Logomarca Velhos Amigos
LITERATURA / AUTORES DIVERSOS

DEEPAK CHOPRA
publicado em: 20/02/2018 por: Lou Micaldas

O ESPÍRITO DO ROMANCE

O SEGREDO DA ATRAÇÃO

PRÁTICA AMOROSA

CONVITE A UMA REALIDADE SUPERIOR

ENVELHECER É UM ERRO

MEDITAÇÃO ATENCIOSA DE DEEPAK CHOPRA

MUTANTES

COMO SE ENTREGAR

ENAMORAMENTO

O ESPÍRITO DO ROMANCE

"Apaixonar-se leva você a uma fusão apaixonada com seu ente querido, mas a paixão mais profunda é pelo Eu Superior, a fonte de todo amor."

Em nossa cultura, não somos ensinados a ver a paixão como um evento espiritual; no entanto, durante séculos, essa foi a interpretação aceita. Quando a pergunta "de onde vem o amor?" era feita, a resposta universal era "de Deus". De acordo com o Novo Testamento,

"Aquele que não ama não conhece a Deus; pois Deus é amor."

As vidas dos santos de todas as religiões demonstraram o amor em sua dimensão espiritual; ao mesmo tempo, a pessoa mais humilde que se apaixonava também percebia que estava andando num território sagrado. Mas com a passagem dos séculos, particularmente no Ocidente, a conexão divina foi perdida, e o amor romântico tornou-se uma questão mais terrena, mais centrada no charme encantador de outro indivíduo. ("Como eu te amo, deixe-me descrever as maneiras.)".

Em termos espirituais, apaixonar-se é uma abertura, uma oportunidade de entrar num espaço sem tempo e permanecer lá, de aprender os caminhos do espírito e de trazê-los para a terra. Todas as aberturas são temporárias - isso não é uma limitação específica para a paixão. A pergunta real é, o que devemos fazer com a abertura?

As mais elevadas qualidades espirituais - verdade, fé, confiança e compaixão - crescem a partir das menores sementes da experiência cotidiana. Seus primeiros florescimentos são incrivelmente vulneráveis, e não há garantia de que não vão murchar e morrer. Como podemos cuidar dessa frágil abertura do coração, nutrindo-a até se desenvolva para estágios mais substanciais de crescimento?

Para fazer isso, precisamos examinar o romance, o primeiro estágio na jornada do amor, como parte de um ciclo atemporal que oferece um conhecimento cada vez maior da realidade espiritual. As compreensões desse primeiro estágio são, naturalmente, relacionadas com um novo nascimento:

O amor sabe que você existe e se importa com a sua existência.

O espírito atemporal pode tocar você nesse mundo do tempo.

Com um novo nascimento do coração, você verá um novo mundo.

O amor nunca é velho, renovando-se com cada amante.

A carne e o espírito podem compartilhar os mesmos deleites.

Todas as pessoas são inocentes à luz do amor.

Quando você se apaixona, essas compreensões vêm para você como água fresca, no entanto elas são tão antigas quanto o caminho para o próprio amor. A sensação do amor romântico é tão avassaladora que é fácil negligenciar o valor dessas comparações; elas estão entre as mais felizes que alguém pode experimentar aqui na terra. Para os amantes, o crescimento interior começa num estado de enlevo.

Existem quatro fases distintas do romance. Muito embora nem todos possam esperar experimentá-las exatamente do mesmo modo, todas as quatro emergem naturalmente uma vez que seus sentimentos por outra pessoa vão além da amizade para a ligação apaixonada. As quatro fases são:

Atração

Enamoramento

Corte

Intimidade

A atração começa quando uma pessoa escolhe, geralmente através de meios totalmente desconhecidos e inconscientes, outra pessoa para ficar apaixonada. O enamoramento, em que o ser amado torna-se totalmente desejado e presente, vem logo em seguida.

Nas profundezas do enamoramento, a vida fantasiosa pode tornar-se desvairada e extrema. Se não existirem barreiras insuperáveis, segue-se a fase da corte. A pessoa amada é cortejada para criar a mesma atração que a pessoa apaixonada sente de maneira avassaladora.

Se a corte for bem sucedida, segue-se a intimidade. A excitação sexual subjacente que exerce um elemento tão forte no romance, e que de início é limitada pelo escape da fantasia, pode ter agora a realização. Através da intimidade, a união das duas pessoas começa a ocorrer no mundo real, em vez de dentro de uma psique isolada.

A realidade aparece, à medida que as imagens rosadas dos amantes são testadas com uma pessoa real. Para melhor ou pior, existe um desmascaramento da fantasia, e o caminho é liberado para o próximo estágio da jornada do amor, o relacionamento.

Essas quatro fases do romance ocorrem numa seqüência natural e linear, mas ao mesmo tempo formam um círculo inteiro. Durante algum tempo a pessoa apaixonada e a pessoa amada são liberadas da realidade cotidiana; estados extraordinários de emoção e atração num plano privilegiado. Uma vez que a fantasia é desmascarada, os amantes voltam para a terra ou aprendem a partir de suas experiências e ficam prontos a integrá-las no crescimento subseqüente do amor.

Muito embora isso aconteça espontaneamente, apaixonar-se não é acidental - não existem acidentes na vida espiritual, só padrões que ainda não reconhecemos.

Todo amor baseia-se na busca do espírito.

Esta é a primeira grande compreensão a ser encontrada no amor romântico - ele não é sobre duas pessoas que se apaixonaram loucamente uma pela outra; é sobre duas pessoas vendo o espírito uma da outra.

Uma expressão dessa idéia vem da antiga Índia; o rei mítico Yajnavalkya fala sobre o amor com sua rainha:

"Em verdade, não é pelo marido que o marido é querido, mas pelo Eu Superior."

"E não é pela esposa que a pessoa é querida, mas pelo Eu Superior."

"E não é pelos filhos que os filhos são queridos, mas pelo Eu Superior."

"De fato, minha amada, é o Eu que deveria ser visto, o Eu que deveria ser ouvido, o Eu que deveria servir de tema para reflexão, e o Eu que deveria ser reconhecido."

Essa passagem do "grande ensinamento da floresta" (Brilhadaranyaka Upanishad) data de milhares de anos atrás. Se o que ela proclama é verdade, apaixonar-se é inegavelmente um ato da alma. Apaixonar-se leva você a uma fusão apaixonada com seu ente querido, mas a paixão mais profunda é pelo Eu Superior, a fonte de todo amor.

Fonte: transcrito do livro "O caminho para o amor"

O SEGREDO DA ATRAÇÃO

"O romance se separa de todas as outras formas de amor devido à intensidade da felicidade."

Qualquer criatura capaz de reproduzir-se com outra de sua espécie deve sentir atração, mas os humanos são únicos, pois podemos ver significado em nossa atração. Portanto existe uma grande diferença entre apaixonar-se inconscientemente, como se atingido por um raio, e conscientemente abraçar o dom do amor com o conhecimento pleno de que é isso que nossa alma anseia, aquilo pelo que você vive, o que será mais importante em sua vida.

Na Índia antiga, o êxtase do amor era chamado de Ananda, felicidade ou consciência beatífica. Os antigos videntes diziam que os humanos tinham sido feitos para participar desse ananda todo o tempo. Como citei anteriormente, um verso famoso dos Vedas declara sobre a humanidade: "No deleite foram concebidos, no deleite eles vivem, para o deleite retornarão." Ananda é muito mais do que prazer, até mesmo o mais intenso prazer erótico. É um terço da fórmula para a verdadeira natureza do espírito humano, descrita pelos Vedas como Sat Chit Ananda, ou eterna consciência beatífica.

Como veremos, o caminho para o amor termina com a realização plena dessa simples frase. Sat é a verdade eterna sustentando toda a existência; quando sat está totalmente estabelecida, não há mal ou sofrimento, porque não há nada separado da unidade.

Chit é a consciência dessa unidade; é a plenitude da paz que não pode de modo algum ser perturbada pelo medo. Ananda é a felicidade suprema de estar nesta consciência; é a beatitude imutável que todos os vislumbrantes do êxtase pretendem ser. O caminho do amor nos leva ao conhecimento pleno de todos os três aspectos sem dúvidas. Mas o que nós provamos com mais freqüência aqui na terra é o último - ananda - na alegria da paixão.

O romance se separa de todas as outras formas de amor devido à intensidade da felicidade.

Duas pessoas que se encantam uma pela outra experimentam uma revolução no mais profundo de seus seres a partir da súbita descoberta de que a beatitude surgiu. Os mestres espirituais nos dizem que nascemos na beatitude, mas essa condição é obscurecida pela atividade caótica da vida cotidiana. Abaixo do caos, contudo, estamos tentando encontrar ananda novamente; todas as alegrias menores são pequenas gotas, enquanto ananda é o oceano.

As compreensões que se aplicam a essa fase crescem a partir do nosso desejo de encontrar a beatitude:

A beatitude é natural na vida, mas uma vez que nós a tenhamos encoberto, precisamos procurá-la nos outros.

