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INFORMAÇÃO / ARTIGOS

O BRASIL PODE DAR CERTO
publicado em: 03/07/2018 por: Lou Micaldas

Programa criado por Covas chega aos 20 anos com índice próximo de 100% de aprovação

Impressiona-me o crescente espaço destinado à informação negativa. A autoestima do brasileiro está lá em baixo. Nós, jornalistas e formadores de opinião, contribuímos com essa visão sombria quando ficamos reféns de pautas superficiais. A vida é feita de luzes e sombras. É preciso mostrar as chagas. Mas também é necessário iluminar a cena.

Que Brasil estamos ofertando para as gerações que nos sucedem? Os problemas estão gritando na nossa frente: corrupção, crise econômica e perigosa agonia da política. Mas o pior legado, de longe, é a morte da esperança. O jornalismo de catástrofe é o grande propagador das fake news. Mostra um país em lá menor e oculta o Brasil que madruga, trabalha, empreende e dá certo.

É preciso recuperar o equilíbrio entre a informação de denúncia, urgente e necessária, e o jornalismo construtivo. É o que farei neste breve comentário. Vou focar num serviço público de qualidade: o Poupatempo.

O Programa Poupatempo, criado em 1997 pelo então governador Mário Covas para facilitar a vida dos cidadãos, completou 20 anos com índice próximo de 100% de aprovação dos usuários (98,3% de ótimo e bom na última pesquisa anual divulgada em março deste ano). Das 72 unidades, 24% tiveram 100% de ótimo e bom e 20 tiveram 99%.

Desde a sua fundação, o Poupatempo prestou mais de 580 milhões de serviços; o número é mais do que o dobro da população total do Brasil e 12 vezes a do estado de São Paulo. Este ano, o Poupatempo foi eleito pelo quarto ano consecutivo o “Melhor Serviço Público de SP" pelo instituto Datafolha.

Ao completar duas décadas, o Programa Poupatempo passa por uma verdadeira revolução tecnológica, buscando o caminho trilhado pelos bancos brasileiros, ou seja, criando canais eletrônicos de atendimento que deem mais comodidade a quem necessita dos serviços, dispensando o cidadão da necessidade de deslocamentos.

Um levantamento feito pelo Instituto de Identificação da Polícia Civil de São Paulo, a pedido do Poupatempo, mostra que 504 idosos com mais de cem anos renovaram o RG nos últimos dois anos nos postos Poupatempo. Em 2015, uma cidadã de 115 anos esteve no Poupatempo Pindamonhangaba para renovar o RG aos 115 anos. Maria Benedita Pereira da Silva, conhecida em Aparecida como dona Dita, nasceu no dia 9 de agosto de 1900 e acompanhou ao longo da vida uma virada de milênio, duas guerras mundiais e oito trocas de moedas brasileiras.

É isso, amigo leitor. O Brasil do corporativismo, da impunidade do dinheiro e da força do sobrenome vai, aos poucos, abrindo espaço para a cultura do trabalho, da competência e do talento.

Neste Brasil sacudido por uma tremenda crise ética, alimentada pelo cinismo e pela mentira dos que deveriam dar exemplo de integridade, há, felizmente, uma ampla classe média sintonizada com valores e princípios que podem fazer a diferença. E nós, jornalistas, devemos escrever para a classe média. Nela reside o alicerce da estabilidade democrática. O que segura o Brasil é o cidadão comum. É o trabalho honrado e competente. É o empreendedorismo que consegue superar o terreno minado pela incompetência. É o empresário que toca o negócio e não dá propina. Sou otimista. Apesar de tudo.

Autor(a): Carlos Alberto Di Franco é jornalista
Fonte: oglobo.globo.com/opiniao/o-brasil-pode-dar-certo-22837574
Colaborador(a): Ricardo Pereira de Sá

 

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