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A MULHER DA PÁGINA 194
publicado em: 19/11/2015 por: Netty Macedo

Ela é loira e linda. Tem 20 anos. Modelo profissional. Saiu na última edição da revista americana Glamour ilustrando uma reportagem sobre autoimagem, e foi o que bastou para causar um rebuliço nos Estados Unidos. A revista recebeu milhares de cartas e e-mails. Razão: a barriga saliente da moça. Teor das mensagens: alívio. Uma mulher com um corpo real.

Não sei se Lizzie Miller, que ficou conhecida como a mulher da página 194, já teve filhos, mas é pouco provável, devido à idade que tem.

No entanto, quem já teve filhos conhece bem aquela dobrinha que se forma ao sentar. E mesmo quem não teve conhece também, bastando para isso pesar um pouco mais do que 48 quilos, que é o que a maioria das tops pesa. Lizzie não é um varapau — atua no mercado das modelos “plus size”, ou seja, de tamanhos grandes. Veste manequim 42, um insulto ao mundo das anoréxicas.

A foto me despertou sentimentos contraditórios. Por mais que estejamos saturados dessa falsa imagem de perfeição feminina que as revistas promovem, há que se admitir: barriga é um troço deselegante. É falso dizer que protuberâncias podem ser charmosas. Não são.

Só que toda mulher possui a sua e isso não é crime, caso contrário, seríamos todas colegas de penitenciária. Sem photoshop, na beira da praia, quase ninguém tem corpaço, a não ser que estejamos nos referindo a volume. Se estivermos falando de silhueta de ninfa, perceba: são três ou quatro entre centenas. E, nesse aspecto, a foto de Lizzie Miller serve como uma espécie de alforria. Principalmente porque ela não causa repulsa, ao contrário, ela desperta uma forte atração que não vem do seu abdômen, e sim do seu semblante extremamente saudável. É saúde o que essa moça vende, e não ilusão.

Um generoso sorriso, dentes bem cuidados, cabelos limpos, segurança, satisfação consigo próprio, inteligência e bom humor: é isso que torna um homem ou uma mulher bonitos. Aquelas meninas magérrimas que ilustram editoriais de moda, quase sempre com cara de quem comeu e não gostou (ou de quem não comeu, mas gostaria), são apenas isso: magérrimas. Não parecem pessoas felizes. Lizzie Miller dá a impressão de ser uma mulher radiante, e se isso não é sedutor, então rasgo o diploma de Psicologia que não tenho. Ela merecia estar na primeira página, mas, mesmo tendo sido publicada na 194, roubou a cena.

Que reação a foto causou em você? Repúdio ou alívio?

Respondendo à pergunta da Martha Medeiros

Eu acho que a mulher pode e deve ser vaidosa.

Deve cuidar de sua aparência, o que não pode e não deve é se tornar prisioneira dessa vaidade.

Como a Martha, eu eu e todas nós, conhecemos mulheres belíssimas que estão aí sozinhas,

mal-amadas, sem ter, não digo um homem, mas alguém para lhe dar amor.

Ao contrário, conhecemos uma tantas outras (para não dizer a maioria) que têm aquela barriguinha, algumas (ou muitas celulites), rugas no rosto, cabelos não tão sedosos, mas que construíram suas vidas cheias de amor.

Se beleza fosse sinal de encontrar a felicidade, não veríamos tantas e tantas belezas numa busca desenfreada por alguém - se bem que também não considero que estar acompanhada de um homem seja o único caminho da felicidade.

Para mim felicidade é, principalmente, estar bem consigo mesmo; é estar satisfeito com o que faz pela vida a fora, é ter saúde e alegria de ser como é: gorda ou magra; alta ou baixa; feia ou bonita; inteligente ou não inteligente(não é preciso também ser gênio para ser feliz).
Comentário: Yêda Saraiva

Autor(a): Martha Medeiros
Colaborador(a): Yêda Saraiva

 

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