enfim, é hora de esquecer o programa do 1º turno e abraçar o programa da frente democrática que deve se formar no segundo. Esse programa deve reconhecer a necessidade de ajuste fiscal, corrigindo os defeitos do ajuste de Temer, e deixar de lado toda palhaçadinha de nova Constituição, controle da mídia e demais babaquices que intelectual petista burro enfiou no programa de governo porque estava com raiva do impeachment. 

Algumas dessas propostas podem até ser dignas de discussão, mas só depois de o PT reconquistar a confiança geral da população quanto à sua condição de partido responsável, na economia e na política. 

Essa é a segunda chance do Partido dos Trabalhadores, mas também é a última. Se o PT perder para Bolsonaro, há uma perspectiva real de que os pobres brasileiros não consigam mais se fazer ouvir no sistema político por uma geração. O PT não tem o direito de impor aos pobres essa tragédia sendo incompetente ou radical.

Agora é a hora do partido voltar a ser a alternativa da esquerda democrática como foi nos anos Lula. A campanha no 2º turno deve ser a mais inclusiva possível para todo mundo, da esquerda, do centro ou da direita, que defenda a democracia contra Bolsonaro.

Haddad é perfeitamente capaz de levantar as bandeiras que o PT precisa defender, mas o partido precisa deixá-lo vencer. É preciso terminar de ganhar os votos que eram de Lula entre os pobres, o que o PT sabe fazer.

Mas também é preciso ganhar terreno no centro, que não está interessado em discurso imbecil contra Lava Jato ou a favor do vagabundo Nicolás Maduro. 

É preciso deixar que os centristas democratas votem no PT. O partido que existiu até agora, aliás, acabou neste domingo (7). 

Serviu para manter o eleitorado lulista unido e colocar Haddad no 2º turno. Agora Haddad, junto a Jaques Wagner e os governadores do partido —que já vêm fazendo ajuste fiscal faz tempo— devem recriá-lo. 

Um partido de esquerda moderado sempre será favorito nas eleições brasileiras —o PT pode vencer a quinta presidencial seguida daqui a três semanas. É a última chance que o Partido dos Trabalhadores —de longe, o maior vitorioso de nossa história democrática, e, portanto, o maior interessado na preservação de nossa democracia —terá de desempenhar esse papel.

A sobrevivência da conversa democrática brasileira, a sobrevivência tanto da centro-esquerda quanto da centro-direita, nossa participação na comunidade das nações livres, depende da derrota de Jair Bolsonaro. 

Partido dos Trabalhadores, torne-se digno da hora.

(por Celso Rocha de Barros)

===============

Observações: ao abrir o computador para começar a alinhavar as alterações necessárias na campanha de Fernando Haddad para o 2º turno, encontrei boa parte do que pretendia dizer já expresso no artigo do Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela universidade inglesa de Oxford.

E muito bem dito, por sinal. No que diz respeito ao quadro atual, nossa concordância é praticamente total: barrar a arrancada fascista justifica qualquer sacrifício neste momento!

Evidentemente, haverá muito a ser feito depois, já que o capitalismo continuará impulsionando a desigualdade econômica e social, a barbárie, a destruição do nosso habitat natural e a infelicidade permanente dos seres humanos: 

— os que têm muito, por levarem existências vazias, sem comunhão com os demais seres humanos, nas quais só obtêm o que seu dinheiro pode comprar; e

— os que têm pouco, por estarem sempre a um passo da miséria, obrigados a jornadas de trabalho massacrantes que há muito deixaram de ser necessárias e compelidos à competição canibalesca com seus iguais.

Mas, estamos em estado de emergência. Lembremo-nos de que, ao sucumbir às invasões bárbaras, Roma condenou a humanidade a um retrocesso atroz e a um milênio de trevas. Não temos o direito de omitir-nos face à escalada da desumanidade! (por Celso Lungaretti)

Autor(a): Celso Lungaretti
Fonte: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA