Logomarca Velhos Amigos
LITERATURA / AUTORES CÉLEBRES

OLAVO BILAC
publicado em: 16/03/2017 por: Lou Micaldas

Olavo Bilac – poeta símbolo do Parnasianismo, jornalista e inspetor de ensino – foi chamado de “O Príncipe dos poetas brasileiros”.

Olavo Brás Martins Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865. Era filho de Brás Martins dos Guimarães e Delfina Belmira Gomes de Paula. Até descobrir sua verdadeira vocação, Bilac tentou ser médico e advogado, mas abandonou as duas carreiras ainda na fase acadêmica. Após as tentativas profissionais frustradas, Bilac encontrou-se como jornalista e poeta.  

O jornalista Olavo Bilac trabalhou em diversas revistas e jornais, sendo que, em um deles, a Gazeta de Notícias, substituiu Machado de Assis na seção “Semana”. Embora tenha tido sucesso como jornalista, seu destaque, sem dúvida, foi na poesia.

Olavo Bilac não iniciou o Parnasianismo, já que o ápice de produção desse estilo literário foi em 1800. Entretanto, quando publicou “Poesias”, em 1888, consagrou-se como ícone parnasiano. Seguindo a tendência da Escola Parnasiana, em suas obras não faltavam os temas greco-romanos e os sonetos (composição cujas duas primeiras estrofes possuem quatro versos e as duas últimas, três versos). Leia a seguir um dos poemas da obra “Poesias”, o soneto “Via Láctea”:
 
VIA LÁCTEA
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Olavo Bilac foi eleito “o Príncipe dos poetas brasileiros” em razão de sua popularidade. Nos saraus e salões literários típicos da época, seus sonetos eram exaustivamente declarados. Segundo o poeta Manuel Bandeira, isso ocorreu em virtude da fluência de Bilac na linguagem e na métrica, além de sua sensualidade sempre à flor da pele. Para Bandeira, esse conjunto tornava-o muito acessível ao grande público. Embora fosse Parnasiano de alma, possuía uma sensibilidade próxima ao subjetivismo romântico. Veja isso no poema “Um beijo”:

UM BEIJO
Foste o beijo melhor da minha vida, 
ou talvez o pior...Glória e tormento, 
contigo à luz subi do firmamento, 
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida: 
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, 
e do teu gosto amargo me alimento, 
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, 
batismo e extrema-unção, naquele instante 
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, 
beijo divino! e anseio delirante, 
na perpétua saudade de um minuto...

Olavo Bilac era um grande nacionalista e orador eloquente, que defendeu importantes causas políticas, a de maior destaque foi a luta em prol do serviço militar obrigatório. Em 1889, escreveu o "Hino à Bandeira", mostrando todo o seu amor pela pátria. Entretanto, o hino seguiu as características parnasianas, apresentando linguagem culta e rebuscada. No final do poema, há um glossário que objetiva facilitar a leitura.
 
HINO À BANDEIRA
“Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da  Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amados,
poderoso e feliz há de ser!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!”
 
Olavo Bilac faleceu aos 53 anos, no dia 28 de dezembro de 1918, em sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Entretanto, seus poemas permaneceram vivos na Literatura Brasileira, sendo impossível falar no Parnasianismo Brasileiro sem falar em Olavo Bilac.
 
OUTRAS OBRAS DO ESCRITOR:
 
 
Olha estas velhas árvores, - mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas,
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E a alegria das aves tagarelas...

Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem.

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!
 

Armas, num galho de árvore, o alçapão.
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.
Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho mudo, arrepiado e triste, sem cantar?
É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender.
Se os pássaros falassem, talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer:
"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.
Da selva em que nasci; da mata entre os verdores, tenho frutos e flores, sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade... Quero voar! Voar! ..."
Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...
 
                       

"E tremo à mezza state, ardendo inverno"
Petrarca
Tenho frio e ardo em febre!
O amor me acalma e endouda!
O amor me eleva e abate!
Quem há que os laços, que me prendem, quebre?
Que singular, que desigual combate!
Não sei que ervada flecha
Mão certeira e falaz me cravou com tal jeito,
Que, sem que eu a sentisse, a estreita brecha
Abriu, por onde o amor entrou meu peito.
O amor me entrou tão cauto
O incauto coração, que eu nem cuidei que estava,
Ao recebê-lo, recebendo o arauto
Desta loucura desvairada e brava.
Entrou.
E, apenas dentro,
Deu-me a calma do céu e a agitação do inferno...
E hoje... ai de mim!, que dentro em mim concentro
Dores e gostos num lutar eterno!
O amor,
Senhora, vede:
Prendeu-me.
Em vão me estorço, e me debato, e grito;
Em vão me agito na apertada rede...
Mais me embaraço quanto mais me agito! Falta-me o senso: a esmo,
Como um cego, a tatear, busco nem sei que porto:
E ando tão diferente de mim mesmo,
Que nem sei se estou vivo ou se estou morto.
Sei que entre as nuvens paira
Minha fronte, e meus pés andam pisando a terra;
Sei que tudo me alegra e me desvaira,
E a paz desfruto, suportando a guerra.
E assim peno e assim vivo:
Que diverso querer!
Que diversa vontade!
Se estou livre, desejo estar cativo;
Se cativo, desejo a liberdade!
E assim vivo, e assim peno:
Tenho a boca a sorrir e os olhos cheios de água;
E acho o néctar num cálix de veneno,
A chorar de prazer e a rir de mágoa.
Infinda mágoa!
Infindo Prazer!
Pranto gostoso e sorrisos convulsos!
Ah! Como dói assim viver, sentindo
Asas nos ombros e grilhões nos pulsos!

Autor(a): Olavo Bilac
Fonte: Pesquisa em diversos Sites
Colaborador(a): Zilmar Pires

 

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA