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LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

J. G. DE ARAÚJO JORGE
publicado em: 30/11/2018 por: Lou Micaldas

BIOGRAFIA 
MANHÃ PARA SER FELIZ 

RAZÕES DE AMOR 
E O RESTO É SILÊNCIO... 
TÉDIO
A SÓS... 

PRIMAVERA

BIOGRAFIA

Nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre. Filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge e Zilda Tinoco de Araujo Jorge.

Descendente, pelo lado paterno de tradicional família alagoana, os Araujo Jorge. Sobrinho do embaixador Artur Guimarães de Araujo Jorge, (autor de inúmeras obras sobre Filosofia, História e Diplomacia), sobrinho neto de Adriano de Araujo Jorge, médico, escritor, grande orador, que foi Presidente perpétuo da Academia Amazonense de Letras, e do Prof. Afrânio de Araujo Jorge, fundador do Ginásio Alagoano, de Maceió.

Descende pelo lado materno dos Tinocos, dos Caldas e dos Gonçalves, de Campos, Macaé, e S. Fidélis, Estado do Rio.

Passou sua infância no Acre, em Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar, 7 de Setembro. No Rio, realizou o curso secundário nos Colégios Anglo-Americano e Pedro II Colaborou desde menino na imprensa estudantis. Foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II, no velho casarão de S.Cristovão, consumido pelas chamas muitos anos depois. Data dessa época, ainda ginasiano, sua primeira colaboração na imprensa adulta: em 1931 viu publicado o seu poema "Ri Palhaço, Ri" no "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932.

Entretanto, este como outros trabalhos desse tempo, não foram incluídos em seus livros. Colaborou também no jornal "A Nação"; nas revistas: "Carioca", "Vamos Ler", etc. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

Em 1932, No Externato Colégio Pedro II, em memorável certame, foi escolhido o "Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto, "Príncipe dos prosadores brasileiros" recebendo das mãos da poetisa Ana Amélia, Presidente da Casa do Estudante, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira, então " Príncipe da Poesia Brasileira".

Na Faculdade de Direito foi o fundador e o 1º Presidente da Academia de Letras, que teve como patrono Afrânio Peixoto, então professor de Medicina Legal.

Foi locutor e redator de programas radiofônicos, atuando nas Rádios Nacional, Cruzeiro do Sul, Tupi e Eldorado. Em 1965, era professor de História e Literatura, do Colégio Pedro II.

Orador oficial de entidades universitárias, (do CACO da União Democrática Estudantil, precursora da UNE, da Associação Universitária, etc), ainda estudante, venceu concursos de oratória. Em Coimbra recebeu no título de " estudante honorário" e fez Curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim.

Com irrefreável vocação política, foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal em 1970 pela Guanabara, reelegendo-se já para o seu terceiro mandato em 1978.

Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados.

Politicamente participou sempre das lutas anti-fascistas, como democrata e socialista. Lutou, ainda estudante, contra o "Estado Novo". Foi preso e perseguido várias vezes durante esse período. Deixou de ser orador de sua turma por estar detido na Vila Militar, sob as ordens do Gal. Newton Cavalcanti, durante todo "estado de guerra" de 1937.

Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático.
Foi um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil.

Faleceu em 27 de Janeiro de 1987.

MANHÃ PARA SER FELIZ 

Esta é uma manhã para ser feliz
em um lugar, de algum modo,
é uma manhã para ser feliz...

Esta é uma manhã para dois, para dois juntos
abraçados e tontos, num remoinho
não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores,
de tudo envergonhado porque estou sozinho... 

Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens,
na transparência do ar,
neste azul do céu, imaculado,
na beleza das coisas tocadas de sonho
e imaturidade... 

Uma manhã de festa
para ser feliz de verdade!
Esta é uma manhã
para te Ter ao meu lado... 

Quando Deus fez uma manhã como esta
estava com certeza apaixonado...

Extraído do livro Espera - 1960

RAZÕES DE AMOR

Gosto de ti desesperadamente:
dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrósias, brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar -
branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
- do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem
esses desejos da gente...
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés)
- gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...

Poema extraído do livro A SÓS... 1958
Fonte: www.jgaraujo.com.br
Enviado por José Barbosa Chaves

E O RESTO É SILÊNCIO...

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos 
como dois pássaros na sombra, recolhidos 
ao mesmo ninho, 
como dois caminhos na noite, dois caminhos 
que se juntam 
num mesmo caminho... 

. Já não ouso... já não coras... 
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha 
que qualquer palavra bateria estranha 
como um viajante, altas horas...

Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos 
silenciaram seus carinhos...

Estamos um no outro 
como se estivéssemos sozinhos...

A SÓS...

A sós 
como duas gaivotas 
na solidão do céu, 
em pleno mar, 
sonhando no ar...

A sós, 
lado a lado, sem alarde, 
como dois pássaros num alto ramo, 
ao cair da tarde...

A sós 
como duas mãos quando se procuram 
e se encontram,  
sem voz...

Como eu e tu 
quando somos nós

a sós...

TÉDIO

Vontade preguiçosa de apanhar meus nervos
e fechar os meus olhos, como que cansado de olhar...
e dormir, mas dormir esse sono das pedras
que não podem sonhar...
ser folha, folha morta, amarela, caindo embalada pelo ar...
barco solto, sem leme, sem vela, sem nada
ao sabor inconstante do mar a boiar...
Vontade preguiçosa de encostar a vida num canto,
para descansar...
E soltar-me em mim mesmo, e soltar-me,
e cair e deixar-me ficar,
sem ter vontade ao menos para bocejar...
Ah!...
Vontade preguiçosa de não terminar
estes versos morrendo em ar...
em ar... em ar...

PRIMAVERA 

O teu amor, querida,
fez um dia de primavera
neste começo de outono
que é a minha vida.
E do ramo, de onde as primeiras folhas se soltavam
pálidas, sem cor,
surgiu uma flor imprevista:
o teu amor...
Teu amor chegou assim, como uma coisa que no fundo
se deseja
mas não se espera,
emocionando o coração, neste começo de outono
como um dia de primavera!

Extraído do livro: Poemas do Amor Ardente" 1961

Fonte: http://www.jgaraujo.com.br/biografia

 

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