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VAMOS AJUDAR O PROCURADOR A SAIR DO MISERÊ?
publicado em: 16/09/2019 por: Lou Micaldas

"Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil?", perguntou Leonardo Azeredo dos Santos.
E não apareceu mais no gabinete. | Reprodução

Não é sempre que o país se comove com o apelo sincero de um procurador da Justiça. Leonardo Azeredo dos Santos, do Ministério Público de Minas Gerais, conseguiu essa façanha. Foi gravado quando os procuradores discutiam orçamento para 2020. Ameaça virar mendigo se continuar com o salário “miserê” de R$ 24 mil líquidos. Tem mulher e filho. De janeiro a julho, juntando os penduricalhos, ganhou R$ 560 mil.

Sugiro ao prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, um movimento para interditar os contracheques dos procuradores mineiros, por obscenidade e atentado ao pudor. Nenhuma criança pode ver esses valores ou escutar o áudio de Leonardo, porque atentam contra a dignidade de um Brasil com 13 milhões de desempregados. Podem causar um mal indelével à educação e à infância, estimulando a falta de empatia e o senso de irrealidade.

Daqui a pouco Leonardo vai criar o “Procurador Esperança”. Vamos doar qualquer real a esse brasileirinho, marido e pai, gente como a gente. Afinal, a culpa é nossa porque somos nós, contribuintes, que pagamos o miserê do funcionário público. Peço a todos que guardem esse texto e escutem a voz embargada de Leonardo. Reparem em seu desespero, fiquem condoídos.

“Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil? Eu já estou baixando meu padrão de vida bruscamente, mas vou sobreviver. E não é porque eu sou perdulário, não. É para manter o meu patrimônio. O patrimônio que eu conquistei ao longo de 28 anos de carreira. Eu sou perdulário porque pago R$ 4,5 mil de condomínio e IPTU por mês...Eu, infelizmente, não tenho origem humilde. Eu não sou acostumado com tanta, com tanta... limitação”.

“Eu quero saber se nós, ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se Vossa Excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua criatividade, pra melhorar nossa situação. Ou se nós vamos ficar nesse...nessa...nesse ‘miserê’ aí. Eu já tô fazendo a minha parte. Tô deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito. Tô passando a gastar R$ 8 mil. Agora, eu e vários outros já estamos vivendo à base de comprimido, à base de antidepressivo. Alguma coisa tem que ser feita. Nós vamos virar pedinte (sic), quase? Será que eu tô pedindo muito para o cargo que eu ocupo?”

O procurador geral da Justiça de MG, Antônio Sérgio Tonet, disse que Leonardo tem uma opinião “divorciada” dos demais membros do MPMG e não representa o sentimento da classe. Não basta, Tonet. Agora que ele apelou para “sua criatividade”, corte os penduricalhos dos procuradores. Leonardo sumiu do gabinete e está de “licença médica”. Espero que não tenha aumentado a dose de antidepressivo. Não se sabe por quanto tempo ficará afastado. Viajará para o exterior, talvez.

O doutor procurador sabe o que é “miserê”? Quem ganha menos de US$ 5,50 por dia (hoje R$ 670 por mês) está abaixo da linha da pobreza, segundo o IBGE e o Banco Mundial. São 55 milhões de brasileiros. Muitos catam lixo e comem comida descartada de porcos, não têm banheiro, vivem em barracos, palafitas, passam fome, não têm acesso a nenhum serviço.

Miséria é isso. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, só perde para o Qatar, emirado árabe absolutista. Desigualdade brasileira bateu recorde: 40% dos mais pobres têm renda média mensal de R$ 376 e 1% recebe por mês R$ 106,3 mil em média. Número também é cultura. Leia de novo antes que se instale a censura.

Autor(a): Ruth de Aquino
Fonte: O Globo

 

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