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LITERATURA / CRÔNICAS

COMO OS VELHOS CRONISTAS
publicado em: 19/01/2017 por: Lou Micaldas

Vou fazer uma experiência. Fazer como os velhos cronistas que sentavam na frente de uma máquina sem a menor ideia do que iam escrever. No meu caso há uma atenuante: estou lendo Rubem Braga. Isso ajuda? Só quem ainda não leu Rubem Braga pode ter alguma dúvida. Vai escrever bem assim lá na Itália. Mas também, com uma guerra como inspiração. Meus Deus! Que estou dizendo...Comecei mal. Melhor retroceder e recomeçar.
 
Muita coisa mudou. Não temos uma guerra mundial, o que é bom. Mas temos sempre a ameaça de uma, o que é ruim. E o pior é que agora não será como antes. Naquela guerra uma bomba atômica resolveu o problema. A segunda provavelmente foi um exagero. Agora uma bomba atômica provavelmente seria o início. E nada seria um exagero. Mas não creio seja este um bom tema para uma crônica. Deve ter coisas melhor. Me inspire, Rubem!
 
O problema é que começamos o ano com massacre em presídio e atentado na Europa. Como nós humanos somos estranhos: ato terrorista e massacre em presídio para nós é diferente. Aqui no Brasil nos vangloriamos de não termos terroristas. Não temos mesmo? Foi o primeiro massacre em presídio? Estou voltando a isso. O pior é que nem li a notícia. Não sei nada a respeito. E não quero este tema. 
 
Deve ter algo interessante, que traga alguma esperança neste início de ano. Algo que nos mostre que nem tudo está perdido. Que ainda podemos achar um jeito de ficarmos bem neste planeta. Todos nós: os oito bilhões! Oito bilhões?! Jesus!!! Será que este número está certo? Como podemos ficar bem se somos oito bilhões. Não! Não somos. Somos pouco mais de sete bilhões. Ufa! Que susto!
 
Mas temos lugar para tantos carros? Ou vamos tirar no palitinho? Quem perder não poderá ter um carro. Com tantos bens sendo fabricados é de esperar que uma parte deles sejam roubados. Onde vamos encarcerar tanta gente? Não há o risco de que um dia os que estão livres tenham que trabalhar unicamente para alimentar os que estão presos? Será que não há nada que se possa fazer antes disso? Algo como darmos mais valor a coisas que não possam ser roubadas, como honestidade, trabalho, amizade, solidariedade. 
 
Com tanta gente, com tanto stress, como vamos fazer para que um louco não consiga chegar perto do botão? Aquele que pode transformar o planeta numa batedeira de bolo. Quantos botões destes já existem? Quem controla tudo isso? Quem controla os que controlam? Quem controla os que controlam os que controlam? Sei que estamos ávidos procurando um meio de viver em outros planetas. Mas do jeito que a coisa anda nem vamos precisar de naves espaciais. Iremos todos juntos, ao mesmo tempo. Inclusive com a Terra junto. Claro que aos pedaços.
 
Não adiantou. Não consegui repetir o que faziam os velhos cronistas. Do que será que falariam nesses tempos modernos? Ainda estaria o velho Braga interessado em seu pé de milho, suas pescarias? Ou até ele estaria preocupado? Nessa guerra que pode acontecer se não fizermos algo a respeito, talvez não haja necessidade de correspondentes de guerra. Todos terão a guerra na porta da sua casa. A única vantagem, se é que se pode dizer assim, é que deve ser rápida. Apenas o tempo de se apertar alguns botões. O que será demorado é a recuperação do planeta. 
 
Mas para a natureza o que são alguns séculos? A Terra ainda tem uma vida longa pela frente. Isso em termos do tempo dos humanos. E nós também podemos ter uma vida longa por aqui. É só fazermos para isso. Só que do jeito que a coisa tá não dá para deixar para os outros, como os políticos. Daqui para frente ou todo mundo ajuda ou não vai adiantar. Quando a doença é muito grave o remédio tem que ser muito forte. E cada um sabe exatamente o que tem que fazer. Os que tem dúvidas na verdade não tem dúvida nenhuma.
 
Você não poderá salvar o mundo sozinho. Mas há os que podem destruí-lo. Então é bom ficar bem atento: nem tudo é virtual. Tem muita coisa que ainda é de verdade!

Autor(a): Idevair Peres
Fonte: www.opovo.com.br

 

 

 

 

 

 


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