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FALTA ENSINAR O AUTISTA A LIDAR COM A VIDA
publicado em: 30/07/2018 por: Lou Micaldas

Zoóloga com autismo diz como se tornou referência em tratamento de gado

Pesquisadora, zoóloga e professora de Ciência Animal na Universidade de Colorado, nos EUA, a americana Temple Grandin é referência em técnicas de tratamento do gado. Temple, 70 anos, tem autismo. E foi a sua condição que a ajudou a desenvolver mecanismos de relacionamento com os animais, abrindo espaço para estudos que passaram a ser amplamente usados no mundo. 

Em entrevista ao GLOBO, ela explica que, por ser uma “pensadora visual”, que raciocina por meio de imagens, conseguiu enxergar o que o gado vê enquanto se movimenta no pasto. “O gado tem uma visão panorâmica, com um ângulo bastante amplo, e com isso eles conseguem perceber tudo à volta.” Autora de 11 livros sobre autismo e sete sobre animais, alguns traduzidos em português, ela também virou filme, “Temple Grandin”, lançado em 2010 e protagonizado por Claire Danes.

A senhora é frequentemente descrita como a “mais bem-sucedida pessoa autista do mundo”. Concorda com esse rótulo?

Existem outras pessoas não diagnosticadas com autismo e muito bem-sucedidas. Por exemplo, o Einstein só falou com três anos — e hoje teria sido diagnosticado com autismo. Existe um espectro amplo, que vai desde os de alta funcionalidade, como músicos e cientistas, até artistas que nem conseguem desenvolver a linguagem. Quando eu tinha três anos eu ainda não falava, mas fui para um programa educacional muito bom. É importante ter o diagnóstico e ensinar essas crianças.

Como o ensino para autistas pode melhorar?

Muitos dos programas fazem um excelente trabalho — ao ensinar essas crianças a falar, por exemplo. Mas ainda falta um pouco no ensino de como lidar com a vida, dirigir, fazer compras... E também algumas habilidades profissionais, para que essas pessoas possam ter sucesso na vida. Alguns não têm problema com a fala, mas não têm habilidades sociais. Talvez alguns sejam programadores e cientistas. Eu sempre digo para os pais e para os professores: “encontrem aquilo que a criança sabe fazer e tente desenvolver essa habilidade”. Às vezes é arte, às vezes, matemática, às vezes, música.

O que é mais essencial para um abatedouro, em termos visuais?

O gado sempre nota os pequenos detalhes. Uma vez eu visitei um abatedouro e tinha um pedaço de papel toalha voando. Quando eu o removi, o gado entrou. Às vezes é um feixe de luz solar no chão. Se você tampar, ele se movimenta. Outra coisa muito importante é a manutenção dos equipamentos usados para atordoamento dos animais. A administração é muito importante. Os gestores daquele abatedouro têm que estar preocupados em fazer as coisas do jeito correto e em supervisionar o trabalho dos funcionários.

As pessoas se importam mais hoje com o bem-estar animal do que quando a senhora começou a falar a respeito?

Sim, com certeza. Uma pesquisa recente nos EUA mostrou que esse é um dos principais temas atuais.

A senhora tem algum conselho para uma pessoa que descobriu que tem autismo depois da idade adulta?

Quando pessoas são diagnosticadas mais tarde, isso ajuda na compreensão de por que certas coisas não deram certo no passado. Um casamento, por exemplo. Com certeza pode dar insights do que melhorar dali pra frente. O importante para crianças ou adultos diagnosticados tardiamente é descobrir no que ele é bom e desenvolver aquela habilidade.

Fonte: blogs.oglobo.globo.com/to-dentro/post/zoologa-com-autismo-diz-como-se-tornou-referencia-em-tratamento-de-gado.html
Colaborador(a): Roberto Ferreira da Silva

 

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