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LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

CHARLES CHAPLIN
publicado em: 08/02/2017 por: Lou Micaldas

"Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, de afeição e doçura.
Sem essas virtudes, a vida será de violência
e tudo será perdido."
 

Biografia
Charles Spencer Chaplin nasceu no dia 16 de abril de 1889, às 20 horas, em um subúrbio de Londres. Sua mãe, Lili Harley, era atriz de comédia. Seu pai, também artista do music-hall, abandonou a família quando Charles ainda era pequeno. Um grave problema de laringite acabou com a carreira da jovem Lili Harley, obrigando Charles Chaplin a debutar artisticamente com apenas cinco anos de idade.

O teatro, muito frequentado por soldados, não era propriamente um local "seletivo", mas foi onde o pequeno Chaplin pôde demonstrar pela primeira vez o seu grande talento para a interpretação.

Os primeiros anos da vida de Chaplin foram passdos em orfanatos. Foi exatamente neles onde Chaplin encontrou todos os elementos que utilizaria, mais tarde, nos roteiros dos filmes que dirigiu e interpretou. Essa primeira etapa da sua vida não tinha o humor, nem a ironia com a qual o cineasta sensibilizou o público do mundo inteiro. Felizmente, Chaplin acabou construindo a sua vida com a única coisa positiva que poderia ter herdado da sua família: a paixão pelo teatro. Graças a seu pai, comemorou o seu oitavo aniversário, contratado por uma companhia de bailarinos chamada Eight Lancashire Lads. Pouco depois, a morte de seu pai e a internação da sua mãe em um sanatório marcariam a vida de Chaplin profundamente.

Nessa época assinou seu primeiro contrato estável como ator, interpretando um mensageiro em uma versão de Sherlock Holmes, melhorando sua situação financeira. Nesse mesmo ano conseguiu um emprego no Circo Casey, onde pôde desenvolver as suas habilidades cômicas.

Já na primeira apresentação, conseguiu arrancar sonoras gargalhadas do público pela maneira desesperada com a qual recolhia as moedas atiradas à arena.

O adolescente Chaplin conseguiu um lugar na companhia do acrobata Fred Karno, apresentado por seu irmão Sidney. Karno, que fazia sucesso com espetáculos de mímica, chegou a ter cinco companhias, apresentando-se em todas simultaneamente. Chaplin rapidamente superou o artista Harry Weldon, com quem dividia o número e, em 1909, teve a sua primeira temporada em Paris.

"Se tivesse acreditado na minha brincadeira
de dizer verdades, teria ouvido verdades que
teimo em dizer brincando; falei muitas vezes como um palhaço, mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria."

Chegando em Paris, conheceu os favores das prostitutas, e a cidade onde os irmãos Lumiére, George Méliés e Max Linder fizeram nascer a magia do cinematógrafo. Anos mais tarde, Max Linder diria: "Chaplin teve a gentileza de me confessar que os meus filmes o levaram a fazer os seus próprios filmes. Chamou-me de mestre, mas fui eu que tive o prazer de aprender com ele". Naquela época, o mundo das imagens animadas ainda lutava para conseguir uma linguagem própria e um reconhecimento social.

Depois de outra turnê pelo norte da Inglaterra, Karno ascendeu Chaplin a primeiro ator das representações que a companhia faria nos Estados Unidos, em 1910. Toronto e Nova Iorque foram as primeiras paradas desta turnê, antes de prosseguir para o oeste. A Broadway não assimilou o humor inglês, mas Chaplin chamou a atenção de alguns jornais e de um jovem espectador, que nessa época trabalhava para o cinema; era Mack Sennett, que voltaria a encontrar Chaplin dois anos mais tarde, em uma nova turnê pelos Estados Unidos.

Enquanto estava na Filadélfia, em 1913, Chaplin recebeu um telegrama pedindo-lhe que fosse até um escritório no centro da Broadway. Ali funcionava a sede da Keystone Comedy Film Company, onde lhe ofereceram um salário de 150 dólares para que fizesse três filmes por semana. Depois de algumas negociações, Chaplin acabou aceitando o trabalho e, ao chegar em Los Angeles, reencontrou Mack Sennett, que seria seu novo chefe.

