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LITERATURA / CRÔNICAS

COMO ACONTECEU?
publicado em: 24/01/2018 por: Lou Micaldas

Bem sabemos o quanto muitas perguntas, algumas vezes, ficam sem respostas! O fato importante, era a minha idade na época! A juventude reinava, e eu usufruía da vida glamorosa, oferecida pelo marido inteligente e empresário! Também pudera! Engenheiro, formado pela Puc, não escondia seu interesse e o orgulho pela profissão. Afirmo sem medo de errar, até hoje, é um eterno apaixonado, por mim. Razão porque, completamos em dezembro último, 53 anos de companheirismo, amizade, cumplicidade e amor de verdade! 

Ontem, final de tarde, conversávamos e fizemos uma tentativa de relembrar o passado, como tinha sido o meu encanto por Madalena Léa. 

Tinha idade de ser minha mãe. Uma mulher extraordinariamente inteligente, e culta. Sua sabedoria de vida, era incontestável. Possuía o dom da palavra, e por esta razão palestrava em diversos lugares, sempre lotados, deixando todos com o gostinho de querer mais, e mais! Eu não perdia uma palestra sequer. Chegava à casa, eufórica, imbuída por tanto conhecimento e aprendizado com Madalena. De tanto ouvir minha paixão por esta mulher, Wellys terminou aceitando meu convite, para irmos visitá-la.
Certo dia, com hora marcada, fomos a sua casa, no bairro da Tijuca. Madalena, com o marido Micaldas, nos receberam apostos.

A conversa iniciou e Wellys logo, concluiu que tinha sido seu aluno no Colégio Militar. Fora uma surpresa maravilhosa para os casais. Enquanto os dois “papeavam”, eu “degustava” as histórias de Madalena, e apreciava sua narração, quando pintou na enorme parede da sala, um lindo quadro. Realmente uma obra-prima! Havia momentos de risos, pela forma engraçada como contava, seu esforço para subir e descer da escada, deixando para filhos e netos, a sua arte. Após um delicioso lanche, fomos embora cativados pela delicadeza e elegância do casal, que deixou registrado no coração de Wellys. 

Alguns meses após, numa refrescante tarde de sábado, o “maridão” fazia parte da plateia de Madalena e ao seu lado, super atenta lá estava nossa amiga inseparável a divína Elizeth Cardoso. Ao término se apresentaram duas filhas. Maria José, “Linda de Viver” e a não menos linda Maria de Lourdes. Segundo Wellys, em sua memória, não demorou muito apareceu uma outra caçula. Mara Luiza, e todas muito bonitas e elegantes.

O tempo passou e a memória com os anos, vai falhando. Remotamente lembro que um dia Madalena, acompanhada de Maria José, chegaram na minha casa em Copacabana, e deixaram muitos livros. Literalmente, não me recordo dos porquês. Como sempre fui parte efetiva de Lions, talvez o motivo seria ajudar, não somente na divulgação, bem como na venda. Evidentemente esta mulher, com tamanha experiência, escreveu o livro intitulado: “Quem tem medo de Envelhecer?”. Como se não bastasse o sugestivo título, nos deixou o sábio conselho. 

“Tudo pode acontecer! Você pode provocar a vida que está acovardada dentro de seu íntimo – a baixo, a frase proposital:“ Ponha a vida na bandeja e siva-se”. 

Madalena viajou o Brasil, e fez um somatório de palestra que ultrapassou a casa de 1.000. Aliás, ressalto a vaidade de Wellys, que um dia trabalhando, na pequena cidade Mineira – Divinópolis- almoçava com amigos e de repente se deparou na parede ao lado, diversas trovas. No passear dos olhos, lá estava em destaque uma bela trova de sua amiga Madalena Lea. Seu livro era vendido em grande escala e a mídia vivia atrás desta criatura, sensacional. A nossa saudosa Hebe Camargo, não resistia e diversas vezes a convidava para participar de seu programa, sempre com sucesso garantido e absoluto. 

Nessas lembranças, posso afirmar que Madalena Léa, foi mãe de cinco filhos. Quatro mulheres e um homem. Hoje, é um Espírito Elevado de Luz, devido aos anos deixados da vida corpórea. As mulheres são todas Maria; Maria Jose, Maria de Lourdes, Maria Luiza e Maria Thereza. A propósito, hoje beira seus noventa anos, a mais velha sempre linda e elegante. Tenho também a vaga recordação que um dia, Maria Thereza, na época ligada a vida transcendental, nos convidou para uma reunião em Niterói. Fomos acompanhados pelo saudoso amigo e compositor, Braguinha e sua também, inesquecível esposa Astréa. Recordo que ao chegarmos, achamos tudo muito belo e estranho! O caminho da entrada era florido e diversos recipientes iluminados por velas coloridas. O incenso deixava o ar perfumado e trazia uma paz indelével. Assistimos uma interessante palestra e tomamos um passe espiritual. Depois fomos levados para uma sala ao lado, onde se destacava a enorme mesa retangular, ornamentada com arranjos de flores e coberta por uma belíssima toalha branca rendada, caída ao chão. Nem precisava aqui, relatar o saboroso lanche oferecido! Quando fomos embora, cada qual levou consigo a ótima lembrança de momentos prazerosos, jamais esquecidos.

Enfim, a vida é assim! 

Hoje, faço parte integrante da família Micaldas. Brinco com Maria Luiza que sou a caçula e com “N”. Sinto amor por todas, mas Maria José é, e sempre será minha amiga, Irmã. Sinto tanto amor por ela, que vou ao cúmulo de odiá-la. Se ninguém acredita, tenham a certeza, não é somente Amor, É Paixão!

Como aconteceu, não sei explicar mais nada! Estamos todas na septuagésima dezena da vida. Só uma coisa é certa. Somos, as mesmas meninas, cuja Mãe será sempre a nossa Madalena Léa. A melhor Palestrante, a Escritora, a Poetisa e a Trovadora.

Autor(a): Nelly Machado de Carvalho
Colaborador(a): Zeca Pizzolato

 

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