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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

...NA VIDA REAL SEMPRE TÊM INTERESSES EMBUTIDOS E PREÇOS COMBINADOS

A esquerda brasileira deve perseguir seus próprios objetivos, ao invés de botar azeitonas nas empadas alheias

A entrevista do ex-presidente Lula não trouxe novidades quanto ao que ele disse, uma mistura de mais do mesmo com o que era facílimo de se prever.  

Alguém duvidava, p. ex., que ele continuasse crendo ou tentando fazer-nos crer que esteve sempre certo e que a sucessão de derrotas acachapantes nesta segunda metade de década se deveu aos artifícios do inimigo insidioso e aos azares do destino cruel?! Então, sem nenhuma surpresa, voltamos a vê-lo fugindo da autocrítica (ponto de partida para a recuperação da credibilidade da esquerda)  como o diabo da cruz.

Surpreendentes foram as decisões favoráveis que Lula obteve no STF (sinal verde para a entrevista) e no STJ (redução de pena), bem como a enorme visibilidade que a Folha de S. Paulo lhe proporcionou. Como diria o Barão de Itararé, há qualquer coisa no ar além dos aviões de carreira.

Como essa gente nunca dá ponto sem nó, é de supor-se que uma parte da classe dominante esteja considerando a possibilidade de trocar de serviçal, já que Jair Bolsonaro conseguiu desconstruir seu governo em apenas quatro meses (deveria registrar seu recorde no Guinness!).

Colocaram-no onde está para fazer com que fossem aprovadas as reformas impopulares, micadas desde as tentativas fracassadas de Dilma e Temer, mas ele já mostra claramente que também não entregará a encomenda.

Qual a razão do fracasso anunciado? Uma mistura de incompetência (ela salta aos olhos e clama aos céus!) com inapetência (Bolsonaro sabe que os parlamentares o atrapalharão e retardarão os trâmites de tudo que é jeito e, se mesmo assim conseguir a façanha, ele se condenará a não ganhar mais eleição importante nenhuma pelo resto da vida).

Como os donos do Brasil de tolos não têm nada, já perceberam que Bolsonaro os continuará enrolando com suas patéticas cruzadas contra os moinhos de vento do marxismo cultural ao invés de cumprir o exigido por eles. Então, podem muito bem estar começando a rifá-lo, assim como desistiram da Dilma na virada de 2015 para 2016.

Ou, pelo menos, estes últimos movimentos equivalem a um alerta: você não é insubstituível nem o único trunfo de que dispomos, temos outras cartas na manga para atingir nossos objetivos.

Vale também atentarmos para o fato de que a periculosidade do Governo Bolsonaro diminuiu em muito. Emparedado pelo Congresso e pelo STF, ele não tem como radicalizar, pois as Forças Armadas já deram mostras eloquentes de que, nos dias de hoje, preferem manter distância de aventuras golpistas.

Têm como tomar o poder quando bem entenderem, mas sabem perfeitamente que não possuem soluções para a crise brasileira e, tentando descascar tal abacaxi, se veriam tão impotentes quanto no final da ditadura de 1964/85, quando precisaram bater em retirada por absoluta falta de ideias.

Bolsonaro, por sua vez, aparentemente ignorava o óbvio ululante de que os fardados, quando viram a mesa por aqui, é para colocarem generais no poder, não em benefício de capitães encrenqueiros.

Como este pequeno detalhe fez desabar o castelo de cartas dos bolsonaristas de raiz, a consequência está sendo a campanha de hostilização dos militares orquestrada pelo astrólogo da corte e implementada principalmente pelo príncipe pitbull, com o apoio nada discreto do rei de golden shower.

A frustração se deve a que estavam sonhando com um golpe puro sangue dado pelas hordas ultradireitistas sem consentimento da caserna, o que seria um absurdo em termos de correlação de forças e, portanto, não vai rolar.

Como tais energúmenos abominam o conhecimento sob todas as formas, certamente passavam batidos pelo fato de que, na década de 1930, os integralistas de Plínio Salgado nutriram as mesmíssimas ilusões e quebraram a cara da mesma forma como eles fatalmente vão quebrar.

Quanto ao nosso lado, não tem motivo nenhum para colocar azeitona na empada das facções inimigas que disputam o poder, procurando uma saída para a confusão que elas próprias criaram, ao bancarem o candidato mais inepto que já disputou uma eleição presidencial no Brasil.

As prioridades da esquerda brasileira continuam sendo a de reinventar-se e ir buscar de novo o apoio das massas, pois, para ser fiel à sua verdadeira missão, precisa ter força nas praças que são do povo como o céu é do condor, e não na Praça dos Três Poderes, todos eles voltados para a perpetuação das injustiças e desigualdades características do capitalismo. (por Celso Lungaretti)

Autor(a): Celso Lungaretti

 

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