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INFORMAÇÃO / CRÔNICAS DA LOU

AMBIÇÃO DOS FILHOS
publicado em: 25/09/2015 por: Netty Macedo

Uma jovem pergunta: 
Por que os velhos têm mania de gastar dinheiro? Minha avó ainda compra jóias, roupas e coisas bonitas pra ela. Vai toda semana ao cabeleireiro, usa anéis.

Meu pai já está com quase 80 anos e resolveu comprar um apartamento pra morar com a atual mulher, uma velhota sarada que virou a cabeça do nosso velho pai e está morando com ele há pelos menos uns dez anos. E é claro que ela não trabalha. Ele está gastando o dinheiro que seria nosso, se ela não existisse. Não há de sobrar nada pra nós, os filhos, nem para os netos. O que será do nosso futuro?

Eu respondo:
O seu futuro será do jeito que você construir. você preferiria é que seu pai continuasse sozinho, sem companhia pra compartilhar a hora das refeições, pra receber amigos, passear, viajar... tudo isso gera gastos, né? E o mais preocupante: pra não ter que dividir os bens, que você julga já serem seus.

Seu pai está pensando em comprar um apartamento. Parabéns pra ele. Você deveria se sentir feliz por ter um pai que possui essa determinação de planejar, decidir e construir uma nova vida com um futuro mais seguro. Não importa quanto tempo ele tenha pela frente. O que importa é que ele se sinta capaz de viver sua vida plenamente.

Trate de seguir seu exemplo e lute pra ter uma velhice produtiva como a dele.    
E quem garante quanto tempo ele ainda tem de vida? Por que deverá se desfazer de seus bens, colocando no seu nome? A morte não marca data. Quantos jovens, infelizmente morrem cedo?

Você não se preocupa se o seu pai sofria de solidão, antes de conhecê-la, nem o quanto sofrerá, caso perca essa companheira. E, a essa altura da vida, você tenta impedir que ele usufrua dos bens conquistados por ele, por direito pertencentes ao casal.

Seu pai tem todo o direito de buscar a felicidade e nela se inclui o cuidado de oferecer conforto e segurança a sua companheira de vida, a quem você chama de “velhota sarada.

Ela é quem preenche a existência dele e o faz se sentir vivo, cheio de entusiasmo.   
E pais e avós, levados pela cobrança dos filhos, abriram mão de seus planos e distribuíram seus bens e, depois, viveram o suficiente pra ver que não valeu o sacrifício.    
Os idosos, no outono da vida, não perdem o interesse pelas coisas boas, como viajar, amar, casar, enfim, fazer tudo que lhes traga prazer.

Se um homem de avançada idade pode ser presidente de empresa, com capacidade para gerir grandes negócios, ou se ocupa um cargo de confiança no qual é responsável pelo destino de uma geração ou de uma população, certamente será dotado de competência para administrar seus bens e a própria vida! Não será um jovem, ou uma jovem dependente, que irá influir nas suas decisões amorosas.

Quanto a sua avó, se ela ainda compra jóias pra ela é porque sente auto-estima. Ela tem tanto direito quanto você de ser vaidosa.

Enquanto os idosos viverem em plena posse de sua mente, serão donos absolutos de suas atitudes.

Tenho recebido queixas de pais que tiveram suas contas bancárias confiscadas pelos filhos. Outros lamentam sofrerem das constantes chantagens emocionais, quando seus filhos e netos lhes pedem viagens, carros, etc.

São idosos lúcidos, independentes emocionalmente, mas que se tornaram dependentes dos filhos que lhes negam o direito de usufruírem como bem entenderem das suas condições materiais e morais, adquiridas ao longo de toda a vida.

A cobiça pelos bens materiais destrói os laços familiares. Famílias que viviam em harmonia, ao se defrontarem com a possibilidade de dividir os bens, travam verdadeiras batalhas, imaginando que os bens valem mais do que as pessoas.

Não se dão conta de que a desagregação da família faz com que ninguém saia vencedor.

Revisão: Anna Eliza Führich

Autor(a): Lou Micaldas

 

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