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INFORMAÇÃO / CRÔNICAS DA LOU

JUBILEU DA TURMA DE 1960 DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO
publicado em: 24/09/2015 por: Netty Macedo

Toda a alegria do reencontro, na festa dos 40 anos de formatura.

ANOS DOURADOS

A imagem do Instituto de Educação, a imponência do prédio de três andares, ocupando quase um quarteirão inteiro na zona norte do Rio de Janeiro, na Rua Mariz e Barros, está marcada para sempre na nossa lembrança.

A tradicional escola normal era o sonho da maioria das meninas. Para entrar naquele palácio do ensino, tínhamos que enfrentar uma verdadeira guerra num concurso onde milhares de concorrentes lutavam por pouquíssimas vagas.

Noites sem dormir, festas perdidas, namoros adiados. O sonho tinha que ser realizado: vestir aquele uniforme azul e branco, símbolo da normalista.

Na cerimônia de incorporação das novas alunas, instalava-se em nossos sobressaltados corações, um misto de emoção, com o temor da rigidez do ensino, da disciplina severa, naquele ambiente austero, onde o pátio interno era circundado por galerias superpostas em arcos.

As esculturas em argamassa nos andares superiores nos faziam lembrar um imenso convento do século passado. Nossos olhares se socorriam na leveza das águas do chafariz, situado bem no meio do pátio, enquanto a cerimônia transcorria em sufocante silêncio. Nós já amávamos aquele uniforme.
Fazer o juramento era o ponto alto da solenidade: 
"Ao ingressar no Instituto de Educação, a cujo quadro discente tenho a ventura de ser incorporada, assumo o compromisso de cumprir, devotadamente, os meus deveres escolares e o de honrar o uniforme, que respeito e usarei com dignidade e altivez. "

O uniforme azul e branco coloria as ruas, os bondes e os ônibus, seduzindo, encantando a todos e até inspirou a famosa canção "Normalista", composta por David Nasser e musicada por Benedito Lacerda, em 1949, quando era proibido o casamento das alunas antes de se formarem.

Normalista

Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
No rostinho encantador
Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor
Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor
Estou bastante inclinado
A entregá-lo ao cuidado
Daquele brotinho em flor
Mas a normalista linda 
Não pode casar ainda 
Só depois de se formar
Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar.

Vivíamos numa época de padrões rígidos de moral e de costumes, aos quais deveríamos obedecer, sem direito à contestação.
Éramos meninas cheias de sonhos e ideais.
As nossas mentalidades ainda infantis, travessas, já se preparavam para educar, ensinar e formar as gerações futuras. Essa era missão da professora primária. Essa era a nossa vocação.

Jubileu comemorativo

As professoras Ivonne Pinto Machado e Silva, Helena Saade e Ivanita Gilda Villon foram responsáveis por um dia inteiro de alegria, reencontros e emoções.
Elas organizaram, de forma irretocável, o encontro comemorativo dos 40 anos de nossa formatura, no dia nove de novembro.

A turma de 1960

Lágrimas nem sempre contidas Momentos inesquecíveis foram revividos entre risos e lágrimas, contidos de emoção e de incrível saudade das temidas provas parciais, das colas, das nossas algazarras e corajosas transgressões de algumas das mais severas e absurdas regras de disciplina e de conduta.
A nossa turma viveu os anos dourados. Foi a nossa geração que começou a revolução dos costumes, banindo a maioria dos tabus e preconceitos. Ousou contestar e implantar novos costumes.

A festa começou com uma missa em Ação de Graças na Paróquia de São Francisco Xavier, celebrada pelo Padre Marcos Antônio C. Pinto Duarte, que foi aluno de nossa colega Marília Souza Boueri.

Nós entramos na igreja cantando o Hino do Instituto. Difícil conter tanta emoção.

Salve Instituto!
Letra: professor Ismael França Campos
Música: maestro José Vieira Brandão

Instituto, fanal cuja história
tradições e lauréis vem lembrar;
Ó luzeiro sem par, tua glória
Vimos todas, de pé, celebrar.
Teu clarão nossas almas inflama;
Faz, bem presto, convictas sentir
Que o destino da Pátria reclama
Nossa oferta no alto porvir.
Salve! 
Glória te rendemos
Com orgulho juvenil
Passo firme, caminhemos
À vanguarda do Brasil!
Afirmamos, no ardor do civismo,
Nossas vidas ao bem consagrar;
Santa Cruz jamais viu patriotismo
Tão grandioso seu nome exaltar.
Prometemos formar paladinos,
Conduzi-los em luz e labor;
Corações que proclamem os hinos
Da Justiça, da Paz e do Amor.

Após a missa, rumamos em caravana para o restaurante Le Buffet. Almoçamos ao som das músicas daqueles anos dourados.
Dançamos mulher com mulher mesmo, e foi muito divertido, nos sentirmos jovens e felizes, por estarmos ali reunidas, depois de tantos anos.

Tive a sorte de ganhar um valioso livro escrito pela professora Zilá Simas Enéas, "Era uma vez no Instituto de Educação". 
Zilá documentou, com fotos e textos, lembranças de uma época austera e, ao mesmo tempo, tão boa da nossa juventude naquele palácio de ensino. Ela cita, além dos professores ilustres, a inesquecível dona Palmira, uma inspetora super severa que metia medo em todas nós...

Barriguinha cheia, foi a hora de revivermos os fatos mais marcantes das nossas vidas no Instituto. Cada uma tinha uma história pra lembrar.

A festa se encerrou com todas nós cantando mais uma vez o hino do Instituto de Educação e finalmente, o Hino Nacional.
Foi muito bom rever as colegas, as velhas amigas!

Muito obrigada, Ivonne, Helena e Ivanita! Até a próxima!

Autora: Maria de Lourdes Micaldas
Correção: Anna Eliza Fürich

O Livro "Era uma vez no Instituto de Educação" pode ser adquirido pelos telefones: 568-4432 e 567-0539, com a própria autora, professora Zilá Simas Enéas.

Autor(a): Lou Micaldas

 

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