A dor do anseio é uma máscara para o êxtase da beatitude.

A beatitude não é um sentimento, mas um estado do ser.

No estado de beatitude, tudo é amado.

Nossa ânsia de voltar à beatitude é um dos motivos por que apaixonar-se nunca é acidental. Todos nós temos o conhecimento subconsciente do que o amor pode fazer à psique. Uma pessoa isolada, cheia de frustração e solidão, é subitamente transformada, tornada completa além do poder de explicação da razão. No lugar da ansiedade e da dúvida, surge o êxtase. De acordo com o Novo Testamento,

"Não há medo no amor; mas o amor perfeito afasta todo o medo."

Este senso beatífico de estar num lugar de paz e segurança enquanto duram os estágios iniciais do romance, apesar dos altos e baixos emocionais que se seguem inevitavelmente.

No entanto, ananda é muitas vezes a última coisa que pensamos que vamos encontrar, porque antes de nos apaixonarmos, existe um período de intenso anseio. Esse estado é o negativo do romance, mas também é seu verdadeiro início, pois sem a separação e o anseio, não pode haver atração. Para encontrarmos a felicidade, temos que começar onde a felicidade não está presente. Em nossa sociedade, não é difícil achar esse lugar.

A BUSCA ANSIOSA

A atração depende de encontrar alguém para amar, ou que alguém encontre você, e aqui começa as dificuldades. Se nada é mais excitante do que se apaixonar, do mesmo modo nada parece despertar um medo maior. Uma busca constante e ansiosa pelo relacionamento parece assombrar toda a nossa sociedade.

Somos inundados com imagens de atração romântica, no entanto, ironicamente, a coisa verdadeira parece muito fugidia, e quanto mais pesadamente nossa televisão e filmes exageram no charme sedutor, mais dificilmente as pessoas parecem entender o que o amor realmente é.

A sensação de apaixonar-se não é difícil de descrever. Ela foi comparada com mil deleites, da doçura do mel à fragrância da rosa. Suas imagens são infinitas, e estamos cercadas por elas, como se a imensidão total fosse de algum modo resolver nossa insegurança subjacente. Quando o romance finalmente aparece, contudo, ele é mais embevecedor do que qualquer imagem empacotada, porque o romance destila amor e desejo, anseio e terno sofrimento, a alegria do toque de um único momento e a agonia da separação de um único momento.

Tudo isso nós sabemos, mas o conhecimento fez pouco para dispersar o sentimento ansioso de que o amor nunca vai chegar, que não somos as pessoas certas de alguma forma, e que portanto não merecemos o impressionante dom chamado de paixão. A maioria de nós sai à procura do amor levado por duas forças psicológicas poderosas; a fantasia do romance ideal e um medo de que não o encontraremos e nunca sejamos amados.

Esses dois impulsos são auto-sabotadores, embora de maneiras diferentes. Se você levar consigo uma fantasia idealizada de como deveria ser o amor, vai perder a coisa real quando ela cruzar o seu caminho. O amor real começa com interações cotidianas que possuem a semente da promessa, não com o êxtase total. A semente é fácil de ser ignorada, e nada nos cega mais em relação a ela do que imagens mentais e fixas.

Do mesmo modo, se você for aí num estado de ansiedade, perguntando-se se alguém vai escolhe-lo ou escolhe-la para amar, nunca vai se tornar atraente para quem quer que seja, pois nada mata o romance mais rápido do que o medo.

Lutar para ser atraente é só outra forma de desespero, que os outros vêem, por mais que você lute para disfarçar. Porém, tão forte é nosso condicionamento social, que são gastos bilhões de dólares a mais em cosméticos, moda e cirurgia plástica do que na psicoterapia, por exemplo, apesar do fato de que trabalha suas neuroses tornaria as pessoas muito mais atraentes do que uma figura elegante ou roupas na moda.

Apesar da sua natureza auto-sabotadora, essas duas motivações - a fantasia e o medo - são a base para a maioria de nós quando buscamos o amor. Levados por elas, os homens e as mulheres abordam o romance com comportamentos que nunca poderão trazer o que esperam alcançar. Todas essas táticas se criam de tanto escutarmos uma voz interior que nos deixa obcecados com o amor e direciona nossa busca, muito embora seja uma voz desprovida de amor. A maioria desses comportamentos fúteis parecerá extremamente família:

· Comparamo-nos constantemente com um ideal que nunca poderemos realizar. A voz interior sem amor nos impulsiona dizendo "você não é bom o bastante - magro o bastante, bonito o bastante, suficientemente feliz ou seguro".

· Procuramos a aprovação nos outros. Esse comportamento basicamente projeta nossa insatisfação interior conosco, na esperança de que alguma autoridade externa a retirará de nossas almas. Aqui a voz interior sem amor está dizendo "não faça nenhum movimento até que a pessoa certa apareça". (A pessoa certa neste caso é algum personagem de contos de fadas que vai transformar o patinho feio num cisne.) Sendo uma ficção impossível, a pessoa certa nunca chega.

· Deduzimos que apaixonar-nos é algo totalmente mágico, algo que vem do nada aleatoriamente, geralmente quando menos esperamos. Muitas pessoas esperam passivamente que essa magia apareça. Embora disfarçada como esperança, essa passividade é na verdade uma forma de desesperança, pois a voz interior sem amor está dizendo "não há nada que você possa fazer, a não ser esperar para ver se alguém ama você ". A crença subjacente aqui é que não temos a menor possibilidade de merecer o amor - não o amor apaixonado e realizador dos nossos sonhos. A esperança de que alguém nos procure e nos dê amor é uma abdicação de nossa capacidade de criar nossas próprias vidas.

· Finalmente, contamos com o amor para remover os obstáculos que o mantém afastado. Todos os tipos de comportamentos não amorosos teriam a permissão de persistir, com a presunção de que nos tornaremos afetuosos, abertos, confiantes e íntimos através de um simples toque da varinha mágica do amor. A voz interior sem amor nos mantém na inércia total dizendo "não importa como você trata todas essas pessoas. Afinal de contas, elas não amam você e, quando a pessoa ideal aparecer, essas pessoas importarão ainda menos". A crença subjacente, nesse caso, é que podemos escolher quem vamos amar, deixando os rejeitados num limbo de indiferença.

Podemos encontrar outra maneira de abordar o romance, sem fantasia ou medo, sem escutar a voz assustadora dentro de nós mesmos que encontra uma maneira de afastar o amor?

"PARA AMAR, SEJA AMÁVEL"

Podemos começar, não podemos continuar confinando o romance a um estado emocional; temos que redefini-lo como uma entrega ao mistério do nosso próprio espírito - sat chit ananda - pois, por baixo da turbulência de emoções é que está o romance. É um estado em que nosso relacionamento primário não é com o ser amado, mas com o nosso Eu Superior. O romance, portanto, começa quando podemos mostrar nossa alma para outra pessoa.

O segredo de ser atraente, se consultarmos os registros passados da experiência humana, é notavelmente simples. É resumido num aforismo do poeta latino Ovídio, que afirmou: "para amar, seja amável". Uma pessoa amável é alguém que é natural, tranqüilo consigo mesmo, irradiando a humanidade simples e sem afetações que torna qualquer um verdadeiramente atraente.

Às vezes, contudo, as soluções mais simples são as mais difíceis de alcançar. As pessoas ficam presas na busca ansiosa pelo amor precisamente porque não se sentem amáveis. A condição primordial que permitiria o romance está ausente. É triste dizer, mas muitos de nós nunca nos sentimos dignos do amor, nem na infância, quando tínhamos pouquíssimas defesas contra o amor e portanto, poderíamos nos aproximar dele com a inocência mais espontânea. Uma criança que não pede facilmente afeição e atenção, que não floresce quando elas são oferecidas, ou que vive com seus apelos ignorados, foi privada da própria essência da infância.

Até mesmo aqueles dentro de nós que fomos amados adequadamente na infância e portanto que estamos em contato em nossa capacidade de sermos amados, sentimos que é incrivelmente difícil trazê-la à tona no clima social da atualidade.

Ser amável não é uma qualidade superficial; é uma qualidade do espírito. Ananda não pode ser destruída, só encoberta. No final, se você se vê como um espírito, não importa que condicionamento ocorreu no passado, se você teve sorte suficiente para ser criado com valores amorosos ou o azar de ter sido desencorajado e forçado a sentir-se feio e sem valor.

Lembre-se: em nosso ser mais íntimo, somos todos completamente adoráveis porque o espírito é amor. Além do que qualquer um possa fazer você pensar ou sentir quanto a si mesmo, seu espírito não-condicionado está de pé, brilhando com um amor que nada pode manchar.

Se ser amável é realmente o segredo para a atração, então não há necessidade de uma busca ansiosa, porque seu próprio ser, que nunca pode ser perdido, não precisa ser encontrado. Todo o processo fútil de tornar-se atraente para os outros, de esperar constantemente a resposta de outra pessoa, de comparar-se desesperadamente a uma imagem ideal pode chegar ao fim. O único requisito é uma mudança na percepção, pois aqueles que não podem encontrar o amor se percebem como indignos do amor. Isso não é verdade, mas eles fazem com que pareça verdade ligando sua percepção a um poderoso sistema de crenças.

O que cria o romance é a capacidade de ver a si mesmo como digno do amor.

Essa alteração na percepção acontece não alterando quem você é, mas vendo quem você é e passando isso luminosamente adiante. Se você fosse capaz de exibir toda a grandeza de seu ser, toda a sua vida seria um romance, uma longa história de amor dedicada ao êxtase e à alegria. Rumi coloca essa idéia de uma maneira elegante quando declara,

"Por Deus, quando você enxerga sua beleza 
Será seu próprio ídolo."

Nada é mais belo do que a naturalidade. Só ela contém o mistério e a atração que despertam o romance. Tentar ser atraente cosmeticamente não é a questão, pois estamos falando de autenticidade.

Todos nós ambicionamos imagens de pessoas intensamente desejáveis, geralmente astros e modelos que ganham a vida parecendo ser dejasáveis. Na realidade, contudo, eles provavelmente são extremamente inseguros quanto à sua sedução, já que seu valor está sujeito aos caprichos de um público que nunca encontraram. Aspirar a essas imagens é aspirar a ser algo que você não é.

Quanto mais longe você está da imagem desejada, mais duramente precisa suprimir quem você realmente é. A tendência é tornar-se cada vez mais inautêntico, até que, caso tenha "sucesso" em tornar-se tão desejável quanto sua imagem, terá jogado fora o que é mais desejável em você - seu único e multifacetado.

Este ser não corresponde a uma única imagem, feia ou bela, desejável ou indesejável, porque expressa a mutável e cambiante luz da vida. Esta luz é totalmente ambígua. Seu ser contém sombras e pistas de significado; é misterioso até o âmago.

Para ser autêntico, você precisa ser tudo que realmente é, sem omitir nada. Dentro de todos existe luz e sombra, bem e mal, amor e ódio. O jogo desses opostos é o que constantemente faz a vida avançar; o rio da vida se expressa em todas as suas alterações, de um oposto ao outro. Se você puder verdadeiramente abraçar esses opostos dentro de si, será autêntico, e à medida que sua auto-aceitação se expandir até que não haja nada de que se envergonhar, nada a esconder, sua vida assumirá a generosidade e o calor que marca todo grande amante.

Ser desejável significa estar confortável com sua própria ambigüidade.

A suprema ambigüidade que cada um de nós expressa não é que possamos ser bons ou maus, amorosos ou sem amor, mas que somos espírito e carne ao mesmo tempo. Nada pode ser mais ambíguo do que isso, ou mais atraente.

Fonte:  transcrito do livro "O caminho para o amor"

PRÁTICA AMOROSA

"Quem você realmente é não é uma coleção de partes, mas um todo. Ver a si mesmo como um todo é o primeiro passo para se considerar realmente atraente."

Aceitação da ambiguidade

A maioria de nós perde tempo tentando se tornar mais atraente, particularmente se concentrando no nível mais superficial de atração, que é o físico. Não só a beleza física é temporária, o que significa que fixar-se nela vai fornecer dividendos decrescentes com o tempo, como seus ideais nunca são correspondidos.

Se você está aprisionado em imagens físicas, está certo de que no fundo nunca será atraente o bastante. Isso certamente leva mulheres a melhorar obsessivamente seus inevitáveis pontos fracos através de cosméticos e de roupas. Muito embora os homens possam trivializar a questão da beleza como vaidade feminina, seus próprios imensos gastos em carros esporte, bastões de golfe de grife e ternos vistosos são um produto da mesma insegurança. Só existe uma maneira de quebrar a síndrome auto-sabotadora de "minha aparência nunca será boa o bastante".

O que realmente vai tornar você atraente não é trabalhar seus pontos fracos, mas abraçá-los.

Abraçar sua fraqueza é o mesmo que aceitar a si mesmo, e nada é mais atraente do que pessoas que se sentem confortáveis consigo mesmas. Os pontos fracos não precisam ser físicos - qualquer característica que você ache que o torna pouco atraente cai nessa categoria, incluindo traços psicológicos, falta de dinheiro ou sucesso, posição social baixa e ações passadas que você acha que precisam ser encobertas.

Uma pessoa que exibe qualidades tanto positivas quanto negativas, tanto forças quanto fraquezas, não é defeituosa, mas completa. Em qualquer momento específico, nosso comportamento possui tons intermediários; nunca é uma simples questão de preto e branco. São esses tons intermediários que eu chamo de charme da ambiguidade, que o exercício seguinte ajuda a desenvolver. Aborde-o como uma atividade de forma livre, seguindo o espírito da ambiguidade.

Preenchendo as sombras

A finalidade do exercício a seguir é tomar qualquer qualidade que você acha que possui e demonstrar que você também possui seu oposto - e muitas variações entre elas. Você pode executar esse exercício em sua cabeça, mas recomendo que use lápis e papel.

Escreva ou pense sobre uma coisa específica que o torna pouco atraente para os outros. Pode ser física ou psicológica, o que vier primeiro à mente. Digamos que seja "sou egoísta demais".

Pergunte a si mesmo se você possui o traço oposto, que é "levo as necessidades das outras pessoas em consideração". Ou, caso isso soe altruísta demais, tente "não sou egoísta o tempo todo". (Isso deve ser verdade, já que ninguém pode ser egoísta cem por cento do tempo.) Tendo estabelecido isso, note que levar os outros em consideração não cancela o egoísmo - só acrescenta outro tom ao quadro. Todos os traços, bons ou maus, são relativos. Nunca podem descrever completamente quem você realmente é.

Quem você realmente é não é uma coleção de partes, mas um todo. Ver a si mesmo como um todo é o primeiro passo para se considerar realmente atraente.

Todos nós somos tentados a catar pedaços de nós mesmos; é esse ato de autocrítica, e não as próprias peças, que fazem com que você se sinta pouco atraente.

Agora passe adiante para outra qualidade indesejável: desta vez escolha uma que é trivial o bastante para ter vergonha até mesmo de admitir que se importa com ela - por exemplo, "meus quadris são grandes demais".

Agora encontre o sentimento oposto de sentir-se envergonhado (a) dessa característica, que pode ser colocado de várias maneiras, como por exemplo "Marilyn Monroe tinha quadris grandes, e era linda" ou "na última vez que gostei de mim mesma, eu não estava pensando em meus quadris", ou "alguém que realmente me ama me garantiu que os quadris não importam para ele".

Essas respostas funcionam em níveis diferentes. Se seus amigos dizem que eles não notam seus quadris, a questão pode não ser se eles estão certos, mas se você confia neles. Vendo mais ambigüidade na situação, você começa a perceber como tudo em você é complexo e interconectado. À medida que romper a prisão de seu condicionamento, desafiando sua noção de má qualidade considerando seu oposto, você liberta sua mente para ver o quadro maior sobre si mesmo.

Você pode transformar isso num exercício muito criativo. Suponhamos que você escreva "eu falo mal de meus melhores amigos" uma característica que a maioria de nós consideraria extremamente desagradável. A qualidade compensadora poderia ser "eu realmente gosto de meus melhores amigos". Qual é o relacionamento entre esses traços opostos? Talvez você não se sinta confortável dizendo a seu melhor amigo que está zangado ou desapontado; talvez você fale indiscriminadamente quando está se sentindo mal consigo mesmo; talvez você queira tanto receber afeto que critica seus amigos para reforçar a opinião de outra pessoa.

Todas essas alternativas sublinham uma única verdade; você é apenas humano. Quando perceber que o mesmo é verdade em relação a todas as pessoas que conheceu (assim como a todo queridinho da mídia celebrado em nossa sociedade), vai sentir-se mais confortável tanto com as pessoas mais atraentes quanto com as menos. Quanto mais propenso você estiver a enxergar a atração em todas as pessoas, mais vai se aproximar da perspectiva de Deus.

A igualdade é o primeiro passo para a aceitação, e a aceitação é amor.

Tente articular mais algumas de suas piores qualidades, e então passe adiante - para suas características boas. O que é mais atraente em você? "Eu tenho lindos olhos." "Amo meus filhos." "Presto auxílio voluntário a pacientes de câncer." Seja o que for que você escreva, veja se o oposto também não está presente. "Meus olhos não são muito bonitos quando estou com ciúmes ou mal-humorado." "Meus filhos podem me dar vontade de fugir." "Pessoas doentes me deprimem tanto, que eu não me importaria se nunca mais visse outra." Seja o que for que você encontre em si mesmo de agradável ou bom, é inevitável que o impulso contrário também exista dentro de você. Nunca existiu qualquer santo que não tenha culpado ou odiado a Deus em sua hora mais sombria; nenhum amante está tão apaixonado que deixe de notar o charme de outra mulher.

O estágio final desse exercício resume-se a ler a seguinte lista:

- Não há problema em ser bom e mau.

- Gosto de me sentir de mais de uma maneira em relação às pessoas mais próximas.

- Ser bonzinho pode ter um veneninho; ser ácido pode ser divertido.

- Meu melhor amigo não ficaria chocado ao ver meu pior lado.

- Meu pior inimigo ficaria agradavelmente surpreso ao ver meu melhor lado.

- Corresponder à minha auto-imagem é mais cansativo do que deixo transparecer.

- Nunca serei perfeito. Posso viver com isso.

- Um anjo protege as pessoas que podem rir diante da miséria.

- Está tudo bem em achar o vilão sensual e o herói tedioso.

- Vou acreditar na próxima pessoa que me disser que estou com boa aparência.

- Soltar os demônios pode ser muito educativo em algumas ocasiões.

- A pior coisa que alguém diz sobre mim contém alguma verdade - sobre ele.

Você provavelmente vai concordar com algumas dessas afirmações, e algumas podem parecer ridículas ou irrelevantes. Seja como for, da próxima vez em que se sentar para realizar esse exercício, olhe novamente para a lista. Você vai ficar surpreso de ver como ela parece muito mais aceitável. Aceitar sua própria ambigüidade abre você para a verdade de que a própria vida não pode deixar de ser ambígua - é o que a torna tão fascinante.

Fonte: transcrito do livro "O caminho para o amor"

 

CONVITE A UMA REALIDADE SUPERIOR

"A causa da doença é geralmente muito complexa, mas uma coisa é certa: ninguém provou ainda que é necessário adoecer."

Existe em cada pessoa um lugar livre de doenças, que nunca sente dor, envelhece ou morre. Quando você chega a esse lugar, as limitações que todos aceitamos deixam de existir. Ali não chegam a ser consideradas nem mesmo como possibilidade.

Esse é o lugar chamado saúde perfeita. Pode-se visitá-lo rapidamente ou demorar ali muitos anos. Mas até as visitas mais breves provocam uma profunda mudança. Enquanto você está ali as suposições verdadeiras da vida normal são alteradas e começa a fluir a possibilidade de uma existência superior, mais próxima da ideal.

O texto desse livro é para as pessoas que gostariam de explorar essa nova existência, introduzindo-a em suas vidas de forma permanente.

A causa da doença é geralmente muito complexa, mas uma coisa é certa: ninguém provou ainda que é necessário adoecer. De fato, ao contrário, entramos diariamente em contato com milhões de vírus, bactérias, alergênios e fungos, mas apenas uma fração mínima chega a nos causar doenças.

Não é raro os médicos encontrarem pacientes com virulentas bactérias agrupadas no trato respiratório sem que estejam causando nenhum mal. Elas atacam somente em raras ocasiões, quando causam a meningite, uma infecção séria do sistema nervoso central, às vezes fatal. Ninguém sabe precisamente o que provoca esse ataque, mas aparentemente é envolvido um fator misterioso chamado "controle do hospedeiro". Isto significa que nós, hospedeiros dos germes, abrimos ou fechamos de algum modo o portão para eles.

Em mais de 99,99 por cento dos casos o portão é fechado, o que demonstra que estamos bem mais perto da saúde perfeita do que imaginamos.

A principal causa de óbitos nos Estados Unidos é devida a doenças cardíacas causadas, na maioria dos casos, pelo depósito de placas que bloqueiam as artérias coronárias, que conduzem oxigênio ao coração. Quando o colesterol e outros detritos começam a obstruir as artérias, a falta de oxigênio ameaça o funcionamento normal desse órgão. No entanto, o processo de uma doença cardíaca é muito pessoal.

Uma pessoa com uma placa pequena pode ficar incapacitada pela angina; uma dor como um aperto no peito é o sintoma de uma artéria coronária doente. Outra, com vários depósitos de grandes placas capazes de bloquear quase todo o fluxo de oxigênio, não sente nada.

Sabemos de pessoas que correram maratonas com 80 por cento das artérias coronárias bloqueadas, enquanto outras morreram de ataques cardíacos com os vasos sanguíneos completamente limpos. Nossa habilidade física para repelir a doença é extremamente flexível.

Além da imunidade física do corpo, temos todos uma forte resistência emocional à doença. Eis o comentário de uma antiga paciente:
- Já li o suficiente sobre psicologia para saber que um adulto bem ajustado deve aceitar a doença, a velhice e, finalmente, a morte. Compreendi isso em um certo nível, mas não aceito a idéia emocional e instintivamente. Acho um erro terrível adoecer e deteriorar fisicamente, e sempre esperei que aparecesse alguém para corrigir isso.

Essa senhora está perto dos setenta anos de idade e mantém ainda uma excelente condição física e mental. Quando lhe perguntei o que ela ainda esperava, respondeu:
- Pode achar uma loucura, mas adoto a atitude de que não vou envelhecer ou morrer.

Isso é tão insensato? As pessoas que se consideram "ocupadas demais para adoecer" são conhecidas por ter saúde acima da média, enquanto as que se preocupam demais com doenças sucumbem a elas mais frequentemente.

Um outro homem comentou que a idéia da saúde perfeita lhe agradava por ser uma solução criativa, talvez a única, para enfrentar os problemas normais da medicina. Sendo um executivo de sucesso do ramo eletrônico, ele considera a noção de saúde perfeita tão revolucionária quanto as idéias inovadoras que transformam empresas.

O pensamento inovador é a única forma de resolver problemas porque estabelece uma situação muito melhor ao colocar as expectativas bem acima do considerado possível, procurando depois os meios de transformá-las em realidade.

- Se as pessoas continuam a pensar e agir do mesmo modo familiar - disse o homem, podem conseguir cinco a dez por cento de melhoria ao trabalhar mais. No entanto, para conseguir o dobro ou dez vezes mais, as metas devem ser suficientemente elevadas para se dizer "Bem, se você quer um avanço tão grande, temos de fazer isso de um modo inteiramente novo.

O pensamento inovador vem sendo usado nas grandes empresas de computação do vale do Silício. Por exemplo, se um modelo comum de hardware ou software levou quatro anos para ser desenvolvido, a nova geração é programada com prazo de vinte e quatro meses. Se os defeitos de fabricação chegam apenas a cinco por cento, a meta para o futuro é "defeitos-zero". A saúde perfeita funciona exatamente assim: a meta é zerar a expectativa de defeitos e descobrir o que pode ser alcançado.

No mundo dos computadores pode ser muito mais dispendioso consertar uma máquina defeituosa do que fabricar uma sem defeito. Sendo assim, "impor a qualidade na fonte" (isto é, fazer as coisas certas desde o início) é mais sensato em negócios do que programar apenas "o suficiente".

No campo da medicina isso também é verdadeiro, pois a prevenção é menos dispendiosa do que o tratamento, tanto em termos humanos quanto econômicos. Uma pesquisa de opinião realizada em 1988 demonstrou que os americanos temem, acima de tudo, uma doença grave. O motivo não se relaciona à dor ou ao sofrimento, mas envolve a enorme despesa de uma longa estada no hospital, medicamentos e o custo devastador de uma cirurgia. Até a morte não é tão assustadora quanto uma família que fica na pobreza.

Precisamos, evidentemente, de uma nova visão médica que acredite em "qualidade na fonte" e procure promovê-la nos indivíduos.

Fonte: Saúde Perfeita, Deepak Chopra, Editora Best Seller

ENVELHECER É UM ERRO

Apesar de todos serem vítimas do envelhecimento, ninguém provou até hoje que ele é necessário. A grande vantagem do corpo mecânico quântico é que ele não envelhece, uma qualidade que pertence a todo nível quântico da natureza. Os prótons e nêutrons não envelhecem, nem a eletricidade ou a gravidade.

A vida, que consiste dessas partículas e forças fundamentais, é extremamente duradoura. Seu ADN tem permanecido quase o mesmo há pelo menos 600 milhões de anos. Um caranguejo se arrastando pela lama exposta na maré baixa não tem nenhuma semelhança com um dinossauro e nem esse se parece com um gorila, mas do ponto de vista do ADN, mais vantajoso, não passam de pequenas variações de um tema interminável.

No que se refere a seus elos químicos, o ADN não é colado com mais firmeza que uma forma ou uma partícula de pólen. Você poderia pensar que esse punhado de átomos meio soltos se desfaria com o tempo, como uma tapeçaria antiga.

Sem dúvida, as forças que se opõem à sobrevivência do ADN são imensas: o cansaço e o desgaste físico, mutações casuais destrutivas, a invasão de micróbios concorrentes e, acima de tudo, a entropia, tendência natural do universo físico a diminuir a atividade até parar, como um relógio sem corda.

Todavia o ADN tem sobrevivido a todas elas. Altas montanhas se transformaram em pequenos morros durante a existência do ADN e ainda assim ele não se desgastou nem um milésimo de milímetro. A cola que agrega o corpo mecânico quântico é excessivamente forte. Se a inteligência intrínseca do ADN é tão poderosa, desafiando o tempo e os elementos há tantas eras, o envelhecimento não parece, de forma alguma, ser uma coisa natural. O Maharishi Ayurveda aceita esse princípio.

Considerando que todos envelhecem, passamos à questão que realmente importa: "Precisamos envelhecer?" Os sábios antigos, famosos por sua longevidade, consideravam o envelhecimento um "erro do intelecto" (em sânscrito, pragya aparadh).Esse erro consiste em alguém se identificar apenas com o corpo físico.

Para prolongar a vida e corrigir o erro do intelecto é necessário, em vez disso, identificar-se com o corpo mecânico quântico. Se você aprofundar sua mente até o nível em que ela funciona além da idade, seu corpo entrará em contato com essa mesma qualidade. Ele envelhecerá mais vagarosamente, pois a mente o orientará do nível mais profundo.

Vendo-se como alguém livre do envelhecimento, você vai ficar livre de fato. Esse é um princípio espantosamente simples, mas ainda não é reconhecido pela principal corrente da medicina ocidental. No entanto, é válido, como vamos descobrir.

ENVELHECIMENTO VERSUS CURA

O envelhecimento parece tão complicado que é até difícil defini-lo exatamente. Uma célula típica do fígado executa quinhentas funções diferentes, tendo quinhentas oportunidades, portanto, de se enganar. Todas essas possibilidades constituem as formas de envelhecer.

Por outro lado, a noção de que o envelhecimento é complexo pode ser errônea. Apesar de milhares de ondas, a maré oceânica é um fenômeno único, provocado por uma única força.

Esse mesmo princípio também é verdadeiro ao tratarmos do envelhecimento humano, apesar de podermos observá-lo como centenas de ondas: dores diversas, novas rugas ao redor dos olhos e marcas de riso mais profundas nos cantos da boca, um aumento ligeiro, mas inexorável, da pressão arterial, uma pequena perda da visão e da audição, assim como outras inconveniências de menor importância.

O Ayurveda nos ensina a não ficarmos impressionados com esse espetáculo triste e complexo. O envelhecimento é apenas uma coisa: a perda da inteligência. Como vimos, a cura é a capacidade da mente de se reparar.

O envelhecimento é o oposto, o esquecimento gradual do modo certo de fazer as coisas depois que estão erradas. Observe as células de um bebê recém-nascido, cheias de vigor e não afetadas pelo tempo. Se você compará-las em microscópio com as células de um adulto idoso, o contraste será espantoso. O tecido velho é muito feio, as células parecem gastas e esgotadas.

Afinal, trata-se da visão microscópica de um organismo idoso. Exibe manchas escuras esparsas e detritos acumulados onde o tecido macio tornou-se fibroso. Essa mudança drástica parece provocada pelo uso e pelo desgaste, mas o ADN que controla as funções das células é virtualmente invulnerável, como acabamos de ver.

Portanto, somos levados a concluir que está ocorrendo algum dano invisível. Por exemplo, uma artéria começa a vida com aparência perfeitamente lisa, branca e brilhante, como um pedaço de tubo cirúrgico de borracha ao sair da fábrica. Mas esse tubo é, na verdade, uma comunidade de células que se reuniram com a tarefa comum de formar uma artéria, conhecendo precisamente quais as sequências necessárias.

Antes de se reunirem nesse objetivo especializado, cada célula poderia ter acabado como parte do cérebro, do coração ou do estômago; todas as possibilidades existiam, já que cada célula contém o mesmo ADN.

No entanto a evolução determinou que essas células executassem apenas uma tarefa, ser uma artéria. Apesar de ser um trabalho especializado, não é simples. O tubo de borracha fica estendido passivamente e deixa o líquido fluir em seu interior. Suas artérias, ao contrário, reagem de maneira ativa e inteligente a tudo que acontece a você.

Aprendemos nos compêndios de biologia que as células se dividem repetidamente (cerca de cinqüenta vezes) até seu fim. Mas essa visão é drasticamente simplificada e até falsa. Uma célula tem experiências e recorda o que lhe acontece. Pode perder sua capacidade se os elos com o conhecimento inato forem danificados ou destruídos.

Do mesmo modo, uma célula poderia se manter sempre jovem sem sofrer qualquer decadência se seu estoque completo de inteligência fosse preservado. Para uma 
célula, a diferença entre a vida e a morte está em sua memória, ou smriti.

Se você mantiver a distância necessária, verá que a memória perfeita tornaria a célula imortal, porque não pode haver morte enquanto a renovação prossegue sem falhas ou enganos.

A ciência nunca provou que o ADN é limitado em sua capacidade de manter uma célula em bom funcionamento. Cada artéria de seu corpo contém o mesmo ADN que formou os seres humanos da Idade da Pedra, 50 mil anos atrás.

Se o ADN consegue fazer artérias perfeitas há quinhentos séculos, cada uma com milhões de células perfeitas operando, não existe uma razão intrínseca para que seu ADN trabalhe mal depois de sessenta anos.

Mas o efeito aparece e em menos tempo. Aos doze anos suas artérias sofrem uma mudança bem definida. Começam a surgir irregularidades na forma de pequenas faixas de gordura amarela.

Em nível microscópico, descobrimos que essas faixas se formam por causa de mínimas rachaduras, quase invisíveis, nas paredes internas da artéria. Um biólogo especializado pode examinar uma célula dessa artéria e reconhecer os sinais indiscutíveis de envelhecimento. Durante as cinco décadas seguintes os sinais se tornam óbvios até para um leigo.

Se você assistisse a uma cirurgia do tórax e tocasse em algum ponto de uma artéria aorta envelhecida, que é a principal via de acesso do sangue ao coração, sentiria que é rija (freqüentemente tão dura quanto um osso, se a arteriosclerose está avançada). Por dentro, está cheia de bolsões de gordura, as chamadas placas. Não será difícil perceber que ocorreu um erro terrível.

Como é possível diminuir a distância entre a realidade da imortalidade do ADN e a realidade da vida breve do ser humano? De fato, as duas estão muito próximas. Não existe nenhuma distância física entre nós e nosso ADN. A única distância existe em um plano que é físico, o do conhecimento.

Como já demonstrei claramente, o Maharishi Ayurveda afasta a idéia da célula como um aglomerado físico de moléculas e adota, em vez disso, a de que ela é um aglomerado de conhecimento ou saber.

O conhecimento é dinâmico. Não é um conjunto inerte, mas assume forma viva, com a constante interação dos três elementos.

Para que o conhecimento seja vivo, é necessário um agente conhecedor, um objeto do saber e o processo de conhecer que une os dois. As palavras védicas para essa trindade básica são: rishi (conhecedor), devata (processo de conhecer) e chhandas (conhecimento). Juntas, formam a totalidade do saber, ou sambita, o estado individualizado da percepção pura.

A mente humana, portanto, é uma criação tríplice em uma só. O corpo humano requer os mesmos ingredientes que se repetem em diferentes níveis da fisiologia. Você é um conhecedor, seu corpo é o objeto que é formado por seu conhecimento e as funções celulares, que ocorrem aos milhares em seu organismo, são o processo de adquirir saber.

O ADN também é um conhecedor, mas em escala diferente, parcelando seu conhecimento em forma bioquímica. Em outra escala, um glóbulo vermelho do sangue é um conhecedor, sabendo como ligar-se aos átomos de oxigênio para ser transportado a outras células do corpo.

Esse triplo modelo de conhecimento nos permite observar como uma coisa, no caso nossa inteligência interior, se diversifica em incontáveis combinações de outras.

Seus 50 trilhões de células, reunidos em uma comunidade por centenas de enzimas, proteínas, peptídeos, aminoácidos etc., representam uma demonstração 
incrível do um se transformando em muitos.

No entanto, há o perigo de perder-se nessa transformação. O "erro do intelecto" ocorre quando a mente esquece sua verdadeira fonte, a inteligência única fluindo em cada célula, e fica irremediavelmente perdida nas inúmeras outras.

Para provar que esse ponto de vista não é apenas filosófico, vamos relembrar algumas experiências renovadoras que apresentam uma solução espantosamente simples do processo de envelhecimento.

Em 1978, uma equipe de pesquisadores chegou à notável descoberta de que a Meditação Transcendental retarda o processo do envelhecimento. O estudo foi dirigido pelo dr. R. Keith Wallace, fisiologista e diretor do Departamento de Graduados em Neurociências da Maharishi International University.

Wallace estudou oitenta e quatro praticantes de meditação que estavam com 53 anos de idade, dividindo-os em dois grupos, de acordo com sua regularidade. Um grupo meditava por mais de cinco anos e o outro menos.

No processo de envelhecimento, a idade cronológica é apenas uma das medidas e não muito acurada, porque as pessoas sofrem mudanças variadas com o passar do tempo. Os médicos, portanto, costumam recorrer a uma segunda medida, a chamada idade biológica, que mede o verdadeiro índice de envelhecimento das células de alguém.

Dois moços saudáveis de vinte anos parecem quase idênticos se compararmos apenas o coração, o fígado, a pele, a visão de cada um. Porém, depois da maturidade, duas pessoas não envelhecem do mesmo modo.

Aos 60 anos, apresentam diferenças drásticas, uma sofrendo de artrite e a outra do coração, uma sendo míope e a outra não, e assim por diante. Isso significa que o envelhecimento biológico, mesmo que em teoria seja uma medida acurada, é muito difícil de ser definido sem o exame de cada órgão do corpo.

Felizmente, existem atalhos aceitos e empregados pelos fisiologistas. Wallace usou três medidas de envelhecimento que mudam de maneira muito uniforme na população em geral: visão mais próxima, acuidade auditiva e pressão sangüínea sistólica (dos vasos sangüíneos quando o coração pulsa).

Esses três processos são conhecidos pela deterioração uniforme com o tempo, sendo confiáveis para dar a idade biológica aproximada em uma determinada idade cronológica.

Seguiram-se outros estudos na Inglaterra que confirmaram a pesquisa. Em um grupo, os adeptos da meditação eram sete anos mais moços na idade biológica.

Quando as mesmas pessoas foram novamente examinadas um ano e meio depois, tinham rejuvenescido um ano e meio, o que demonstrou que cada ano de meditação diminui um na idade biológica.
Se essas descobertas forem mais largamente confirmadas, a MT será o único sistema mente-corpo a causar esse feito.

Em 1986, o dr. Jay Glaser, médico pesquisador com longa prática em meditação, decidiu estudar uma das ocorrências químicas naturais em nosso organismo que podem ter alguma ligação com a longevidade.

Ele começou a medir o nível de um hormônio esteróide chamado DHEA (deidroepian drosterona) nos adeptos de MT. Apesar das moléculas de DHEA serem comuns na corrente sanguínea, sendo centenas de vezes mais freqüentes que os hormônios masculino e feminino, sua função ainda é misteriosa.

Uma pesquisa recente verificou, no entanto, que o DHEA atinge o nível mais elevado aproximadamente aos 25 anos de idade da pessoa e declina constantemente até os 70, quando existem apenas 5 por cento.

O entusiasmo sobre esse hormônio cresceu apenas nos anos 80, quando foi injetado em altas doses em ratos de laboratório.
Ao contrário dos hormônios testados anteriormente, o DHEA mostrou notáveis propriedades contra o envelhecimento.

Os ratos velhos ficaram com aparência rejuvenescida, vigor renovado e até o pelo voltou a ficar cheio e lustroso; o câncer em fase inicial desapareceu, tanto em tumores que tinham surgindo naturalmente quanto nos provocados; os animais obesos voltaram ao peso normal; os que sofriam de diabetes melhoraram drasticamente.

Se o DHEA causar apenas parte desse efeito em pessoas, pode ser o hormônio que os cientistas estão procurando para combater a velhice. Ao contrário de pesquisas anteriores, Glaser não demonstrou interesse em extrair e vender o DHEA como uma pílula da juventude; talvez seja um projeto demorado por várias razões, inclusive efeitos colaterais do hormônio a longo prazo e a necessidade de aplicação constante de grandes doses.
Em vez disso, Glaser ficou intrigado pela produção natural do DHEA.

Ele examinou 328 praticantes de meditação e comparou seus níveis de DHEA com 1462 pessoas que não meditavam. (Para ser preciso, ele procurou o DHEAS, sulfato de deidroepiandrosterona, intimamente relacionado). Todos os que se submeteram ao teste foram catalogados de acordo com a idade e o sexo.

Nos grupos femininos, os níveis de DHEA eram bem mais elevados entre as mulheres que praticavam a meditação; o mesmo aconteceu com cada oito entre onze homens.

Como os níveis mais elevados de DHEA aparecem entre as pessoas mais moças, Glaser usou esse fato como prova de que a idade biológica, entre as examinadas, diminuía com a prática da MT.

Vale a pena salientar que as maiores diferenças surgiram nas pessoas mais idosas. Os homens com mais de 45 anos que meditavam tinham 23 por cento mais DHEA e as mulheres 47 por cento.

Isso ganha uma importância especial, pois o índice elevado de DHEA foi relacionado com a proteção contra câncer na mama.

Glaser descobriu que os praticantes de meditação mais velhos tinham a mesma quantidade de DHEA que outras pessoas cinco a dez anos mais jovens. Esse dado impressionante mostrou-se independente de alimentação, exercícios, consumo de álcool e do peso dos participantes.

Fonte: Saúde Perfeita, Deepak Chopra, Editora Best Seller, pp. 212-220. 

MEDITAÇÃO ATENCIOSA DE DEEPAK CHOPRA

Descubra sua sabedoria interior... ou apenas descanse. Trata-se de uma técnica simples de desencadear um estado de relaxamento profundo de corpo e mente. À medida que a mente se aquieta e permanece desperta você vai se beneficiar de um estado de consciência mais profundo e tranqüilo.

1. Antes de começar, encontre um local silencioso em que não vá ser perturbado.

2. Sente-se e feche os olhos.

3. Concentre-se na respiração, mas inspire e expire normalmente. Não tente controlar ou alterar a respiração deliberadamente. Apenas observe. Ao observar a respiração, vai ver que ela muda. Haverá variações na velocidade, no ritmo e na profundidade, e pode ser que ela pare por um momento. Não tente provocar nenhuma alteração. Novamente, apenas observe.

Pode ser que você se desconcentre de vez em quando, pensando em outras coisas ou prestando atenção aos ruídos externos. Se isso acontecer, desvie a atenção para a respiração.

Se durante a meditação você perceber que está se concentrando em algum sentimento ou expectativa, simplesmente volte a prestar atenção na respiração.

Pratique esta técnica durante quinze minutos. Ao final, mantenha os olhos fechados e permaneça relaxado por dois ou três minutos. Saia do estado de meditação gradualmente, abra os olhos e assuma sua rotina.

Sugiro a prática da meditação atenciosa duas vezes ao dia, de manhã e no final da tarde. Se estiver irritado ou agitado, pode praticá-la por alguns minutos no meio do dia para recuperar o eixo.

Na prática da meditação você vai por uma de três experiências. Mas deve resistir à tentação de avaliar a experiência ou sua capacidade de seguir as instruções, porque as três reações são "corretas".

Você pode se sentir entediado ou inquieto, e a mente vai se encher de pensamentos. Isso significa que emoções profundas estão sendo liberadas. Se relaxar e continuar a meditar, vai eliminar essas influências do corpo e da mente.

Você pode cair no sono. Se isso acontecer durante a meditação, é sinal de que você anda precisando de mais horas de descanso.

Você pode entrar no intervalo dos pensamentos... além do som e da respiração.

Se descansar o suficiente, mantiver a boa saúde e devotar-se todos os dias à meditação, você vai conseguir um contato significativo com o self. Vai poder se comunicar com a mente cósmica, a voz que fala sem palavras e que está sempre presente nos intervalos entre um pensamento e outro. Essa é a sua inteligência superior ilimitada, seu gênio supremo e verdadeiro, que, por sua vez, reflete a sabedoria do universo. Tudo estará a seu alcance se confiar na sabedoria interior.

Texto do livro: Saúde Perfeita

MUTANTES

"A causa da doença é geralmente muito complexa, mas uma coisa é certa: ninguém provou ainda que é necessário adoecer."

"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!"

Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente. A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.

A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse. A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.

Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos. A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.
O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.

Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: " Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."
Você quer saber como esta seu corpo hoje?
Lembre-se do que pensou ontem.
Quer saber como estará seu corpo amanhã?
Olhe seus pensamentos hoje!" 
Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!"

Texto do livro: Saúde Perfeita 

CONVITE A UMA REALIDADE SUPERIOR

Existe em cada pessoa um lugar livre de doenças, que nunca sente dor, envelhece ou morre. Quando você chega a esse lugar, as limitações que todos aceitamos deixam de existir. Ali não chegam a ser consideradas nem mesmo como possibilidade.

Esse é o lugar chamado saúde perfeita. Pode-se visitá-lo rapidamente ou demorar ali muitos anos. Mas até as visitas mais breves provocam uma profunda mudança. Enquanto você está ali as suposições verdadeiras da vida normal são alteradas e começa a fluir a possibilidade de uma existência superior, mais próxima da ideal.

O texto desse livro é para as pessoas que gostariam de explorar essa nova existência, introduzindo-a em suas vidas de forma permanente.

A causa da doença é geralmente muito complexa, mas uma coisa é certa: ninguém provou ainda que é necessário adoecer. De fato, ao contrário, entramos diariamente em contato com milhões de vírus, bactérias, alergênios e fungos, mas apenas uma fração mínima chega a nos causar doenças.

Não é raro os médicos encontrarem pacientes com virulentas bactérias agrupadas no trato respiratório sem que estejam causando nenhum mal. Elas atacam somente em raras ocasiões, quando causam a meningite, uma infecção séria do sistema nervoso central, às vezes fatal. Ninguém sabe precisamente o que provoca esse ataque, mas aparentemente é envolvido um fator misterioso chamado "controle do hospedeiro". Isto significa que nós, hospedeiros dos germes, abrimos ou fechamos de algum modo o portão para eles.

Em mais de 99,99 por cento dos casos o portão é fechado, o que demonstra que estamos bem mais perto da saúde perfeita do que imaginamos.

A principal causa de óbitos nos Estados Unidos é devida a doenças cardíacas causadas, na maioria dos casos, pelo depósito de placas que bloqueiam as artérias coronárias, que conduzem oxigênio ao coração. Quando o colesterol e outros detritos começam a obstruir as artérias, a falta de oxigênio ameaça o funcionamento normal desse órgão. No entanto, o processo de uma doença cardíaca é muito pessoal.

Uma pessoa com uma placa pequena pode ficar incapacitada pela angina; uma dor como um aperto no peito é o sintoma de uma artéria coronária doente. Outra, com vários depósitos de grandes placas capazes de bloquear quase todo o fluxo de oxigênio, não sente nada.

Sabemos de pessoas que correram maratonas com 80 por cento das artérias coronárias bloqueadas, enquanto outras morreram de ataques cardíacos com os vasos sanguíneos completamente limpos. Nossa habilidade física para repelir a doença é extremamente flexível.
Além da imunidade física do corpo, temos todos uma forte resistência emocional à doença. Eis o comentário de uma antiga paciente:
- Já li o suficiente sobre psicologia para saber que um adulto bem ajustado deve aceitar a doença, a velhice e, finalmente, a morte. Compreendi isso em um certo nível, mas não aceito a idéia emocional e instintivamente. Acho um erro terrível adoecer e deteriorar fisicamente, e sempre esperei que aparecesse alguém para corrigir isso.

Essa senhora está perto dos setenta anos de idade e mantém ainda uma excelente condição física e mental. Quando lhe perguntei o que ela ainda esperava, respondeu:
- Pode achar uma loucura, mas adoto a atitude de que não vou envelhecer ou morrer.
Isso é tão insensato? As pessoas que se consideram "ocupadas demais para adoecer" são conhecidas por ter saúde acima da média, enquanto as que se preocupam demais com doenças sucumbem a elas mais freqüentemente.

Um outro homem comentou que a idéia da saúde perfeita lhe agradava por ser uma solução criativa, talvez a única, para enfrentar os problemas normais da medicina. Sendo um executivo de sucesso do ramo eletrônico, ele considera a noção de saúde perfeita tão revolucionária quanto as idéias inovadoras que transformam empresas.

O pensamento inovador é a única forma de resolver problemas porque estabelece uma situação muito melhor ao colocar as expectativas bem acima do considerado possível, procurando depois os meios de transformá-las em realidade.
- Se as pessoas continuam a pensar e agir do mesmo modo familiar - disse o homem, podem conseguir cinco a dez por cento de melhoria ao trabalhar mais. No entanto, para conseguir o dobro ou dez vezes mais, as metas devem ser suficientemente elevadas para se dizer "Bem, se você quer um avanço tão grande, temos de fazer isso de um modo inteiramente novo.

O pensamento inovador vem sendo usado nas grandes empresas de computação do vale do Silício. Por exemplo, se um modelo comum de hardware ou software levou quatro anos para ser desenvolvido, a nova geração é programada com prazo de vinte e quatro meses. Se os defeitos de fabricação chegam apenas a cinco por cento, a meta para o futuro é "defeitos-zero". A saúde perfeita funciona exatamente assim: a meta é zerar a expectativa de defeitos e descobrir o que pode ser alcançado.

No mundo dos computadores pode ser muito mais dispendioso consertar uma máquina defeituosa do que fabricar uma sem defeito. Sendo assim, "impor a qualidade na fonte" (isto é, fazer as coisas certas desde o início) é mais sensato em negócios do que programar apenas "o suficiente".

No campo da medicina isso também é verdadeiro, pois a prevenção é menos dispendiosa do que o tratamento, tanto em termos humanos quanto econômicos. Uma pesquisa de opinião realizada em 1988 demonstrou que os americanos temem, acima de tudo, uma doença grave. O motivo não se relaciona à dor ou ao sofrimento, mas envolve a enorme despesa de uma longa estada no hospital, medicamentos e o custo devastador de uma cirurgia. Até a morte não é tão assustadora quanto uma família que fica na pobreza.

Precisamos, evidentemente, de uma nova visão médica que acredite em "qualidade na fonte" e procure promovê-la nos indivíduos.

Texto do livro: Saúde Perfeita

ÊXTASE

"Sentir êxtase é o privilégio de todos que seguiram o caminho até esse ponto, onde começa a ascensão. Se você ainda não chegou aqui, o êxtase não está dentro de sua gama comum de sentimentos."

O que discutimos até agora é como dar uma base sólida a um relacionamento através da entrega, do não apego, e da renovação da paixão. Quando duas pessoas encontram tal base de amor duradouro, estão prontas pra o próximo estágio do caminho, que chamamos de ascensão.

A ascensão baseia-se na habilidade do amor de expandir-se para além do mundo de limitações até o mundo do infinito. Antes da ascensão, 'eu' refere-se a um único indivíduo isolado no tempo e no espaço sem sentir-se aprisionada neles - passou-se por uma brecha no tempo para encontrar a eternidade. Antes da ascensão, 'você' significa alguém que podia ser amado, mas com quem você não podia se fundir. Depois da ascensão, 'nós' não tem significado, já que a união é completa.

Ascender é um processo, como se apaixonar ou estar num relacionamento. Você não é levado para o 'outro mundo'. Esse mundo é transformado num paraíso de realização, sempre em paz, sempre amoroso. O processo de ascensão não chama por nada novo de dentro de você, a não ser renunciar; a ascensão é o estágio final do abandono do apego à separação. Alguém que ascendeu alcançou a recomendação de Cristo de estar neste mundo mas não fazer parte dele.

À medida que você ascende, o amor se transforma em êxtase. Sentir êxtase é o privilégio de todos que seguiram o caminho até esse ponto, onde começa a ascensão. Se você ainda não chegou aqui, o êxtase não está dentro de sua gama comum de sentimentos. Você pode conhecer alegria, deleite, exuberância, satisfação e felicidade, mas tudo isso são sombras da experiência extasiante. Ela existe como um ideal que é mais ou menos inalcançável através de qualquer emoção que o ego possa captar.

O fato do êxtase nos levar além do ego está implícito nas raízes da própria palavra - em grego, ekstasis significa "estar ou colocar-se do lado de fora". Isso pode ser lido de duas maneiras: ou o êxtase exige que você se mova para fora de si ou está em toda a parte, esperando ser notado. Há mais de uma diferença sutil aqui. Você precisa ir a algum lugar para encontrar o êxtase, iniciando uma jornada extraordinária até reinos desconhecidos?

É isso que os místicos e poetas parecem fazer, trazendo de volta suas experiências extasiantes, como uma carga preciosa de uma terra exótica. Ou o êxtase está tão próximo que nós o perdemos porque ninguém nos mostrou como tocá-lo?

O êxtase é o estágio final da intimidade consigo mesmo. Antes da ascensão, a intimidade é alcançada se movendo na direção de alguém. Esse movimento implica uma separação, e o que aprendemos até agora é que essa separação, que parece estar entre o 'eu' e 'você', está na verdade dentro de cada um de nós. Portanto, o que os amantes realmente curam quando amam intimamente é o relacionamento consigo mesmos. Todo o tempo você esteve buscando amar a si mesmo, curar a si mesmo, perdoar a si mesmo e encontrar Deus em si mesmo. Todos os relacionamentos externos, que vêm e vão no tempo, servem a esse relacionamento eterno.

Eventualmente, nossa busca termina. Chega um momento em que experimentamos uma fusão, como Emily Dickinson descreveu de maneira tão bela: The Drop that wrestles in the Sea -
Forgets her own locality· - As I - towards Thee.
[A gota que luta no Oceano - Esquece sua própria localidade - Como eu - movendo-me na sua direção.]

Esse é o instante cristalino em que o puro amor se funde na pura devoção religiosa, pois o êxtase sobrepuja toda separação; o ego abre caminho para o puro fluxo do ser. Estar em êxtase permanentemente é conhecido em sânscrito como Moksha, que geralmente é traduzido como "libertação". Poderia igualmente ser corretamente chamado de ascensão, pois a chegada no ffinal da jornada do amor identifica você com o puro observador, testemunha e vidente que esteve com você em todos os passos do caminho, acima e além do mundo do ego e de suas necessidades.

