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A GUERRA DOS SEXOS PELA TEMPERATURA
publicado em: 29/07/2019 por: Lou Micaldas

No trabalho, homens preferem ambientes mais frios. Mulheres, mais calor. Um estudo mostra que a temperatura afeta a produtividade

Quem já trabalhou em escritório sabe que todos os dias se desenvolve uma batalha silenciosa pela temperatura. Homens querem mais frio. Mulheres querem mais calor. A temperatura no ambiente em geral acaba refletindo, mais ou menos, o resultado de muita reclamação dos dois lados.

Pode parecer uma questão menor do dia a dia, mas essa discussão sobre a temperatura ideal é importante para a produtividade da equipe, indica um curioso estudo recente de dois economistas, Tom Chang (Marshall School of Business) e Agne Kajackaite (Berlin Social ScienceCenter), publicado no Plos One Journal.

Existe muita controvérsia sobre qual temperatura agrada mais aos gêneros. No ano passado, por exemplo, o staff da atriz (da série Sex and theCity) e candidata às prévias democratas Cynthia Nixon acusou um canal de TV de sexismo por seguir a exigência do governador de Nova York, Andrew Cuomo, e deixar o ambiente frio demais para ela em um debate.

Mas será que essa discussão faz sentido? Chang e Kajackaite reuniram 543 estudantes alemães para uma série de experimentos, realizados em um ambiente entre 16°C e 32°C. Em cada sessão, os participantes receberam o mesmo pacote de tarefas cognitivas, de matemática e de vocabulário, que deviam cumprir em troca de uma pequena quantia. Enquanto os testes aconteciam, os pesquisadores subiam a temperatura.

Nas temperaturas mais baixas, as mulheres tiveram mais dificuldade com as respostas, errando mais e reagindo de forma mais negativa ao frio.

Mas então a temperatura começou a subir, e as mulheres aumentaram em 1,76% o número de respostas certas a cada grau. Já a produtividade masculina, que vinha sendo maior, sofreu de repente um abalo, caindo 0,63% a cada grau. Nas tarefas verbais, um grau a mais na temperatura ambiente foi acompanhado de um aumento de 1% na produtividade feminina. Mas as respostas certas dos homens diminuíram 0,6%.

Só nos testes cognitivos não houve mudança. Esse resultado é intrigante, dada a ampla bibliografia que relaciona temperatura e comportamentos violentos. Os pesquisadores especulam que talvez os efeitos levem mais tempo para se manifestar do que nos testes práticos.

O resultado se alinha com os de alguns trabalhos anteriores. Em artigo de 2015, publicado na revista Nature, Boris Kingma e Wouter van Marken Lichtenbelt, por exemplo, sugerem que prédios de escritórios são mais frios porque foram projetados como ambientes de trabalho masculinos. As mulheres, tendo chegado décadas depois, apenas se adaptaram à tradição — e ao frio —, apesar do metabolismo diferente.

Mas se a discussão até agora era sobre conforto, o estudo de Chang e Kajackaite sugere que a batalha do termostato é sobre resultados. Com homens e mulheres dividindo o mesmo espaço, uma temperatura bem mais alta ou mais baixa prejudica o trabalho de um ou outro grupo. Para que homens e mulheres sejam igualmente produtivos, as empresas deveriam buscar uma temperatura confortável para ambos.

Mas quanto?

Em todos os experimentos, os 25°C foram um ponto de equilíbrio. É, segundo esse e alguns outros estudos, a temperatura ideal.

Autor(a): Sandy Dana
Fonte: Jornal O Globo
Colaborador(a): Neide Fonseca

 

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