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LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

IVAN JUNQUEIRA
publicado em: 07/10/2016 por: Lou Micaldas

 
Sexto ocupante da Cadeira nº 37, eleito em 30 de março de 2000, na sucessão de João Cabral de Melo Neto e recebido em 7 de julho de 2000 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Recebeu o Acadêmico Antonio Carlos Secchin.
 
Ivan Junqueira nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 3 de novembro de 1934. Aqui realizou seus primeiros estudos, ingressando em seguida nas faculdades de Medicina e de Filosofia da Universidade do Brasil, cujos cursos, porém, não chegou a concluir. Iniciou-se no jornalismo em 1963, como redator da Tribuna da Imprensa, tendo atuado depois no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, nos quais foi redator e sub-editor até 1987. Assessor de imprensa e depois diretor do Centro de Informações das Nações Unidas no Rio de Janeiro entre 1970 e 1977, tornou-se mais tarde supervisor editorial da Editora Expressão e Cultura e diretor do Núcleo Editorial da UERJ, além de colaborador da Enciclopédia Barsa, Encyclopaedia Britannica, Enciclopédia Delta Larousse, Enciclopédia do Século XX, Enciclopédia Mirador Internacional e Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, este último editado pelo CPDOC, da Fundação Getulio Vargas. Foi também assessor de Rubem Fonseca na Fundação Rio.
 
Como crítico literário e ensaísta, tem colaborado em todos os grandes jornais e revistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, bem como em publicações especializadas nacionais e estrangeiras, entre elas Colóquio Letras, Revista do Brasil, Senhor, Leitura e Iberomania. Em 1984 foi escolhido como a “Personalidade do Ano” pela UBE. Assessor da Fundação Nacional de Artes Cênicas (Fundacen) de 1987 a 1990, no ano seguinte transferiu-se para a Fundação Nacional de Arte (Funarte), onde foi editor da revista Piracema e chefe da Divisão de Texto da Coordenação de Edições, tendo se aposentado do serviço público em 1997. Foi ainda editor adjunto e depois editor executivo da revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional (1993-2002).
 
Conferencista, realizou palestras no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Manaus, São Luís, Brasília, Recife, Porto Alegre, Passo Fundo, Florianópolis, Petrópolis, Buenos Aires, Santiago do Chile, Santiago de Compostela, Madri Roma, Póvoa de Varzim e Lisboa, onde, em 1994, abriu o Projeto Camões, patrocinado pelo Instituto Camões e a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, ocasião em que ministrou, na Biblioteca Nacional da capital portuguesa, o curso “A Rainha Arcaica: uma interpretação mítico-metafórica”, além de realizar recitais de poesia na Casa de Fernando Pessoa e no Palácio da Fronteira. No ano seguinte voltou a participar do Projeto Camões, tendo proferido conferências em Coimbra, Porto, Vila Real, Lisboa e Ponte de Sor. De 1995 a 1997 tomou parte no Projeto Ponte Poética Rio–São Paulo, de que constavam leituras comentadas de poemas de sua autoria e palestras. Ainda em 1995 recebeu da UFRJ, por unanimidade de votos, o diploma de “Notório Saber”, tendo ali participado também do ciclo de palestras “Os Poetas”. De 1996 a 1997 participou, como poeta e ensaísta, das “Rodas de Leitura” do CCBB e organizou, naquele último ano, com Moacyr Félix e Leonardo Fróes, as “Quintas de Poesia”, sob o patrocínio da Funarte. Em 1998 foi curador do Programa de Co-Edições da Fundação Biblioteca Nacional, que possibilitou a publicação de 35 títulos de autores das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, onde, entre 2000 e 2003, realizou diversas conferências. Foi Tesoureiro (2001), Secretário-Geral (2002-03 e 2008-09) e Presidente da ABL (2004-05).
 
Membro titular do PEN Club do Brasil e da Academia Brasileira de Filosofia.É sócio do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro e do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, além de sócio de honra da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, membro do Conselho Estadual de Cultura e Grande Benemérito do Real Gabinete Português de Leitura. Recebeu vários prêmios literários: Prêmio Nacional de Poesia, do INL (1981); Prêmio Assis Chateaubriand, da ABL (1985); Prêmio Nacional de Ensaísmo Literário, do INL (1985); Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (1991); Prêmio da Biblioteca Nacional (1992); Prêmio José Sarney de poesia inédita, do Memorial José Sarney (1994); Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1995, 2005, 2008 e 2010); Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil (1995); Prêmio Oliveira Lima, da UBE (1999); Prêmio Jorge de Lima, da UBE (2000); e Troféu Aimberê (Personalidade Intelectual do Ano), do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro (2004);Prêmio Categoria Internacional da UBE (2006).  Em 1998 recebeu a Medalha Cruz e Souza, da municipalidade de Florianópolis, e, em 1999, a Medalha Paul Claudel, da UBE. Em 2002 foi o patrono do IV Concurso Nacional de Poesia Viva, patrocinado pelo jornal Poesia Viva. Recebeu ainda, em 2005, a Medalha Manuel Bandeira, da UBE (Seção de Pernambuco).Menção Honrosa do Prêmio Alceu Amoroso Lima (2010).
 
Em 23 de junho de 2005 participou em Paris da sessão conjunta da Academia Brasileira de Letras e da Académie Française, ocasião em que lhe foi concedida a Medalha de Richelieu, a mais alta condecoração daquela instituição. Representou o Brasil no Festival Mundial de Poesia, realizado em Santiago do Chile entre 18 e 24 de outubro de 2005. Ainda neste último ano, foram-lhe outorgados a Medalha do Pacificador Sergio Vieira de Mello, do Parlamento Mundial para a Segurança e a Paz, e o Colar do Mérito Judiciário, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
 
Em 2006 e 2009 participou do Colóquio Internacional Correntes d´Escrita, em Póvoa de Varzim, Portugal.
 Em 2007 foi conferencista na Feira do Livro de Santiago do Chile e jurado do Prêmio Casa de Las Américas, em Havana, Cuba. Em 2009 pronunciou conferência no Seminário “Machado de Assis e Guimarães Rosa: um século de história”, realizado em Roma. Foi ainda agraciado com a Medalha Machado de Assis (ABL,2008), Medalha Euclides da Cunha (ABL, 2009), Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais, 2009), Medalha da Cidade de Ponte de Sor (Portugal, 2007), Medalha Fernando Pessoa (Portugal, 2008), Medalha Gonçalves Dias (2008), Medalha do Centenário da Academia Mineira de Letras (2009) e Medalha do Centenário da Academia Maranhense de Letras (2009); Medalha do Inconfidente do Governo do Estado de Minas Gerais (2010).
 Em 2010 participou do encontro anual entre a ABL e a Academia de Ciências de Lisboa, ocasião em que proferiu a conferência “Gilberto Freyre e o colonizador português”.
 
Sua poesia já foi traduzida para o espanhol, alemão, francês, inglês, italiano, dinamarquês, russo e chinês.
 
 
Que será o poema,
 essa estranha trama
 de penumbra e flama
 que a boca blasfema?
 
 Que será, se há lama
 no que escreve a pena,
 ou lhe aflora à cena
 o excesso de um drama?
 
 Que será o poema:
 uma voz que clama?
 Uma luz que emana?
 Ou a dor que o algema?
 
 
 Talvez o vento saiba dos meus passos,
  das sendas que os meus pés já não abordam,
  das ondas cujas cristas não transbordam
  senão o sal que escorre dos meus braços.
  As sereias que ouvi não mais acordam
  à cálida pressão dos meus abraços,
  e o que a infância teceu entre sargaços
  as agulhas do tempo já não bordam.
 
 Só vejo sobre a areia vagos traços
  de tudo o que meus olhos mal recordam
  e os dentes, por inúteis, não concordam
  sequer em mastigar como bagaços.
 
 Talvez se lembre o vento desses laços
  que a dura mão de Deus fez em pedaços.

Autor(a): Ivan junqueira
Fonte: www.academia.org.br

 

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