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LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

FERNANDO PESSOA
publicado em: 28/12/2016 por: Lou Micaldas

O ÚLTIMO SORTILÉGIO

NAVEGUE...

PALCO DA VIDA 

SONHE COM AS ESTRELAS, APENAS SONHE,... 

O CEGO E A GUITARRA

O ÚLTIMO SORTILÉGIO

"Já repeti o antigo encantamento,
E a grande Deusa aos olhos se negou. 
Já repeti, nas pausas do amplo vento, 
As orações cuja alma é um ser fecundo. 
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou. 
Só o vento volta onde estou toda e só, 
E tudo dorme no confuso mundo.

"Outrora meu condão fadava, as sarças 
E a minha evocação do solo erguia 
Presenças concentradas das que esparsas 
Dormem nas formas naturais das coisas. 
Outrora a minha voz acontecia.
Fadas e elfos, se eu chamasse, via.
E as folhas da floresta eram lustrosas.

"Minha varinha, com que da vontade
Falava às existências essenciais,
Já não conhece a minha realidade.
Já, se o círculo traço, não há nada. 
Murmura o vento alheio extintos ais,
E ao luar que sobe além dos matagais
Não sou mais do que os bosques ou a estrada.

"Já me falece o dom com que me amavam.
Já me não torno a forma e o fim da vida
A quantos que, buscando-os, me buscavam.
Já, praia, o mar dos braços não me inunda.
Nem já me vejo ao sol saudado ergUida,
Ou, em êxtase mágico perdida, 
Ao luar, à boca da caverna funda.

"Já as sacras potências infernais,
Que, dormentes sem deuses nem destino,
À substância das coisas são iguais,
Não ouvem minha voz ou os nomes seus. 
A música partiu-se do meu hino.
Já meu furor astral não é divino
Nem meu corpo pensado é já um deus.

"E as longínquas deidades do atro poço, 
Que tantas vezes, pálida, evoquei
Com a raiva de amar em alvoroço, 
lnevocadas hoje ante mim estão.
Como, sem que as amasse, eu as chamei, 
Agora, que não amo, as tenho, e sei
Que meu vendido ser consumirão.

"Tu, porém, Sol, cujo ouro me foi presa, 
Tu, Lua, cuja prata converti,
Se já não podeis dar-me essa beleza
Que tantas vezes tive por querer,
Ao menos meu ser findo dividi 
Meu ser essencial se perca em si,
 Só meu corpo sem mim fique alma e ser!

 "Converta-me a minha última magia
 Numa estátua de mim em corpo vivo! 
 Morra quem sou, mas quem me fiz e havia, 
 Anônima presença que se beija,
 Carne do meu abstrato amor cativo,
 Seja a morte de mim em que revivo;
 E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!"

NAVEGUE...

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar
necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".

PALCO DA VIDA

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior riqueza do mundo.

E  somente você pode evitar que ela vá a falência.

Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.

Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.

Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um não.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.

É ter maturidade para falar eu errei.

É ter ousadia para dizer me perdoe.

É ter sensibilidade para expressar eu preciso de você.

É ter capacidade de dizer eu te amo.

É ter humildade da receptividade.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz . . .

E, quando você errar o caminho, recomece.

Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita.

Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.

Usar as falhas para lapidar o prazer.

Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.

Jamais desista das pessoas que você ama.

Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

SONHE COM AS ESTRELAS, APENAS SONHE,...

Sonhe com as estrelas,
 apenas sonhe,
 elas só podem brilhar no céu.
 Não tente deter o vento,
 ele precisa correr por toda parte,
 ele tem pressa de chegar, sabe-se lá aonde.
 As lágrimas?
 Não as seque,
 elas precisam correr na minha,
 na sua, em todas as faces.
 O sorriso!
 Esse, você deve segurar,
 não o deixe ir embora, agarre-o!
 Persiga um sonho,
 mas, não o deixe viver sozinho.
 Alimente a sua alma com amor,
 cure as suas feridas com carinho.
 Descubra-se todos os dias,
 deixe-se levar pelas vontades,
 mas, não enlouqueça por elas.
 Abasteça seu coração de fé,
 não a perca nunca.
 Alargue seu coração de esperanças,
 mas, não deixe que ele se afogue nelas.
 Se achar que precisa voltar, volte!
 Se perceber que precisa seguir, siga!
 Se estiver tudo errado, comece novamente.
 Se estiver tudo certo, continue.
 Se sentir saudades, mate-as.
 Se perder um amor, não se perca!
 Se o achar, segure-o!
 Circunda-se de rosas, ama, bebe e cala.
 O mais é nada.

O CEGO E A GUITARRA

(698)

 O ruído vário da rua
 Passa alto por mim que sigo.
 Vejo: cada coisa é sua
 Oiço: cada som é consigo.

 Sou como a praia a que invade
 Um mar que torna a descer.
 Ah, nisto tudo a verdade
 É só eu ter que morrer.

 Depois de eu cessar, o ruído.
 Não, não ajusto nada
 Ao meu conceito perdido
 Como uma flor na estrada.

(699)

 Cheguei à janela
 Porque ouvi cantar.
 É um cego e a guitarra
 Que estão a chorar.

 Ambos fazem pena,
 São uma coisa só
 Que anda pelo mundo
 A fazer ter dó.

 Eu também sou um cego
 Cantando na estrada,
 A estrada é maior
 E não peço nada.

Autor(a): Fernando Pessoa
Colaborador(a): Laura Lellis / Zeca Pizzolato

 

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