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DIA DA SOGRA
publicado em: 26/11/2015 por: Netty Macedo

Você já pensou em dar um presente, mandar flores ou simplesmente dar um abraço e os parabéns à sua sogra? O relacionamento com ela não está tão bem? Então o Dia da Sogra é uma excelente oportunidade para demonstrar grandiosidade de espírito e dar o primeiro passo na busca da reconciliação. Afinal, ela é a mãe de seu cônjuge e avó de seus filhos.
O bom relacionamento nora, sogra e filho-marido ou genro, sogra e filha-esposa é muito importante. Vale a pena. E a felicidade, com a bênção de Deus, fará de todos pessoas que contribuem para bem desempenhar o papel que lhes foi reservado na existência. 

Casa da Sogra

Era um outono de pouca chuva. Os parques se enchiam de folhas amarelas, marrons, avermelhadas, um tapete móvel que deslizava conforme a vontade do vento. Foi a primeira vez que Neusa pisou em Londres. Nervosíssima, nem notou a beleza das castanhas caindo das árvores, as crianças com sacolas catando as frutas no chão: vinha para conhecer a sogra.

Já noiva de um inglês aventureiro, que se apaixonara em dois meses e a arrebatara do Brasil de mala e cuia, esta professorinha de 25 anos começou a ver, no aeroporto, o que teria de enfrentar antes de se casar com um estrangeiro.
- Quanto tempo vai ficar aqui? Motivo da viagem?
- Fico só um mês, vim conhecer minha futura sogra.

Pronto, pra que foi dizer isso? Fizeram-lhe mais uma dúzia de perguntas. Sorte que o futuro marido estava esperando atrás do balcão de imigração. Foram primeiro para a casa dele. "Melhor, assim descanso e fico mais bonita", pensou. Mas, antes de entrarem no apartamento, Mrs.Green, a sogra, já ligava para o filho. Ela vivia numa casa de campo a duas horas de carro da cidade. Queria saber quando chegariam, o jantar do dia seguinte precisava sair impecável.

- Minha mãe é muito organizada, tudo tem que estar perfeito, nos mínimos detalhes, explicava o noivo, cheio de dedos.

Neusa nunca se intimidara com mãe de namorado, mas começava a ficar apreensiva. Agora estava em território inimigo. Entendia a língua mais ou menos, nenhuma experiência com usos e costumes. "Vou dar gafe, com certeza…" Naquela noite não dormiu.

- "Será que ela cumprimenta com beijinho ou dá aperto de mão? Se for beijinho, quantos serão? Ai, meu Deus! Será que ela vai oferecer manga inteira de sobremesa só para ver se eu sei descascá-la com garfo e faca? Não, não pode ser. Manga é fruta tropical, não vão servi-la logo aqui. Xii, mas aqui é coisa exótica, vai ver é chique comer manga depois do jantar." E assim foi a conversa com o travesseiro por toda a madrugada.

No dia seguinte ela nem teve tempo de falar com o noivo sobre esses detalhes. Ele parecia mais intimidado do que ela na estrada, dirigindo o carro rumo à casa da mãe. Anos depois ela descobriria o porquê: apresentar a noiva em casa é compromisso sério, até mais solene do que o próprio casamento. Regras centenárias. Ela, que nunca pensara nessas formalidades, apresentou-o aos seus pais um dia depois de se conhecerem. Tinham que ir juntos a uma festa, ele nem sabia que os pais dela estariam lá. "Papai, mamãe, este é o fulano", pronto, estava feito, ninguém pensa mais no assunto.

Para quê tanta preocupação? Depois ele comentou: "Você foi tão apressada!". Pobre Neusa: ficou sem entender as diferenças.

Ao chegarem, apertos de mão, sorrisos. Só então ela se lembrou: deveria ter levado umas flores, uns bombons. Que fora! O pai era simpático, veio logo com um copo de cerveja na mão. Ela tomou o primeiro gole: morna! Segurou a vontade de fazer careta. "Está ótima", disse, sorrindo.

À mesa tudo corria bem. Não havia talheres demais e nem manga inteira à vista. Tudo à inglesa, para ela ir se acostumando com os pratos nacionais, que nem são tantos assim. A estrela do jantar seria uma torta de carne que cheirava bem. Ao provar o primeiro pedaço, caiu na besteira de perguntar o que era.
- "Kidney pie, darling! Torta de rim de porco, um de nossos pratos mais tradicionais."

Claro, a vontade foi de sair correndo para o banheiro. Mas Neusa se segurou na cadeira. Foi engolindo pedaços bem pequenos da torta sem mastigar, achando tudo, lógico, uma delícia.

A sobremesa foi a salvação: torta de maçã. Já mais à vontade, tentando esquecer os rins de porco, Neusa foi até a cozinha, será que Mrs. Green precisa de ajuda com o café?
- "Não, querida, está tudo organizado. Mas não tomamos café aqui. Só chá. Você não gosta de chá?"
- "Adoro chá…"

Minutos depois a bandeja chegava à mesa. O bule com um chá preto forte, fumegante, misturado a um pouco de leite frio, no minuto em que chegava ao fundo das xícaras. "Chá quente com leite?", pensava Neusa. "Por essa eu não esperava".

E mais surpresas estariam reservadas para o dia seguinte. No café da manhã, ela seria bombardeada com ovos fritos, toucinho, feijão e torradas. Tudo acompanhado pelo chá com leite. Mas, o amor, ah, o amor! Ela se casou, sim, com o inglês aventureiro. E vive convidando a sogra para comer feijoada e moqueca de peixe. Na sobremesa, uns quindins bem amarelinhos…

Autor(a): Inês Rodrigues

 

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