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INTERAÇÃO / A PALAVRA É SUA

UMA TERRA SEM LEI
publicado em: 28/05/2018 por: Lou Micaldas

Não estamos só nas mãos dos caminhoneiros. Também dos milicianos, dos traficantes, dos mais de 200 ladrões do Congresso e de tantas outras facções criminosas espalhadas pelo país. Terra sem lei! Que país é este? É tudo consequência da falta de legitimidade dos nossos governos. Aqui no Rio, infelizmente nos três níveis de poder. Estamos totalmente desgovernados. O que estamos vivendo hoje é o fruto até aqui – nada que esteja ruim que não possa piorar - do estado de exceção democrática que vivemos desde o golpe legalista da ex presidente Dilma. Depois veio a intervenção militar no Rio. Será que teremos eleições?

O fato é que Temer nunca foi um presidente legítimo. Apesar da sua falta de poder e orçamento, continua gastando fortunas com propaganda. Pior do que isto, tirando recursos de projetos sociais já consolidados antes financiados pelas estatais, cujos recursos agora são integralmente deslocados para eventos de marketing, tudo em nome da “marca”. É de ficar muito indignado mesmo.

E, claro, cada um tira a sua “boquinha”, num pacto generalizado pela ineficiência. No início, a elite negava que havia sido um golpe, pregando tolerância em nome da responsabilidade fiscal. Mas depois de um tempo ficou tão óbvio o esquema que já ouvi numa mesa de bar: “foi golpe mesmo, mas fez um bem ao Brasil...”. Usando o jargão do mercado, ninguém “precificou” bem os riscos deste caos social que piora a cada dia. Enquanto isso, do outro lado da cidade, tem cada vez mais gente morrendo. O que fazer?

Será possível antecipar as eleições ou se implantar um governo tecnocrático até lá? Pelo menos agora, tendo passado tudo o que passamos e conhecendo melhor os políticos que temos, poderia haver a chance de uma renovação política em 2018. Chance, no entanto, cada vez mais remota, segundo os especialistas e pesquisas, principalmente por conta das regras eleitorais, especialmente a concentração do fundo partidário. E isto se não virarmos a Venezuela até lá. De novo... será que teremos mesmo eleições este ano?

O Rio é só um antecedente do que vai acontecer pelo Brasil afora. Por aqui, deu no que deu em parte porque a elite resolveu apostar num PMDB supostamente tecnocrático. A corrupção na cúpula foi se espraiando por toda a estrutura pública, do baixo escalão ao alto clero, os órgãos de fiscalização todos comprados. As raposas tomando conta do galinheiro, sejam nos tribunais de contas ou na polícia. A milícia e o tráfico se enfronhando cada vez mais na política. O corporativismo, claro, só se avolumando. Para melhorar a qualidade da gestão pública, temos que começar por melhorar os incentivos para que pessoas de espírito público entrem na política, não só em cargos técnicos, mas principalmente os eletivos, que têm o poder de fato da caneta. Não adianta técnicos competentes e ferramentas sofisticadas de smart cities com uma estrutura hierarquizada de poder sem instrumentos reais de governança pública.

E na prefeitura, o que fazer? Chegou o Crivella, o prefeito ausente, e piorou tudo que já estava perto do limbo. Estou iniciando um movimento pelo impeachment dele, ainda consultando advogados para ver as condições e trâmites de uma iniciativa popular neste sentido. Tem que ser antes de dois anos de mandato, acho, para que haja novas eleições, pois com a morte do vice, a linha de sucessão vai para a nossa péssima câmara dos vereadores. E não dá mais para esperar dois anos e meio de inoperância, a depreciação no setor público é rápida demais.

A política como fim e não como meio. Esta foi a crítica que o próprio secretário municipal de educação da prefeitura, nas suas redes sociais, fez à administração Crivella, especialmente ao secretário da casa civil, Paulo Messina. Ele virou o manda-chuva, abandonou o plano estratégico da prefeitura - obrigatório por lei e que Aspásia Camargo vinha conduzindo democraticamente - e fatiou os cargos para a corrida eleitoral. A mais velha política imperando na cidade supostamente mais progressista do Brasil. A cidade entregue às baratas, um desrespeito completo com a população. Fora Crivella!

Autor(a): Eduarda La Rocque
Fonte: http://www.jb.com.br/mirante-do-rio/noticias/2018/05/27/uma-terra-sem-lei/
Colaborador(a): José Ribeiro dos Santos

 

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