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A FORÇA DA COMUNICAÇÃO FAMILIAR
publicado em: 05/08/2019 por: Lou Micaldas

Muitos afirmam que seus filhos não lhes querem ouvir ou  não desejam lhes falar. E não falam, mesmo. Não “rola” nenhuma conversa. E agora??

Para começar, vamos lembrar que saber falar para ser ouvido requer uma disposição de acertar o tom. Não depende exclusivamente de se querer conversar, é preciso saber fazer a conversa acontecer. E tudo é, ainda, uma questão de quando começar a tentar: quanto mais cedo na relação com o filho, melhor.

Uma criança ou adolescente se sentirá estimulado a conversar, quando indagado sobre seus interesses e, em troca, ouvir um pouco sobre os de seus interlocutores. Com parcimônia, é claro. Mas atenção: essa troca tem que ter a espontaneidade e o tom adequados. O que isso quer dizer? Que não valem nem o tom solene nem a formalidade das conversas marcadas, ou dos debates agendados sobre este ou aquele assunto. Os temas podem e devem ser sutilmente trazidos à tona, durante uma conversação corriqueira da família.

Às vezes as tentativas de conversa  são desprovidas de interesse genuíno por parte dos adultos. O problema é que crianças e adolescentes percebem isso com facilidade e imediatamente fogem do diálogo. Se houver interesse verdadeiro, expressões do tipo “é mesmo?? Que interessante!!” surgirão espontaneamente e vão contribuir para a conversação evoluir mais e mais.

Aceitar dialogar com os pais é prova de confiança, mas a relação de confiança tem que existir previamente, ser construída através dos anos com amorosidade e respeito mútuos. Se existe confiança, os pais poderão procurar saber o que se passa com a geração deles, os filhos, fazendo-lhes perguntas. Além de estreitar os vínculos, é uma ótima chance de tentar entender as diferentes propostas das novas gerações.

Mas para tudo isso evoluir bem, um cuidado é fundamental: esquecer as críticas destrutivas. Talvez o mais importante para se conquistar a confiança dos filhos ao longo dos anos, seja banir os comentários sarcásticos ou ásperos. Nada mais certeiro, inclusive, para afastá-los de vez, já que sem dúvida se sentirão diminuídos e humilhados, raivosos e incapazes. Crianças demolidas por anos a fio por comentários que, para os adultos, era só “brincadeira”, tem grandes chances de se tornarem adultos frustrados e infelizes.

Por seu lado, os adultos, além de sempre ter em mente a perspectiva educacional e a ideia de que são as referencias mais importantes para seus filhos, precisam aprender ainda a ser bons observadores, para ajudar seus filhos no aprendizado do “gerenciamento” das emoções. Assim terão mais chances de fazer boas intervenções, quando for necessário.

Por serem as referências que mais contam para os filhos, os pais devem evitar usar na presença deles qualquer expressão de linguagem que julguem imprópria para o convívio social. Em determinadas famílias, a tolerância  ao uso de palavrões e expressões chulas é tida como uma “liberalidade”. Faria parte de um certo pacote de modernidades adotadas na criação dos filhos. É bom lembrar a esses “liberais” que, com o tempo e  naturalmente, os filhos incorporarão essa mesma linguagem. Eventualmente, vão se sentir à vontade para dirigir-se a todos,  inclusive aos pais, de maneira grosseira.

Não são muitos os espaços onde os jovens podem aprender a pensar com autonomia, tendo ao mesmo tempo a noção de que as pessoas pensam de forma diferente umas das outras. A família é um deles. Para exercitar esta capacidade, os adultos podem fazer aos filhos  perguntas que tragam à tona pontos de vista diferentes. Assim terão a oportunidade de mostrar que, com frequência, não existe apenas uma resposta correta. Aos adolescentes, ajudará bastante ter essa noção, já que o radicalismo pode ser o tom que mais predomina nesta fase da vida. Aprender a flexibilizar é parte do amadurecimento e da evolução da adolescência para a vida adulta. Saber que existe mais de uma verdade é um bom e simples começo.

O desenvolvimento da capacidade de argumentação é fundamental para a vida e para se ter um pensamento autônomo. Estimula o raciocínio e o pensamento lógico, além de acostumar alguém sempre a pensar e, consequentemente, a evoluir. Hoje, quando vivemos sob constante manipulação, exercer a autonomia de pensar está se tornando uma raridade. E é por isso que deve ser estimulada em casa. Ao se tornarem adultos, nossos jovens vão necessitar ter opiniões fundamentadas. Afinal, não queremos vê-los abraçando a tendência simplista tão difundida do “acho porque acho, quero porque quero. E daí??”.

Outro ponto básico na comunicação com os filhos passa pela não aceitação das respostas evasivas e ambíguas. Se aceitarmos os “eu não sei” que vem dos filhos como resposta, estaremos estimulando a inércia, a acomodação e a preguiça de pensar. Se os jovens não forem estimulados, não vão saber de muitas coisas. É preciso dizer a eles que não precisam saber, mas que devem pensar a respeito. É muito positivo quando os adultos ensinam os jovens a especular, a tentar adivinhar. É um tipo de atitude que vai estimulá-los a se darem conta de suas próprias percepções e a darem valor a elas, e isso terá um valor inestimável. A massificação na cultura e na comunicação em geral vem fazendo com que as pessoas não se detenham sobre o que estão percebendo: tudo passa muito rapidamente, quase sem deixar vestígios.

Um dos maiores aprendizados é passar a confiar naquilo que percebemos e que depois nos retorna como nossa intuição: pela singularidade das percepções de cada um de nós, é algo precioso!!

Saber que existe mais de uma versão, dar-se conta da própria percepção, entender que ela pode agregar e utilizá-la bem: a cadeia do pensamento e da capacidade cognitiva está completa. E tudo se passou da forma mais simples, ou seja, o cuidado na comunicação no espaço privado familiar.

Autor(a): Simone Sotto Mayor
Fonte: www.simonesottomayor.com.br/

 

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