"A beleza é a única coisa preciosa na vida.
É difícil encontrá-la.
Mas quem consegue, descobre tudo."

Chaplin dividiu camarim com estrelas da casa, como Ford Sterling, Roscoe Arbuckle e Mabel Normand. No início, Chaplin teve que se adaptar ao estilo de Sennett, com perseguições policiais e exibições de insinuantes banhistas. Seu primeiro filme, estreado em fevereiro de 1914, mostrava as aventuras de um personagem cômico na redação de um jornal. Em seu segundo filme, "Corrida de Automóveis para Meninos" (1914), criou um personagem que logo seria identificado pelo público. Sennett pediu-lhe que se vestisse de maneira engraçada.

"Pensei que poderia usar umas calças muito grandes e uns sapatos enormes, além de uma bengala e um chapéu coco. Queria que tudo fosse contraditório: as calças folgadas, o paletó apertado, o chapéu pequeno e os sapatos enormes. Não sabia se deveria parecer velho ou jovem, mas quando me lembrei que Sennett tinha pensado que eu era bem mais velho, coloquei um bigodinho que me daria alguns anos sem esconder a minha expressão". Assim nasceu o famoso "Tramp" (que os povos dos países de idioma espanhol passaram a chamar de "Carlitos").

As disputas com outros diretores e a ambição dificultaram sua relação com a Keystone, depois de ter filmado 35 longas-metragens em apenas um ano. Não foi difícil conseguir, em 1915, um contrato com a Essanay, a produtora que tinha por estrela principal Gilbert M. Anderson, o famoso Bronco Billy dos primeiros filmes western. A partir desse contrato, Chaplin começou a ganhar 1.250 dólares por semana e uma bonificação extra de 10.000 dólares, com a qual formou uma equipe bastante competente, consolidando uma técnica e um estilo próprios.

Insatisfeito com os estúdios da Essanay em Chicago e em São Francisco, instalou-se em Los Angeles. Desde o primeiro dos quinze filmes que realizou para essa produtora, teve a colaboração de Rollie Totheroth, seu fiel câmera durante sua carreira nos Estados Unidos.

Contratou Edna Purviance como primeira atriz dos filmes que realizaria nos próximos quinze anos. Logo após ter começado a dirigir, percebeu "que o posicionamento da câmera não era apenas uma questão psicológica, mas também constituía a articulação da cena; na verdade, era a base do estilo cinematográfico". O sucesso de Chaplin foi consolidado pelo contrato com a Mutual, em 1916. Em troca de 10.000 dólares semanais e de uma bonificação inicial de 150.000 dólares, Chaplin comprometeu-se a entregar doze curtas-metragens de duas bobinas, dentre os quais estão algumas das suas primeiras obras-primas: "No Armazém" (1916), "Rua da paz" (1917), "O balneário" (1917), "O Emigrante" (1917). A produtora colocou um novo estúdio à sua disposição, o Lone Star, e o cineasta pôde trabalhar com liberdade, rodeado por uma equipe de fiéis colaboradores como os atores Eric Campbell, Henry Bergman, Albert Austin e Edna Purviance.

A respeito de seu envolvimento com Edna Purviance, o próprio Chaplin reconheceu na sua autobiografia: "Como Balzac, que achava que uma noite dedicada ao sexo significava a perda de uma página de algum dos seus romances, eu também achava que seria perder um ótimo dia de trabalho nos estúdios".

Quando os Estados Unidos decidiram entrar na Primeira Guerra Mundial, em 1917, Chaplin utilizou a sua popularidade para vender bônus de guerra com Mary Pickford e Douglas Fairbanks.

Dessa experiência surgiram dois filmes: "The Bond" e "Nas Trincheiras" (1918), uma paródia do exército. Apesar do compromisso com a Cia.

First National, o cineasta se uniu a Fairbanks, Pickford e ao realizador David Grifith para criarem juntos a companhia United Artists. A primeira intenção era romper o monopólio de Hollywood, mas Chaplin só pôde começar a dedicar-se à United Artists depois de rodar nove filmes que havia prometido à First National.

Entre eles, rodou "Vida de Cachorro" (1918), "Os Clássicos Vadios" (1921), "O Peregrino" (1923) e "O Garoto" (1921). Essa obra-prima de seis rolos contou com a participação do pequeno Jackie Coogan e teve que ser montada longe do domínio dos diretores do estúdio. Nessa mesma época, Chaplin, que já era um cineasta, casou-se com a atriz Mildred Harris, em outubro de 1918, quando ela tinha apenas dezessete anos, tiveram um filho que morreu logo depois de ter nascido, e o casamento durou pouco.

Em setembro de 1921, oito anos depois da sua chegada aos Estados Unidos e quando ainda não tinha concluído o seu contrato com a First National, Chaplin decidiu viajar à Europa. A sua passagem por Paris e Londres foi memorável.

Durante essa viagem, conheceu várias personalidades do mundo da cultura e escreveu um livro, "My Trip Abroad", baseado nessa experiência.

As Mulheres e o Cinema
Edna Purviance deveria ter interpretado o papel de Josefina no filme sobre o imperador francês, mas, nesse momento, outras mulheres surgiram na vida de Chaplin. A primeira foi a sua própria mãe, que se mudou de Londres para uma casa na costa da Califórnia, onde o seu filho a instalou sob os cuidados de uma enfermeira.
Nessa casa, a velha atriz assistiu com grande orgulho todos os filmes de Chaplin, até morrer, em 1928, durante a filmagem de "O Circo", filme com que Chaplin ganhou o seu primeiro Oscar.

A segunda destas mulheres, com a qual Chaplin teve uma relação muito agitada foi Peggy Hopkins Joyce, dona de uma conta bancária de três milhões de dólares. Ela contava histórias sobre as suas relações sentimentais, como a de um jovem que se suicidou por sua causa em Paris.

Chaplin não deixou nenhuma dessas histórias escapar e inspirou-se nelas para o filme "A Opinião Pública" (1923), sua estréia definitiva na United Artists, que curiosamente não contou com a presença do “Tramp”.

Chaplin também tinha conhecido Pola Negri, quando a atriz alemã estreou em Hollywood. A relação de Pola Negri com Chaplin foi um escândalo alimentado pela imprensa sensacionalista, com manchetes que anunciavam um casamento que nunca chegou a ocorrer.

A aventura foi rapidamente superada pela chegada de uma jovem admiradora mexicana, que vestiu o pijama de Chaplin, meteu-se na sua cama e depois tentou envenenar-se diante da porta da sua casa.

Porém Chaplin acabou sucumbindo aos encantos de Lita Grey. Lita, ainda adolescente, conseguiu ser escolhida para protagonizar a primeira comédia de Chaplin para a United Artists, o longa-metragem "Em Busca do Ouro" (1925). Durante as filmagens, Lita demonstrou sintomas de gravidez, e o cineasta, que sabia que manter relações sexuais com uma menor era um delito, resolveu casar-se rapidamente com ela. Em junho de 1925, nasceu Charles Chaplin Jr. e, nove meses mais tarde, o segundo filho, Sidney Earle. Mas a relação entre o casal deteriorou-se e o divórcio foi anunciado em agosto de 1927.

Nas suas memórias, Chaplin guarda um prudente silêncio sobre esse casamento, alegando que “como temos dois filhos que amo muito, não entrarei em detalhes”.
A única satisfação desse casamento infeliz foi a substituição da sua esposa por Geórgia Hale como protagonista de "Em Busca do Ouro".

Durante as filmagens, Chaplin conheceu a atriz Marion Davies, amante do magnata William Randolph Hearst e anfitriã de festas memoráveis na sua mansão de San Simeón.

Um outro importante produtor que esteve em contato com Chaplin foi Josef Von Sernberg. Ele produziu um filme intitulado "The Seagull", baseado em um relato do próprio Chaplin sobre os pescadores da costa californiana.

Edna Purviance e Eve Sothern eram as protagonistas, mas o produtor ficou insatisfeito com o resultado, retirando o filme de circulação e destruindo-o antes de ter estreado.
Chaplin dirigia, depois, "O Circo", mas a liberdade de que tinha gozo até então parecia estar com os dias contados. Em 1927, enquanto Chaplin recebia o cientista Albert Einstein na sua mansão e emprestava a sua quadra de tênis para o produtor soviético Serguei Eisenstein relaxar, o produtor Joseph M. Schenk assumiu a presidência da United Artists.

O maior problema foi a aparição do cinema sonoro. A partir da estréia do filme "O cantor de Jazz", em outubro de 1927, o cinema começou a incorporar o som.
Chaplin começou as filmagens de "Luzes da Cidade" (1928) e percebeu que o cinema mudo tinha seus dias contados. Apesar disso, não admitia que o “Tramp” falasse e, depois de interromper as filmagens por algumas semanas, decidiu tomar partido por seu personagem e opor-se totalmente ao cinema sonoro.

Em uma entrevista para a revista "Motion Pictures Herald", declarou: “Detesto os talkies. Eles chegaram para destruir a arte mais antiga do mundo, a arte da mímica. Derrubam o edifício atual do cinema. A beleza plástica continua sendo a coisa mais importante do cinema. O cinema é uma arte pictórica”.

Ao contrário de Eisenstein, que conseguiu adaptar o som à sua revolucionária concepção de montagem, a partir do "Manifesto do Contraponto Orquestral", de 1930, Chaplin foi ainda mais reacionário.

Ao retomar as filmagens de "As Luzes da Cidade", decidiu que o seu filme incorporaria uma partitura sonora que ele mesmo compôs, baseada na popular "La violetera", mas vetou o uso da palavra. Só uma pessoa com tanto poder em Hollywood, como ele, poderia ter tomado uma decisão tão radical; alugou uma sala de exibição em Nova Iorque, com mais de mil lugares, onde exibiu o filme durante doze semanas.

Anos Turbulentos
A estréia de "Luzes da Cidade", em Londres, foi o pretexto para uma outra viagem à Europa.

Dentre as personalidades públicas, políticas e culturais com as quais entrou em contato, estavam Winston Churchill, Mahatma Gandhi, John Maynard Keynes, George Bernard Shaw, H. G. Wells, Aristide Briand, a condessa de Noailles, além de alguns membros da realeza.

Chaplin era uma celebridade mundial e era também uma personalidade pública que nunca escondeu sua simpatia pelo socialismo e pela defesa das classes oprimidas.

Somerset Maugham escreveu: “Tenho a impressão de que sente saudade dos subúrbios. (...) Acho que se lembra, com nostalgia, da liberdade da sua juventude difícil, com a pobreza e as amargas privações, e sabe que nunca estará satisfeito”.

O cineasta escreve na sua biografia: “Esta maneira de querer fazer com que a pobreza do próximo seja atraente é péssima. Eu ainda não conheci um pobre que sinta falta da pobreza ou que se sinta livre sendo pobre”.

Depois da crise de Wall Street, com o New Deal e com a efervescência dos movimentos fascistas europeus, a consciência de Chaplin intensificou-se: “Eu não sou patriota. Como se pode tolerar o patriotismo, quando seis milhões de judeus foram assassinados em seu nome?”.

O cineasta transferiu essas inquietações para os seus dois únicos longas-metragens feitos durante os anos trinta.

O primeiro filme, "Tempos Modernos" (1936), é uma sátira sobre a alienação dos operários no processo de produção em série. O protagonista continua sendo o “Tramp”, que não diz nenhuma palavra durante todo o filme.

O segundo filme é ainda mais radical. Apesar de toda a prudência que Hollywood manteve com relação ao nazismo até 1938, Chaplin não duvidou em caricaturar Adolf Hitler. "O Grande Ditador" (1940), de Chaplin, e "Confessions of a Nazi Spy" (1939), de anatole Litvak, foram os dois primeiros filmes americanos a declararem guerra ao nazismo.

Na Alemanha, nos países ocupados ou aliados o filme foi proibido. Os países neutros tiveram que esperar um outro momento político para exibirem o filme.

Nem todos os americanos se identificaram com o discurso pacifista que o protagonista divulga no final (confira mais abaixo). Franklin D. Roosevelt recebeu Chaplin, pessoalmente, na Casa Branca, depois de ter solicitado uma projeção privada de "O Grande Ditador", sendo seu único comentário bastante lacônico: “Sente-se, Charlie, o seu filme nos está dando muitas dores de cabeça”.

Pelo simples fato de ter sido o diretor e intérprete do filme, Chaplin foi rotulado pelos movimentos anticomunistas que surgiram depois da Segunda Guerra Mundial. Rodar um filme antinazista e expressar argumentos humanitários em favor de uma nação aliada eram motivos suficientes para ser mal visto nos Estados Unidos, que, paradoxalmente, estavam em guerra com a Alemanha e ao lado da União Soviética.

Nessa época, Chaplin já tinha conhecido a sua quarta esposa. Era Oona O’Neil, filha do famoso dramaturgo Eugene O’Neil. Os dois se casaram em 1943, em uma pequena cidade da costa da Califórnia. Uma curiosa coincidência fez com que, nessa mesma época, Chaplin decidisse filmar "Monsieur Verdoux" (1947), baseado em uma biografia de Landru, um sádico assassino que matava mulheres depois de seduzi-las.

Apesar da idéia de rodar esse filme ter sido de Orson Welles, o cineasta inglês decidiu realizar o projeto e fazer o primeiro filme em que o “Tramp” estaria excluído definitivamente.

"Monsieur Verdoux" não apenas foi censurado pela "Motion Picture Association", mas também por um amplo setor da imprensa e por algumas organizações de direita. O filme acabou sendo um verdadeiro fracasso. O círculo de intelectuais formado por Salka Viertel, Clifford Odets, Aldous Huxley, Hanns Eisler, Theodor Dreiser e Bertold Brecht fortaleceu a sua imagem antiamenricana.

Nessas circunstâncias, o Comitê de Atividades Antiamericanas incluiu Chaplin numa primeira lista de “testemunhas hostis”, tornando-se conhecidos como “os dez de Hollywood”. Como Chaplin demorou a ser citado, decidiu antecipar-se e declarar por escrito:
“Para a sua conveniência, direi o que eu acho que desejam saber. Não sou comunista e nunca fiz parte de nenhum partido ou organização política na minha vida. Sou o que vocês chamam de traficante da paz. Espero que não se sintam ofendidos por isso”.

Um rei no exílio
Apesar desse ambiente totalmente hostil, Chaplin ainda rodou outro filme nos Estados Unidos, "Luzes da Ribalta" (1952), um melodrama sobre um artista do music-hall que dedica seus últimos anos de vida a incentivar a carreira de uma jovem bailarina. Nesse filme, Chaplin trabalhou com Buster Keton, outro grande ator cômico da época.

Em setembro de 1952, Chaplin recebeu a visita de funcionários do Departamento de Imigração por causa da suspeita sobre a sua militância comunista, a falta de patriotismo que tinha impedido a sua nacionalização e a suspeita de adultério. Eram os últimos dias de Chaplin nos Estados Unidos. Com a desculpa de tirar umas férias, foi para Nova Iorque apresentar "Luzes da Ribalta" à imprensa e, junto com sua mulher e os quatro filhos do casal, embarcou para Londres, no "Queen Elizabeth".

Depois de dois dias de viagem, Chaplin recebeu um telegrama comunicando a abertura de uma nova investigação, solicitada pelo Fiscal Geral do Estado, na qual voltavam a aparecer as antigas acusações sobre suas atividades políticas e sua vida particular, o que significou a ruptura definitiva com o país onde tinha vivido durante quarenta anos. A estréia de "Luzes da Ribalta" (1952) em Londres, Paris e Roma fez com que Chaplin viajasse bastante pela Europa, instalando-se em uma mansão perto da cidade suíça de Vevey.

Oona voltou aos Estados Unidos para resolver questões bancárias, pegar os negativos dos filmes de Chaplin e, de volta à Europa, no consulado americano de Lausanne, renunciou à sua cidadania. Chaplin também devolveu seu visto de regresso, alegando que “já estava velho demais para aguentar tantas bobagens”.

Mesmo assim continuou a encontrar-se com importantes políticos como Winston Churchill – que o censurou por não ter respondido à sua felicitação pela estréia de "Luzes da Ribalta" -, Kruschov, Nehru e Chu En-Lai, sem abandonar completamente a possibilidade de continuar trabalhando para o cinema.

Apesar de Chaplin ter escrito a sua autobiografia entre 1958 e 1964, não mencionou em nenhum momento o filme "Um Rei em Nova Iorque" (1956). O filme, rodado em Londres, foi sua vingança definitiva por todas as humilhações passadas nos Estados Unidos.

Nove anos mais tarde, em 1965, Chaplin retomou um antigo roteiro que havia escrito para Paulette. "A Condessa de Hong Kong" foi protagonizado por Sofia Loren e Marlon Brando. Chaplin interpretou um pequeno papel de garçom e o filme teve uma péssima crítica na Europa.

Apesar disso, o cineasta ainda viveu o suficiente para receber vários prêmios. Em 1971, a Academia de Hollywood quis restaurar a sua reputação nos Estados Unidos com um Oscar especial “pela incalculável contribuição à arte do século: o cinema”. Um ano mais tarde recebeu outro Oscar com um sabor especial, o de melhor trilha sonora pelo filme "Luzes da Ribalta", que, por não ter estreado em Los Angeles, pôde ser candidato ao Oscar vinte anos depois.

Nessa ocasião, Chaplin decidiu voltar aos Estados Unidos e pisou num palco pela última vez, sendo aplaudido durante muitos minutos.

Três anos mais tarde, a rainha da Inglaterra o nomeou cavaleiro do Império Britânico. Em 1977, na fria madrugada de 25 de dezembro, o cineasta deu seu último suspiro, aos oitenta e oito anos de idade.

Morria o gênio de infância triste que, com os seus filmes, fez com que milhares de espectadores do mundo inteiro rissem e chorassem...
 

"Você nunca vai encontrar um arco-íris se estiver olhando para baixo."

"Um dia sem riso é um dia desperdiçado."

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"
 
"Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido."

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

“Há uma coisa tão inevitável quanto a morte: a vida."

"Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso."

“Estou sempre alegre e essa é a melhor maneira de resolver os problemas da vida.”
 
“A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.”

"O tempo é o melhor autor. Sempre encontra um final perfeito."

“Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço, mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria.”

"Cada um tem de mim exatamente o que cativou."

"A persistência é o caminho do êxito."

"Não se julga um homem pelos trapos que o vestes, e sim pelo seu caráter."

"O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir."

“Não preciso de me drogar para ser um gênio; não preciso ser um gênio para ser humano, mas preciso do seu sorriso para ser feliz.”

“O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar.”

“O amor é ajudado pela força. A doçura do perdão traz a esperança e a paz.”

“Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.”

“Não fique triste quando ninguém notar o que fez de bom. Afinal, o sol faz um enorme espetáculo ao nascer, e mesmo assim, a maioria de nós continua dormindo.”

“Nada é permanente nesse mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas.”

"Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. Pensamos demasiadamente. Sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade. Que de máquinas. Mais de bondade e ternura, que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá."

"Conhecemos pessoas que vem e que ficam, outras que, vem e passam. Existem aquelas que, vem, ficam e depois de algum tempo se vão. Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar..."
 
 
 
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
 

Entre as obras primas de Chaplin,
vale lembrar a música Limelight,
do filme "Luzes da Ribalta" (1952)
 

Luzes da Ribalta
Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações

SMILE
Do filme "Tempos Modernos" (1936)

Smile
Autor: (Charles Chaplin).
Intérpreter: Michael Jackson

Smile, though your heart is aching,
Smile, even tho' it's breaking
When there are clouds in the sky,
You'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining
Through for you.
Light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness.
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying,
Smile what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile.\

 

 
CHARLIE CHAPLIN - LUZES DA CIDADE


CHARLIE CHAPLIN - LUZES DA RIBALTA - Legendado


CHARLIE CHAPLIN - O GAROTO (1921)


CHARLIE CHAPLIN - O GRANDE DITADOR

 

CHARLIE CHAPLIN - TEMPOS MODERNOS

 

Colaborador(a): Paulo Gervais / Wanda Barcellos

 

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