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Apoio à Lava-Jato no Rio une grupos que estavam em lados opostos no impeachment de Dilma

RIO - Empunhada por Caetano Veloso, por outros artistas e pelo juiz federal Marcelo Bretas, a faixa de apoio ao magistrado fluminense, exibida no ato de desagravo a Bretas e de crítica ao ministro Gilmar Mendes, do STF, chamou a atenção por um detalhe sem relação com os debates jurídicos: o uso errado da vírgula, separando sujeito do verbo na frase "O Rio, está com você" (sic).

O escorregão gramatical rendeu comentários irônicos na internet desde a última quinta-feira. Entre artistas, políticos, juízes, procuradores e movimentos sociais presentes ao ato, ninguém assume a autoria do tropeço. Participantes do evento contaram que os dizeres foram levados pelo movimento Vem Pra Rua, que ajudou a promover o desagravo junto da Associação de Juízes Federais (Ajufe) e da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). O Vem Pra Rua tira a vírgula equivocada de seu colo.

- Não era nossa a faixa. Nós levamos duas faixas, uma bem maior, que por ser muito grande não foi usada para a foto, e outra menor ("Precisamos de mais Moros e Bretas e menos Toffolis e Gilmars"). Mas, como tinha o nome do Gilmar Mendes, assessores da Justiça Federal pediram para ela não ser usada na foto, porque o Bretas estaria ali também. Algum cidadão levou essa faixa, que acabou indo para a foto. Na hora ninguém reparou nem comentou a vírgula - explica Adriana Balthazar, coordenadora do Vem Pra Rua no Rio.

O grupo de artistas (além de Caetano, estavam Paula Lavigne, Lucinha Lins, Christiane Torloni, Marcelo Serrado, Paula Burlamaqui, Thiago Lacerda, entre outros) havia levado uma faixa com os dizeres "Bretas, tamo junto", que foi substituída na hora do registro dos fotógrafos.

Além dos juízes e procuradores, estavam presentes políticos da Rede (o senador Randolfe Rodrigues e o deputado Alessandro Molon) e do PSOL (os deputados estaduais Marcelo Freixo e Eliomar Coelho). O desagravo a Bretas acabou unindo grupos que estavam em lados opostos na conjuntura política brasileira há pouco mais de um ano. Caetano Veloso, Paula Lavigne, Randolfe, Molon e o PSOL foram contra, por exemplo, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, enquanto o Vem Pra Rua foi um dos movimentos que organizaram as manifestações de rua que pressionaram pelo afastamento da petista.

No apoio às ações da Lava-Jato no Rio, todos se posicionaram junto do juiz Marcelo Bretas, numa convergência pontual no Rio.

- Queria muito ver se eles estariam num ato de apoio ao Moro em Curitiba. Duvido. Mas aqui no Rio tem essa convergência, que bom - ironizou um dos integrantes do Vem Pra Rua. - Convidamos todos eles a irem pras ruas com a gente no domingo - completou, em referência aos atos "Contra a Impunidade e Pela Renovação" que o Vem Pra Rua está convocando em todos o país para este domingo.

Autor(a): Miguel Caballero
Fonte: Jornal O Globo
Colaborador(a): Ana Carolina

 

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