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OBRAS DE EXPANSÃO DO BONDINHO DE SANTA TERESA ESTÃO PARADAS
publicado em: 07/05/2018 por: Lou Micaldas

Não há previsão de retomada, por falta de recursos financeiros

RIO - Considerado símbolo de Santa Teresa, o bondinho que já foi o principal meio de transporte do bairro percorre atualmente apenas o trecho entre o Largo da Carioca, no Centro, e a Praça Odylo Costa Neto, no Largo dos Guimarães. As obras de expansão do sistema, iniciadas em 2013 — dois anos após o acidente que matou seis pessoas — estão suspensas há pelo menos dois anos e não há previsão de retomada, por falta de recursos financeiros. A informação foi dada na última quarta-feira pelo presidente da Companhia Estadual de Engenharia, Transportes e Logística do Rio (Central), Rogério Azambuja, à CPI da Alerj, que investiga irregularidades nos transportes.

Azambuja afirmou aos integrantes da comissão que, para chegar ao Silvestre e comprar novos bondes para o sistema, seriam necessários R$ 100 milhões. Quando começou, a obra foi orçada em R$ 58,6 milhões. O presidente da Central disse ainda à CPI que dos dez quilômetros de trilhos que deveriam ter sido construídos em Santa Teresa, somente quatro foram finalizados. E também, das 14 composições previstas para o sistema, inicialmente, apenas cinco foram adquiridas, sendo que o público que utiliza o serviço só pode contar com três, já que os dois bondinhos ficam na reserva.

— Já não acredito mais que essas obras vão ser concluídas, pelo tempo que estão paradas. O morador mesmo já não utiliza o bondinho nem tem esperança de voltar a utilizar — reclamou a estudante Larissa Souza, de 25 anos, moradora do bairro.

Ouvido pela CPI dos Transportes em audiência no último dia 11, o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, afirmou que já solicitou ao governo federal recursos necessários para finalizar a implantação do sistema. Hoje, há cinco bondes em funcionamento, o que a secretaria considera compatível com o trecho em operação.

O presidente da CPI, Eliomar Coelho (PSOL), classifica como “desrespeitosa” a postura do estado em relação ao bonde de Santa Teresa.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE TRANSPORTES

"O sistema de Bondes de Santa Teresa é operado pela Central Logística, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Transportes, com intervalos de 20 minutos pela manhã e 15 minutos à tarde.A ampliação do trajeto é um pleito não só dos moradores e frequentadores de Santa Teresa, mas da própria Secretaria. Esse ano, por exemplo, houve a expansão do percurso até a Praça Odylo Costa Neto e o retorno da operação até a Rua Francisco Muratori. A Setrans tem planejamento, estudos e o desejo, mas ainda não detém os recursos para essa finalidade.

Já foram solicitados ao governo federal recursos necessários para finalizar a implantação do sistema (trechos: Largo dos Guimarães – Dois Irmãos; Dois Irmãos – Silvestre e Largo dos Guimarães – Largo das Neves) e realizar intervenções na rede aérea, na via permanente e na subestação, além da compra de bondes necessários para o novo modelo operação (hoje há cinco bondes em funcionamento - número compatível com o trecho em operação).

Enquanto novas expansões não são feitas, a Setrans está trabalhando diariamente para oferecer um serviço de qualidade à população.A via completa possui cerca de dez quilômetros de extensão e vai até a Estação Silvestre, próxima ao Corcovado.

Atualmente, o serviço é prestado em trecho reduzido de cerca de quatro quilômetros, até a Praça Odylo Costa Neto. No entanto, já atende cerca de 80% do número de passageiros transportados em 2010, oferecendo 74 viagens por dia, com 2.368 lugares e uma ocupação média de 44%.

O crescimento do número de passageiros no primeiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período desse ano foi de 40%, o que demonstra a aprovação do serviço pela população. Nos últimos 15 meses, foram transportadas 300 mil pessoas, sendo 25% gratuitas. A cada quatro passageiros transportados um é beneficiado por gratuidade (morador, idoso, estudante) e os recursos arrecadados com a tarifa são integralmente revertidos para a manutenção e as melhorias do sistema.

O valor da tarifa cobre as despesas com conta de luz, compra de equipamentos sobressalentes, troca de dormentes, material de segurança dos trabalhadores que atuam na oficina, uniformes dos funcionários. Tudo isso é auditado mensalmente e são gerados relatórios que estão à disposição de quem quiser consultá-los. 

Atualmente, há aproximadamente 3 mil moradores cadastrados para utilizarem gratuitamente o bonde. Esse procedimento pode ser feito a qualquer momento, na Estação Carioca do Bonde. Os interessados devem apresentar comprovante de residência, identidade e CPF (original e cópia)."

Autor(a): Geraldo Ribeiro e Pedro Zuazo
Fonte: Jornal O Globo
Colaborador(a): Felipe Martins

 

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