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LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

FERNANDO PESSOA
publicado em: 28/12/2016 por: Lou Micaldas

 
 
Sonhe com as estrelas,
 apenas sonhe,
 elas só podem brilhar no céu.
 Não tente deter o vento,
 ele precisa correr por toda parte,
 ele tem pressa de chegar, sabe-se lá aonde.
 As lágrimas?
 Não as seque,
 elas precisam correr na minha,
 na sua, em todas as faces.
 O sorriso!
 Esse, você deve segurar,
 não o deixe ir embora, agarre-o!
 Persiga um sonho,
 mas, não o deixe viver sozinho.
 Alimente a sua alma com amor,
 cure as suas feridas com carinho.
 Descubra-se todos os dias,
 deixe-se levar pelas vontades,
 mas, não enlouqueça por elas.
 Abasteça seu coração de fé,
 não a perca nunca.
 Alargue seu coração de esperanças,
 mas, não deixe que ele se afogue nelas.
 Se achar que precisa voltar, volte!
 Se perceber que precisa seguir, siga!
 Se estiver tudo errado, comece novamente.
 Se estiver tudo certo, continue.
 Se sentir saudades, mate-as.
 Se perder um amor, não se perca!
 Se o achar, segure-o!
 Circunda-se de rosas, ama, bebe e cala.
 O mais é nada.
Fernando Pessoa
 
(698)
 
 O ruído vário da rua
 Passa alto por mim que sigo.
 Vejo: cada coisa é sua
 Oiço: cada som é consigo.
 
 Sou como a praia a que invade
 Um mar que torna a descer.
 Ah, nisto tudo a verdade
 É só eu ter que morrer.
 
 Depois de eu cessar, o ruído.
 Não, não ajusto nada
 Ao meu conceito perdido
 Como uma flor na estrada.
 
(699)
 
 Cheguei à janela
 Porque ouvi cantar.
 É um cego e a guitarra
 Que estão a chorar.
 
 Ambos fazem pena,
 São uma coisa só
 Que anda pelo mundo
 A fazer ter dó.
 
 Eu também sou um cego
 Cantando na estrada,
 A estrada é maior
 E não peço nada.

Autor(a): Fernando Pessoa
Colaborador(a): Laura Lellis

 

 

 

 

 

 


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