Moksha termina com a servidão kármica; ele abole a memória individual, o desejo e a identidade no oceano cósmico. Contudo, de alguma maneira misteriosa, a liberação não é uma extinção ou aniquilação, mas um novo nascimento, um nascimento para a plenitude. Quando Moksha chega, o indivíduo percebe três coisas distintas:
Eu sou Isto,
Tu és Isto,
Tudo é Isto.

Essas afirmações simples, enunciadas pela primeira vez milhares de anos atrás nos Upanishads da Índia, são as revelações mais íntimas que o espírito pode oferecer aos humanos. A palavra Upanishad deriva de uma frase sânscrita que significa "sentar-se próximo", referindo-se ao modo como o indivíduo precisa ser atraído a Deus para compreender esses ensinamentos.

Texto do livro: O caminho para o amor 

COMO SE ENTREGAR

"O hiato entre o ego e o espírito é inevitável. Parece impossível fechar esse abismo, já que o espírito e o ego são opostos totais."

Espiritualmente, nenhuma ação é mais importante do que a entrega. A entrega é o impulso mais terno do coração, agindo a partir do amor para dar o que quer que o amado deseje. A entrega é estar alerta para o que está acontecendo exatamente agora, sem impor expectativas do passado. A entrega é a fé no poder do amor de realizar qualquer coisa, até mesmo quando não se pode prever o resultado de uma situação.

Mas entregar-se ao ego de outra pessoa, mesmo que seja o ego de seu amor, não é um ato espiritual. Existe um significado mais profundo e místico para a entrega. No nível do ego, duas pessoas não podem deixar de querer a mesma coisa o tempo todo. O seu ego quer coisas materiais, conclusões previsíveis, continuidade, segurança e prerrogativa de estar certo quando os outros estão errados. Por definição, buscar essas metas leva a outra pessoa a se fechar, a menos que ela siga os "meus" planos ou que percebe que "eu" sou a pessoa importante aqui.

O seu espírito não está envolvido nessas preocupações. Ele quer ser, amor, liberdade e oportunidades criativas. Esse é um nível inteiramente novo de desejo, e quando você o alcança, pode partilhar a si mesmo com outra pessoa sem conflito. Essa partilha é o núcleo da entrega.

A maioria das pessoas é criada para buscar metas do ego, muitas vezes sem perguntas. A escolha de permanecer nesse nível está sempre aberta. Mas você também tem a escolha de seguir adiante até o plano do espírito, com suas metas bastante diferentes. O hiato entre o ego e o espírito é inevitável. Parece impossível fechar esse abismo, já que o espírito e o ego são opostos totais. Reuni-los é alcançado através da entrega, portanto, é a próxima fase da jornada do amor, que você adentra assim que escolhe estar num relacionamento.

A maioria das pessoas se encontra não no romance mas num relacionamento de longo termo, geralmente o casamento. Esta fase ocupa muito mais de nossa vida do que a paixão poderia fazer. Se apaixonar é uma breve abertura para o espírito, relacionamentos longos são o grande platô que vem em seguida - designaremos esse platô simplesmente por compromisso.

O compromisso é extremamente difícil para muitas pessoas e incontáveis motivos psicológicos foram dados para isso. Mas a dificuldade espiritual do compromisso é que joga o indivíduo diretamente no abismo entre o ego e o espírito. Cada pessoa leva para um casamento uma reunião complexa de necessidades do ego; o marido pode ser amoroso e gentil, mas seu ego exige que a vida se desdobre de acordo com certas expectativas e o mesmo pode ser verdade para a esposa. Um relacionamento baseado na necessidade não é amor. Ou os dois egos precisam viver numa trégua intranqüila ou devem encontrar outra maneira - a entrega.

Durante a fase anterior do romance, havia uma sensação de ter sido escolhido, como se uma força irresistível houvesse invadido seu coração, mas no relacionamento o caminho para o amor não é automático. É preciso escolher, dia a dia, permencer nele. Em vez de ver a entrega em termos de outra pessoa, devíamos chamá-la de entrega ao acaminho. Portanto, as compreensões que surgem num relacionamento dedicado são ligadas ao caminho:

Você está num caminho único criado entre você e seu (sua) amado (a).

Você descobre o caminho não pensando, sentindo ou fazendo, mas se entregando.

A entrega revela os impulsos do espírito por trás da máscara do ego.

O caminho para o amor usa o relacionamento para tirar você de seu senso limitado de "eu" e "meu" para uma identidade expandida - esse é o crescimento do eu pra o Eu.

Texto do livro: O caminho para o amor

ENAMORAMENTO

"É impossível não notar paralelo entre a inebriação de um amante e a de um santo. É nessa fase do enamoramento que os amantes dizem que adoram um ao outro."

Quando a atração chega ao ápice, a fase conhecida como enamoramento começa. É o estágio mais delirante do amor - imortalizado por Romeu e Julieta, Cyrano de Bergerac e milhares de amantes no cinema mas também é o mais controverso. É uma época de emoções extravagantes e de otimismo selvagem. A consciência das fronteiras e limitações cai por terra, substituída por um idealismo impossível, pelo menos do ponto de vista de um observador externo.

Para sua família, Julieta não era o sol ou a lua, e a obsessão de Romeu por ela era um perigo para a virtude e segurança de uma jovem. Mas os padrões externos não têm importância nenhuma nessa fase. Amantes enamorados ficam tão concentrados em suas emoções inebriadas que mal conseguem comer ou dormir, e seu trabalho torna-se apenas uma distração de seu amor voraz.

O enamoramento pode ser tão extremo porque é uma liberação da constrição sem amor que chamamos de normalidade. Em termos espirituais, estar enamorado significa ver a outra pessoa como Deus, um ser divino que merece ser adorado. Na Índia antiga, ver verdadeiramente o divino e ser banhado em sua irradiação era chamado de Bhakti, ou devoção.

Desde os hinos devocionais do Rig Veda, o mais antigo registro de adoração humana, até o presente, a Bhakti tem sido de longe o meio mais popular de se aproximar de Deus. A adoração religiosa, na forma de orações, oferendas e celebrações, é a razão da vida do verdadeiro bhakta, que não pede nada além de embebedar-se do Senhor.

No Antigo Testamento, quando Salomão, o poeta do Cântico dos Cânticos, faz rapsódias sobre seu amor por Deus, suas palavras são tão românticas como se ele estivesse louco por uma mulher. 
"Você me dividiu em dois, abriu meu coração, me encheu de amor.
Você derramou seu espírito em mim;
Eu conhecia você como conheço a mim mesmo."

É impossível não notar paralelo entre a inebriação de um amante e a de um santo. É nessa fase do enamoramento que os amantes dizem que adoram um ao outro. "Estou amando o amor", declarou santo Agostinho, ecoando as paixões de um milhão de amantes seculares.
O que torna o amor romântico tão religioso é esse senso de fusão.

Derramar um espírito no outro produz um êxtase delirante dos mais intensos. Talvez não haja palavra mais recorrente durante o delírio do enamoramento do que novo. A liberação de antigos limites é como um nascimento que torna novas todas as coisas.

A fonte dessa novidade não é uma nova pessoa, mas uma alteração na percepção. A sensação de fundir-se com outra pessoa vem do cérebro. Até hoje, não temos explicação bioquímica para o caráter súbito e a força dessa alteração, muito embora pesquisadores tenham descoberto que neuropeptídeos associados com prazer intenso - em particular a serotonina - são elevados nos amantes.

Respostas imunológicas ampliadas nos amantes também são bem conhecidas para os pesquisadores médicos. No entanto, o paradigma científico não é capaz de explicar o modo como o amor romântico pode abolir as muralhas de separação que definem o ego. Há uma tendência irreversível, desde a primeira infância, para criar uma distinção cada vez mais forte entre entidades chamadas de 'eu' e 'você'.

Geralmente, não consideramos a separação natural entre "eu" e "você" uma fonte de sofrimento. No entanto, não existe agonia maior para o bhakta, ou devoto, do que estar distante de Deus. No romance também o término da separação é tão libertador que possui o poder de uma iluminação religiosa. Isso não significa que todos que se apaixonam ficam assim. Às vezes, a atração vai aumentando lentamente, e outras vezes o enamoramento pode ser unilateral.

Quando o objeto amoroso não responde, o enamoramento torna-se uma preocupação autocentrada com fantasias. Contudo, os mestres espirituais declararam que mesmo quando o amor é correspondido, a pessoa é verdadeiramente inspirada por seu próprio Eu Superior. O motivo por que a expressão Eu Supenor é mais apropriada do que a palavra alma é porque ela acentua como a jornada do amor está totalmente contida dentro do próprio ser do indivíduo.

As compreensões dessa fase estão centradas na fusão extática do eu com o Eu:

Fundir-se com outra pessoa é uma ilusão; fundir-se com o Eu Superior é a suprema realidade.

Se o enamoramento é loucura, a sanidade torna-se pálida a seu lado.

A visão enamorada dos atuantes é como a visão sagrada dos santos.

Texto do livro: O caminho para o amor

Autor(a): Deepak Chopra

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA