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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

O RISCO DA INEXPERIÊNCIA NO MEC
publicado em: 14/01/2019 por: Lou Micaldas

Nesta primeira polêmica do governo Bolsonaro na educação – as estapafúrdias alterações nos critérios de escolha de livros didáticos que, entre outros absurdos, retiravam exigências de que as obras fossem isentas de erros e de citações bibliográficas –, menos mal que, uma vez tornadas públicas pela imprensa, o MEC tenha recuado e negado a autoria das mudanças.

Com apenas 14 dias, qualquer julgamento sobre a qualidade da gestão de um novo governo é prematuro. Mas alguns sinais na montagem da equipe do ministro Ricardo Vélez Rodriguez foram preocupantes. E o principal problema não está necessariamente na orientação ideológica dos novos indicados. Bolsonaro em nenhum momento de campanha - ou após eleito - suavizou seu discurso na educação, tendo sempre insistido na tese da doutrinação marxista como um de seus alvos principais. A escolha de Vélez Rodriguez, portanto, foi coerente com esse pensamento.

O fato de o novo ministro não ser um especialista da área tampouco chega a ser novidade: muitos dos que o antecederam também não tinham essa experiência. Porém, uma vez no cargo, ao menos se cercaram de pessoas com um bom conhecimento do setor ou da burocracia ministerial. A questão que preocupa é que, para cargos no primeiro escalão da estrutura do MEC, foram escolhidos nomes com pouca ou nenhuma prática em gestão pública da educação.

As secretarias de Educação Profissional e Tecnológica; de Regulação e Supervisão da Educação Superior; e de Modalidades Especiais da Educação, por exemplo, foram todas ocupadas por ex-alunos de Vélez Rodriguez em cursos de filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora, com pouca ou nenhuma experiência na área de suas respectivas pastas.

Na recém-criada secretaria de Alfabetização, o escolhido foi Carlos de Paula Nadalim. Mestre em educação pela Universidade Estadual de Londrina e coordenador da escola Mundo do Balão Mágico, em Londrina, com cerca de 140 alunos. O site do colégio diz que ele elaborou uma “metodologia inovadora”, “acumulando resultados surpreendentes” na área de alfabetização. Pode ser verdade, mas o sucesso numa pequena escola particular é pouco perto do imenso desafio de melhorar os indicadores de alfabetização de milhões de crianças.

O caso mais grave de inadequação, no entanto, parece ser a escolha de Murilo Resende Ferreira para um cargo extremamente técnico: a Diretoria de Avaliação da Educação Básica do Inep, órgão responsável pelo Enem e outros exames oficiais do MEC. Sem conhecimento em avaliação educacional, a credencial que o levou ao cargo foi sua militância no Escola Sem Partido.

É claro que o aparelhamento do Estado por pessoas sem experiência na área não foi inventado no governo Bolsonaro. Uma das primeiras crises no governo Lula (apenas para citar a figura que os bolsonaristas elegeram como maior antagonista) foi a falta de remédios no Inca (Instituto Nacional do Câncer). O problema foi causado por uma diretora de fora do instituto, que estava lá apenas por indicação de um vereador carioca.
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O fato de algumas das atuais nomeações no MEC não serem de partidos políticos não diminuiu a capacidade de estrago que o desconhecimento pode causar num setor tão importante para o futuro do país. Em pastas como a da Economia, Justiça, Agricultura ou Infraestrutura, pode-se discordar da agenda de seus titulares, mas, em geral, não houve relato até agora de cargos tão importantes dentro do ministério ocupados por pessoas sem experiência em suas áreas. Infelizmente, não foi o caso da educação.

Autor(a): Antônio Gois
Fonte: blogs.oglobo.globo.com/antonio-gois/post/o-risco-da-inexperiencia-no-mec.html
Colaborador(a): Neide Fonseca

 

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