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INFORMAÇÃO / CRÔNICAS DA LOU

PROIBIÇÃO QUE FAVORECE A CORRUPÇÃO
publicado em: 24/09/2015 por: Netty Macedo

Opa! Como rima! 
Já não chega o comércio ilegal de drogas, vendidas tão escancaradamente em todos os cantos do nosso Brasil, e querem agora tornar o comércio de armas também ilegal?

Que paraíso é o Brasil para os corruptos e assassinos! Este nosso Brasil isoneiro, com suas fontes murmurantes, com suas palmeiras, onde canta o Sabiá, o Brasil da terra boa e gostosa há muito deixou de ser nosso Brasil brasileiro, cantado pelos poetas e amado com fé e orgulho pelos filhos brasileiros, onde a natureza aqui em festa é um seio de mãe a transbordar carinho...

A tão cantada terra de nosso Senhor é a terra em que se plantando dá maconha pra abastecer o comércio clandestino. Terra que enterra seus filhos mortos de fome, filhos mortos de morte matada, sem saber nem por quê.

Terra de filhos que fogem daqui pra morrer nas fronteiras, buscando trabalho em subempregos no estrangeiro. Que choram exilados com saudade. Não permita Deus que eles morram/ Sem que voltem para cá!

Nosso Brasil brasileiro, inferno dos desesperançados, é o paraíso dos traficantes, dos corruptos que aplaudem a proibição da venda das drogas e, agora, a propaganda da ilegalidade das armas!

Que fortuna é investida pra conquistar inocentes úteis para que divulguem as 'maravilhas' do desarmamento! Nada poderia ser pior para a população honrada, trabalhadora, do que acreditar que proibindo o porte e a venda de armas, a paz reinará e que todos poderão caminhar livremente pelas ruas das cidades!

Causa-me uma dor no peito assistir na TV e ver nos jornais as imagens daqueles crédulos senhores entregando suas armas à polícia!
Quantas delas foram realmente destruídas?
Somente aquelas que apareceram nas imagens?

Quantas outras não passaram a fazer parte do arsenal da banda podre da polícia, que não só separam as melhores para uso particular de alguns "policiais-bandidos" e outras tantas pra venda aos traficantes?

Assim também me sinto quando vejo o anúncio de apreensão de drogas! Assisto, desesperada, policiais contando os pacotes, as centenas, ou serão milhares de pacotes?

Quantos "tesouros" daqueles já não foram ou serão desviados pra abastecer a população usuária, aos dependentes reféns dos traficantes?

Não me venham com a história de que é o usuário que alimenta este grande comércio, o maior e o mais rentável negócio ilegal do mundo!

Vamos imaginar que a droga que seu filho compra, que seus sobrinhos, vizinhos, tios e avós usam fosse vendida no mesmo setor, nas gôndolas dos supermercados, ou nos botecos, onde estão disponíveis as bebidas alcoólicas. 
Você acha que haveria tantos seqüestros, tantos crimes e tantos cadáveres encontrados pelas vias públicas?

Liberar a venda das drogas e das armas, além de acabar com as propinas, de baratear os custos, abriria um número incalculável de empregos, de casas de comércio.

Em consequência, aumentaria a arrecadação de impostos que, se bem administrados, seriam investidos em construções de escolas, hospitais e outros bens públicos.

Seria mais fácil tratar um dependente químico, pois ninguém teria medo, nem vergonha de procurar a cura! Também aumentaria o número de clínicas, diminuindo o preço do tratamento.

Já não chegam as clínicas clandestinas de aborto, que são obrigadas a cobrar caro pelo serviço, pois precisam repassar parte (e que parte!) do dinheiro recebido para os corruptos?
Você conhece alguma pessoa de classe média ou rica, que tenha tido muitos filhos sem desejar?

Nessas classes sociais é raro encontrar famílias com mais de três filhos.
E nos morros e nas cidades pobres, em cada barraco, geralmente sem a figura masculina, o que se vê são crianças raquíticas, desdentadas. São os filhos de mulheres que não tiveram a chance de escolher se queriam colocar mais uma boca pra não comer, debaixo daquele teto de zinco ou de palha!

São mulheres que nunca ouviram falar em métodos anticoncepcionais!
Enganam-se os que pensam que as crianças das favelas são convocadas pelo tráfico, pra fazer parte dos soldadinhos armados, pra fazer parte dos olheiros ou entregadores da mercadoria.

São elas, às centenas, que entram na fila pra conseguir este posto muito bem remunerado. Em minutos, ganham mais do que seus pais operários que trabalham o mês inteiro. 
Você acha mesmo que os traficantes precisam aliciar criancinhas famintas?

O instinto de sobrevivência, o desejo de poder comprar um tênis, um brinquedo os leva ao "comando" em busca de uma vaga. E a vaga aparece quando um corpo de uma criança desaparece dentro do caixão.

Precisamos meditar! Precisamos reavaliar nossas crenças, nossos preconceitos!
Precisamos ser menos egoístas e pensar mais nos ignorantes. Precisamos nos preocupar com aqueles que vivem apenas da esperança, do sonho de que um dia as coisas vão melhorar!

E só nós podemos realizar este sonho! Porque somos nós que temos o discernimento pra analisar que benefícios poderão resultar da legalização geral de tudo que é proibido, mas que é costume, de tudo que é ilegal, mas que é, à custa de altos preços, a maior fonte de renda da maioria dos nossos governantes, juízes, procuradores, fiscais, médicos, advogados, policiais... e, lá no fim da lista, dos jovens traficantes de armas, de drogas, de vida curta!

Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
(Gonçalves Dias)

Autor(a): Lou Micaldas

 

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