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LITERATURA / CANTO DO CONTO

MUSEU VICENTE CELESTINO
publicado em: 24/10/2018 por: Lou Micaldas

Desejando fazer uma pequena viagem, dei uma chegada à agência de Turismo costumeira, para ver o que havia de relaxante, bonito, agradável para as próximas semanas. Num bate-papo com uma das guias, veio a sugestão: Conservatória, a cidade das serestas, das serenatas, da música, enfim.

Há vários anos viajo pela mesma agência. Gosto de lá, por ser um grupo sério, onde todos se tornam amigos, todos são considerados igualmente, as viagens são planejadas com o maior cuidado, nunca há furos com hospedagem ou alimentação, cada pessoa que viaja passa a se tornar um dos membros do grupo, enfim, alguém que é sozinha como eu pode viajar tranquilamente, sentindo-se segura, protegida, em casa, e volta de cada passeio com mais uma coleção de amigos.

É uma alegria quando você, ao chegar para o embarque, encontra companheiros de viagens anteriores! Que festa! Quantos abraços e perguntas sobre os passeios que cada um fez depois daquele que fizemos juntos... 

Faltavam ainda duas semanas para a excursão (elas são sempre marcadas para a lua-cheia, quando as serenatas de Conservatória são mais bonitas ainda...) então, tive tempo de convencer minha irmã e o marido, mais um casal e algumas amigas a irem também. Seria novidade para todos nós!

A viagem, em ônibus especial, foi curta. Saímos depois do almoço e chegamos ao Hotel-Fazenda pela tardinha, antes do jantar. Éramos cerca de 40 pessoas, ou pouco mais, contando os guias e motoristas.

Só a vista do Hotel já deu para jogar fora metade do "stress" que a gente carrega da cidade e dos problemas de casa e do trabalho...

Uma volta a pé, pelos arredores, e depois o jantar. Ali, quem está fazendo dieta, manda-a para o espaço, até segunda-feira. Só mesmo se for muito grande a necessidade ou a vontade de perder peso, diante de tantas iguarias... sobremesas...

Depois do jantar, imaginem! Uma seresta... no Hotel! Todo mundo espalhado pelas cadeiras da sala onde cantava e tocava um violonista, ou pelas compridas varandas, ou ainda lá longe, na piscina... houve quem preferisse ficar passeando de mãos dadas com seu par romântico, nas imediações... E aí, fazendo fila junto ao microfone do cantor, apareciam os artistas improvisados, entre os hóspedes. Cada qual desejando mostrar seu talento musical, inspirado pelo ambiente propício! Os menos ousados só participavam do refrão. Ficava aquele coro até bonito, coro vindo da alma, nas canções românticas que brotavam, trazidas de nossas lembranças da infância...

A seresta prolongou-se até tarde. Por nossa vontade, a noite não terminaria, de tão agradável e poética. Sono... nem pensar! Queríamos todos aproveitar aquele momento mágico! Mas... o rapaz do violão retirou-se e vimo-nos obrigados a ir para a cama.

O programa da manhã seguinte seria caminhar pela trilha ou pegar o trenzinho que nos levaria até um outro Hotel-Fazenda, para uma visita. Os jovens foram a pé, com o animador de esportes, e os mais velhos não dispensaram o simpático trenzinho, que chegou apitando e resfolegando alegremente, como a anunciar um passeio maravilhoso.

Tenho que omitir essa parte, porque se eu contar, vou tirar a surpresa de quem ainda não conhece conservatória e um dia terá essa felicidade. Só posso dizer que vale a pena conhecer os pontos turísticos da cidade!

À noite, a serenata. Meu Deus! Nunca vi coisa igual! Aquela porção de senhores com seus violões, aquelas senhoras com suas lindas vozes, as canções românticas, a lua cheia... Incrível! Encantador! Um sonho, um sonho real! 
Obrigada, meu Deus, por me haver permitido participar de tão lindo espetáculo, ver, ouvir, sentir... Quantas pessoas acompanhando o cortejo! Quantos ônibus de turismo na cidade! E pensar que esse grupo tão dedicado presenteia com esse mimo plateias diferentes a cada semana!!! É um Patrimônio Cultural esse grupo, são artistas despretensiosos, encantando e despertando na gente os sentimentos mais elevados... a ternura mais pura de coração...

Estou chegando ao ponto que me motivou a escrever tanto:
Museu Vicente Celestino.

Estive três vezes em Conservatória. A primeira foi aquela que narrei na primeira parte.

Fui visitar o Museu Vicente Celestino, que estava sendo inaugurado naquele dia. Fiquei encantada! Fascinada, sem exagero. Nunca havia pensado que um dia iria ver de perto os retratos, objetos, discos, roupas de Vicente Celestino e Gilda de Abreu. Ver os cartazes de filmes que mal poderia guardar na memória. Apenas um. Lembro-me de que, pequena ainda, não sei quantos anos poderia ter... fui com meus pais assistir "O Ébrio". E morri de pena do Vicente Celestino. Chorei, berrei, solucei tanto, que tiveram que me tirar da sala de projeção e me levar embora, enquanto eu dizia: "Coitado, mãe, coitado! Quem vai ajudar ele?"!!!

Adorei visitar os outros dois Museus, do Sílvio Caldas e do Gilberto Alves. Das três vezes em que visitei a cidade, estive nos três. Mas... no Vicente Celestino fiquei horas e horas, vendo cada detalhe, lendo cada pedacinho de HISTÓRIA, sentindo cada fase da carreira e da vida dos dois, analisando o valor de cada objeto, de cada conquista.!!!

Ao ler a entrevista do Wolney Porto à Lou, senti reviver em mim o fascínio por Conservatória. Curvei-me com respeito diante de quem tem tanta dedicação e desprendimento, ocupando-se em preservar a Memória da Música e dos Artistas.

Passou-se algum tempo, Sr. Wolney, mas o que estou escrevendo é de coração. Desde que saiu a matéria tive o desejo de parabenizá-lo pela iniciativa tão louvável. A Música Brasileira merece ser preservada; o Cantor e o Compositor Brasileiro merecem ser perpetuados.

Você encontrou a forma ideal de fazer isso, e Conservatória, com certeza, tem motivos de sobra para lhe agradecer.

Da próxima vez que for a Conservatória, irei mais bem informada, e saberei valorizar ainda mais cada detalhe, depois de tudo o que aprendi com você.

Humildemente, sinceramente, envio-lhe os meus parabéns!

Conto escrito em 6 de agosto de 2003.

Autor(a): Lyne Mattos

 

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