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LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

JOAQUIM CARDOZO
publicado em: 25/11/2016 por: Lou Micaldas

BIOGRAFIA

POEMA

IMAGENS DO NORDESTE

 

BIOGRAFIA

Joaquim Cardozo. Poeta, dramaturgo, engenheiro calculista. Nasceu no Recife em 26 de agosto de 1897 Grande estudioso e conhecedor da matemática, em cujo domínio penetrou com grande sensibilidade poética, inovou os métodos tradicionais do cálculo estrutural. Viabilizou, assim, a execução de obras complexas da arquitetura moderna, como as de Oscar Niemeyer. Calculou, para o arquiteto, as obras do Conjunto Pampulha, em Minas e, em Brasília, o Palácio da Alvorada, a Catedral, a cúpula do Congresso Nacional e o Itamarati, entre outras.

Publicou os seguintes livros: “Poemas” (1947); “Pequena antologia pernambucana” (1948); “Signo Estrelado” (1960); “Coronel de Macambira” (1963); “De uma noite de festa” (1971); “Poesias Completas” (1971); “Os anjos e os demônios de Deus” (1973 ); “O capataz de Salema”, “Antonio Conselheiro”, “Marechal, boi de carro” (1975); “O interior da matéria” (1976); “Um livro aceso e nove canções sombrias” (1981, póstumo).

Faleceu em Olinda em 4 de novembro de 1978.

POEMA

 Eu não quero o teu corpo
 Eu não quero a tua alma,
 Eu deixarei intato o teu ser a tua pessoa inviolável
 Eu quero apenas uma parte neste prazer
 A parte que não te pertence.

IMAGENS DO NORDESTE

Sobre o capim orvalhado
Por baixo das mangabeiras
Há rastros de luz macia:
Por aqui passaram luas,
Pousaram aves bravias.

Idílio de amor perdido,
Encanto de moça nua
Na água triste da camboa;
Em junhos do meu Nordeste
Fantasma que me povoa.

Asa e flor do azul profundo,
Primazia do mar alto,
Vela branca predileta;
Na transparência do dia
És a flâmula discreta.

És a lâmina ligeira
Cortando a lã dos cordeiros,
Ferindo os ramos dourados;
– Chama intrépida e minguante
nos ares maravilhados.

E enquanto o sol vai descendo
O vento recolhe as nuvens
E o vento desfaz a lã;
Vela branca desvairada,
Mariposa da manhã.

Velho calor de Dezembro,
Chuva das águas primeiras
Feliz batendo nas telhas;
Verão de frutas maduras,
Verão de mangas vermelhas.

A minha casa amarela
Tinha seis janelas verdes
Do lado do sol nascente;
Janelas sobre a esperança
Paisagem, profundamente.

Abri as leves comportas
E as águas duras fundiram;
Num sopro de maresia
Viveiros se derramaram
Em noites de pescaria.

Camarupim, Mamanguape,
Persinunga, Pirapama,
Serinhaém, Jaboatão;
Cruzando barras de rios
Me perdi na solidão.

Me afastei sobre a planície
Das várzeas crepusculares;
Vi nuvens em torvelinho,
Estrelas de encruzilhadas
Nos rumos do meu caminho.

............................................................

Salinas de Santo Amaro,
Ondas de terra salgada,
Revoltas, na escuridão,
De silêncio e de naufrágio
Cobrindo a tantos no chão.

Terra crescida, plantada
De muita recordação.

Autor(a): Joaquim Cardozo

 

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