Logomarca Velhos Amigos
LITERATURA / CANTO DO CONTO

O ANJO
publicado em: 15/08/2017 por: Lou Micaldas

Noite de festa. A família reunia-se sempre em datas festivas, principalmente, quando era aniversário da vovó. Ela era a cumieira da casa.

Em torno dela giravam os ensinamentos dados, o respeito ao próximo, o amor maior. Naquela noite ela comemorava seus oitenta e muitos anos de vida. Sempre calma, com gestos doces, sua mão, marcada pelo tempo, me acariciava e sua voz sempre dizendo em tom suave: "minha linda".

Seus filhos, netos, bisnetos, noras e genros enchiam a casa. Tudo era alegria.

Um primo por afinidade, casado com uma de minhas primas, era o fotógrafo da família e fotografava bem, embora não fosse esse seu ofício. Pegou a máquina fotográfica e começou a registrar os acontecimentos daquela noite.

De repente, pegou-me pelo braço e disse que eu me sentasse na poltrona vermelha, pois ele tiraria uma foto minha. Eu devia ter, à época, uns doze anos. Toda feliz, concordei com a foto. Sentei-me, cruzei as pernas e coloquei minha mãos entrelaçadas segurando os joelhos. Ele focalizou-me e, "flash"... estava tirada a foto.

A luz forte da máquina não me permitia enxergar de imediato. Passei a mão pelos olhos e olhei à frente... Havia diante de mim um pequeno anjo. Parecia ser de fumaça, tal a sua cor acinzentada e a sua quase transparência.

Ele olhava para mim e com o dedo indicador fazia sinal para que eu o seguisse... o anjo me chamava... meus olhos não conseguiam desprender-se dele... o medo de perdê-lo de vista era tão grande que eu nem piscava... meu coração aos pulos levava-me a seguir aquele vulto enigmático, pueril, simpático e, de certa forma, amedrontador. Esqueci o barulho da festa, levantei-me da poltrona e, como se estivesse hipnotizada, eu o segui.

Saímos de dentro de casa e, na rua, com a iluminação bem mais fraca, o anjinho fazia-se mais real. Caminhávamos, ele sempre voltado para mim, com o dedinho indicador fazendo sinal para que eu o seguisse. E eu ia, nada conseguia pensar. Eu estava absolutamente abismada com o que estava vendo. Chegamos ao final da rua. Na esquina havia um bar cuja luz fluorescente clareava totalmente a calçada e, de repente, não vi mais o anjinho, sumiu, desapareceu..., onde estaria? e eu o procurava ao meu redor e não o achava...havia sumido.

Voltei pra casa cabisbaixa, triste por não ter sabido interpretar a mensagem, o porquê aquele anjo teria aparecido para mim... por que ele me chamava? Será que eu ia morrer? Será que ele ia mostrar-me algo? Perguntas, perguntas, olhos atônitos para tentar revê-lo, mas nada aconteceu... nada sei... Só sei que vi um anjo!

Autor(a): Yedda Campos

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA