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HOMENAGENS AOS PROFESSORES
publicado em: 13/10/2016 por: Lou Micaldas


"Aos velhos e jovens professores, aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz. Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com a colheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"
(Gabriel Chalita)

⇒MESTRES
E O ALUNO CHOROU...
UM HERÓI DE GUARDA-PÓ
SINGELA HOMENAGEM AOS PROFESSORES  

HOMENAGEM AOS PROFESSORES

 

MESTRES

Mestres! É este o seu dia!
E aqui vimos saudá-los com alegria,
Pois a festa, afinal, também é nossa,
Em poder dizer-lhes, com sinceridade,
De tanta confiança e amizade.

Bem sabemos quão árdua é a missão
Dos mestres em guiar a adolescência,
Que é de ímpetos febris e efervescências
Da natureza em evolução.

Mas há mundos de fé e de esperanças
Nestas almas ingênuas de crianças,
Que aqui vêm em busca do saber.
E é sua compreensão e sua luz
É sua mão que ora as conduz
Pela estrada espinhosa do dever.

Nós somos todo o mundo de amanhã,
Em crisálidas, ainda, mas em breve,
Nossas almas se abrirão no afã
De voar para onde um destino as leve.

E, sob esta aparência de insubmissão
De trêfegos seres tagarelas e irritantes,
Creiam que pulsam corações confiantes
E plenos da mais viva gratidão!

Autora: Magdalena Léa

E O ALUNO CHOROU...

Primeira professora, que saudade!
Eu, um menino do curso primário!...
Pra mim, tudo dela era um relicário
E arrebatava-me a facilidade
Com que nos ensinava o abecedário;
Tocado pelo convívio diário,
Falar com ela era a felicidade!

Aluno enlevado, na tenra infância,
Com Dona Magali no coração...
Por ela, fiz da escola obrigação,
Via em seus gestos força da elegância.
Só no olhar, já me dava educação,
Preparava-me pra ser cidadão,
Lições de civismo, em exuberância!

A vida correu e o tempo passou...
Dona Magali, talhe de alegria,
Tomou meu coração-menino um dia,
Paixão descabida; ela nem notou...
Numa manhã, eu vi que alguém trazia,
Pra meus pais, mensagem daquela “tia”
Convite, núpcias... O aluno chorou...

Autor: Ógui Lourenço Mauri

UM HERÓI DE GUARDA-PÓ

Em meados de 2005, minha mãe me telefonou, com uma animação rara: Seu livro, o Na Terra do Engano, foi adotado no colégio Santo Américo, disse ela. A excitação, logo em minha mãe, sempre econômica nesse departamento, explicava-se: disse ela que, quando eu era adolescente, gostaria de ter me colocado para estudar nesse conceituado colégio de São Paulo, mas a família jamais tivera dinheiro para isso (eu lhe disse: vocês me deram muito).

Foi também minha mãe quem descobriu que eu figuro em livros de gramática e português para o segundo grau. No Português: Linguagens, dos professores de literatura da USP William Cereja e Thereza Magalhães, um best seller entre os livros didáticos, meu primeiro romance, Filhos da Terra, aparece no capítulo da literatura regionalista dos anos 1930 como um exemplo contemporâneo do gênero, com a transcrição de uma resenha da revista Veja sobre o livro. Meu livrinho infantil, Liberdade para Todos, alcançou a marca de 100 mil exemplares vendidos para crianças de primeiro grau, muito graças à indicação dos professores que gostam do texto e o recomendam todos os anos a seus alunos.

Para mim, é motivo de orgulho estar em livros de referência de literatura e colaborar com os educadores. Filho de pais ligados às letras - uma pedagoga e um jornalista que me estimularam a ler desde criança, todas as noites antes de dormir -, devo minha ligação à literatura também a um professor, que mesmo sem saber foi um de meus maiores estímulos.

Falo de um mestre de português, Celso Roberto de Mello, que lecionou no Liceu Coração de Jesus e no colégio estadual Padre Manoel da Nóbrega, na Casa Verde. Um desconhecido, sim, para muitos, mas não para um único aluno que tenha frequentado suas aulas.

Celso era homem modesto, aliás modestíssimo. Surgia no estacionamento entre as colunas centenárias do velho Liceu num fusquinha creme, sua única propriedade, além de um sobradinho geminado no bairro do Mandaqui, comprado com financiamento a perder de vista. Baixo, de constituição frágil, que o deixou certa vez acamado longa temporada, usava uns óculos metálicos redondos e barba rala que lhe dava um certo ar existencialista.

Seu guarda-pó, também amarelo claro, estava sempre impecável, assim como as unhas, minuciosamente aparadas. Na rua, ninguém lhe daria muito. Dentro da sala de aula, porém, transformava-se em um gigante. Para mim, era um herói, que em vez de capa vermelha usava o guarda-pó do magistério.

Falava: como orador, sem deixar de ser simples, era brilhante. Dotado de uma ironia ferina, sua mágica consistia em saber tudo, o que declarava sem nenhum pudor. Suas aulas de literatura eram recheadas de histórias, que pareciam saídas de sua cabeça, tão incorporadas eram nele as suas leituras. Sabia tudo mesmo, sobretudo a respeito dos escritores, a cuja vida e obra, indissociáveis, dava muito mais importância que ao ensino da gramática.

Defendia como um puro a língua pátria e os autores brasileiros. Na sua cátedra, era político, e nacionalista. Suas aulas eram um oásis naquele colégio de rigores monásticos, aonde se fazia fila às sete da manhã, o uniforme devia estar impecável e o bedel andava pelos corredores a vigiar alunos e mestres.

Havia algo de revolucionário quando ele aproveitava as ideias dos romancistas sobre os quais falava para pregar a liberdade, o que no colégio dos salesianos soava como heresia, ou desancar a ditadura militar, num tempo em que pouca gente ousava fazê-lo em público. Para ele, a literatura servia às ideias, e as ideias serviam à vida.

Ao mesmo tempo, era deliciosamente despudorado. Às vezes, olhava para uma vítima, que conhecia de nome e sobrenome, destacava-a da sua atenta plateia e lhe perguntava: Senhor Eduardo Reis, o senhor já viu um Picasso? Desabávamos de rir com o embaraço do colega. Quando alguém demorava para fazer seu dever durante a aula, Celso provocava: O senhor é um pederasta passivo, dizia. Vai a pé, e a passo.

Contava histórias picantes, especialmente de Emilio de Menezes, cuja verve fazia dele um de seus personagens favoritos. Como a passagem em que um certo amigo de Emílio, o Penha, se apressou a apanhar um lenço que caía ao chão, propriedade d e uma mulher airosa, que passava à porta da confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. Eis um que se diz Penha? por outra que se diz puta, dizia Menezes, no relato de Celso.

Quando alguém dava a Celso uma resposta errada, fazia aquele silêncio sepulcral, passeava os olhos sobre os indigentes que bebiam da sua sabedoria e, depois de instantes de suspense, sentenciava: Ignaros! Naquela turba de trinta alunos homens, que se comportavam como bárbaros, passava pitos ao seu estilo, mais respeitado que qualquer bedel, por usar não o terror, ao qual os padres estavam afeitos, mas a desmoralização do delinquente. Quando alguém colocava o pé na carteira da frente, por exemplo, dizia ao indigitado: Senhor Fulano, não se achegue mais aos glúteos de Beltrano, ainda que ele os tenha assim rotundos, fartos, possivelmente róseos!

Quando a baderna tomava conta da sala, ele parava e aguardava com seu característico olhar superior, até que se fizesse silêncio. O que acontecia quase imediatamente, não só pelo desconforto diante daquele desprezo altaneiro, como pela curiosidade de ouvir o que ele certamente diria. Então vinha:

Terei uma vez mais de repetir aqui a epístola de São Paulo aos Filipenses: Há dentre vós nas assembleias aqueles que perturbam tanto que nem mesmo se os castrássemos ficariam sossegados!

Claro que São Paulo nunca escreveu isso em carta nenhuma. Porém, quando alguém alegava a falsificação, ele respondia imperturbável que conhecia a Bíblia de cabo a rabo, de fio a pavio, mas que nossa ignorância não o surpreendia, pois vivíamos na barbárie, como os godos, visigodos, ostrogodos, suevos, hunos, vândalos e outros povos cuja sonoridade do nome indicavam algum tipo de mau comportamento.

Era mestre dos trocadilhos e das brincadeiras, sempre para deixar claro o tamanho da nossa ignorância. Não confundam gênero humano com general romano, capitão de fragata com cafetão de gravata, Sofia com Brigitte, ambas me adorariam se me conhecessem era seu bordão preferido, referindo-se às pas do cinema de sua preferência.

Para cada aluno, tinha uma brincadeira especial. Evanir Sessa, que estudava no Liceu desde o primário, era chamado com a evocação de Camões: Sessa tudo quanto a antiga musa canta, que um valor mais alto se alevanta?
Celso foi responsável por nos apresentar a literatura brasileira, sobretudo a que não aparecia na imprensa. Sem ele, que nos recomendava livros para ler, eu jamais teria conhecido Mário Palmério ou J.J. Veiga, o maior escritor fantástico brasileiro, esquecido pelo jornalismo. Eu, que tinha sido educado no primário com as crônicas de Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade e Fernando Sabino, li tudo o que recomendava. Hoje, quando vejo textos meus em provas de vestibular ou nos livros de segundo grau sinto mais orgulho que de qualquer elogio feito pela crítica literária, pois para mim tem valor muito superior.

Nunca tive maior proximidade com Celso Mello: ele não fazia diferença entre seus alunos e nunca nos aproximamos muito. Como eu morava na Casa Verde, em uma ocasião ele me deu carona, junto com sua filha Lygia, que estudava no mesmo colégio, deixando-me perto de casa, em seu caminho para o Mandaqui. Foi uma deferência especial, que recebi como se tivesse tido uma audiência solitária com o Papa. Serviu para aumentar aquela admiração reverencial que tinha por ele, e que não tive por mais ninguém, acostumado em meu trabalho como jornalista a conviver com empresários, ministros, astros da TV e da música, presidentes da República e outros figurões.

Honraria ainda maior, certa vez fui admitido na casa Celso, para tomar conselhos a respeito da participação da nossa classe, o Terceiro A, curso de Eletrônica, na Maratona Cultural que o Liceu promovia todos os anos. Era uma disputa em que alunos selecionados respondiam a questões que contavam pontos, apresentavam um jogral e uma peça de teatro, para apurar ao final o vencedor.

Nos dois anos anteriores, eu tinha sido destacado em minha turma para responder às questões de português, com aproveitamento de 100%. Mas acabava sempre derrotado, devido a outro quesito da disputa: a apresentação artística. Daquela feita, cansado de perder, eu assumira a responsabilidade pela peça de teatro, enquanto Luis Bucciarelli cuidaria do jogral. Além de Buccia, estava comigo Marco Antonio Rocco, que nunca fazia o trabalho pesado, mas conhecia todo mundo intimamente, inclusive Celso, e serviu como embaixador daquele encontro.

Aquele ano, o último de nossa vida como secundaristas, será para sempre lembrado pelas paredes do teatro de Liceu Coração de Jesus por uma luta titânica. No início, tive de enfrentar a resistência de alguns colegas para mudar a peça. Primeiro, em um discurso acalorado em classe, com a permissão do nosso mestre de matemática, o compreensivo professor Omura, propus derrubar os planos anteriores e colocar o meu em seu lugar. Luís Bucciarelli, contra a ideia, propôs voto por aclamação. Foi fragorosamente derrotado, com um mar de braços levantados a meu favor, mas foi digno o suficiente para alistar-se a meu lado no instante seguinte.

Minha ideia, que na época me parecia absolutamente genial, era representar uma espécie de ode à beleza feminina, montada sobre o texto de grandes poetas brasileiros, que enfrentou todo tipo de problemas. Os salesianos não viam as mulheres exatamente como algo a ser admirado. Depois de muita batalha contra a censura, deixaram passar um texto do qual restava bem pouco dos poemas originais. Para evitar novos cortes, uma estátua de jardim uma bela mulher nua, que lembrava a Vênus de Milo entrou clandestinamente no colégio, vestida com uma jaqueta militar emprestada por Reinaldo Lino, que faria na peça o papel principal.

No dia da apresentação, diante da plateia calorosa, para surpresa geral, inclusive dos padres nossa Vênus nua surgiu das brumas, produzidas por Sérgio Soares, meu amigo Cabelinho, com toneladas de gelo seco: estava esplêndida. Lino saiu-se muito bem, assim como os outros colegas que o acompanhavam. Ao final da apresentação, que na posição de diretor assisti com o queixo sobre as mãos na boca de cena, senti que me elevava no ar: Eduardo Reis, o grande Bahia, figura tão popular na classe como fisicamente imensa, me ergueu feito um troféu.

Parecia o triunfo, mas perdemos: o terceiro Ano de Patologia, um reduto feminino, produzira uma peça de qualidade equivalente (hoje, reconheço, talvez melhor), inspirada na vida do circo, com um palhaço que entrava no teatro cantando entre os espectadores. O charme das mulheres que eu queria cantar nos palcos levara a melhor também na vida real. Ao final, com o teatro vazio, coberto pelas cinzas da derrota, sentei no banco de jardim que sobrara da apresentação dos adversários, a última do programa. Curtia a mágoa da derrota no cenário da batalha, agora abandonado.

Nesse instante, para minha surpresa, ouvi alguns passos; surgiu Celso e sentou-se ao meu lado.

Conversamos sobre banalidades, como se ele me trouxesse de volta à vida, animador. Nada disse sobre a maratona ou o que fizéramos. Era uma sexta-feira. Na segunda-feira seguinte, quase nas despedidas do colégio, às vésperas dos vestibulares, ele faria em sua aula um discurso sobre um homem em uma praça, sofrido e cansado, depois da derrota. E sobre algumas derrotas que, mais que as vitórias, são capazes de mostrar ainda melhor o valor de uma pessoa. E que há esforços que parecem perdidos, mas valem a pena. Não mencionou meu nome, mas eu sabia a quem dirigia esse discurso, que jamais esqueci.

Trinta anos se passaram e nunca mais soube de Celso Mello. Tive medo de procurá-lo, com receio de ter sido esquecido, ou de que já não estivesse mais neste mundo, o que seria muito doído. Gostaria que, assim como minha mãe, ele pudesse ter visto meu nome nos livros de literatura e ler algum deles. E soubesse que eu, como jornalista, lutei na imprensa pela liberdade democrática do Brasil, assim como contra as injustiças de toda ordem, como continuo a fazer hoje, da minha tribuna particular. Assim, quem sabe, Celso Mello viesse também saber o quanto posso ser agradecido, e que seu esforço entre os ignaros, afinal, não foi tão perdido assim.

Autor: Thales Guaracy
Enviado por: Alexandre Guimarães 

SINGELA HOMENAGEM AOS PROFESSORES

O dia em que todos nós devemos uma parcela muito grande no encaminhamento do saber e no ganho de um futuro promissor.

Há uma entidade aqui no Brasil que, por infelicidade, escolhera a profissão do ensino, e ela é julgada como sempre como uma pessoa obrigada a dar tudo de si e ganhar tudo de menos. Não é valorizada e, por incrível, todos que a desprezam passaram por seus bancos escolares e receberam os melhores ensinamentos dos pobres mestres. São todos uns ingratos, que não merecem a confiança dos pobres professores. E nós, como somos conscientes do crime praticado, só podemos nos filiar ao grande protesto como forma de ajuda para mostrar que eles não estão sozinhos.

O dia em que o professor for considerado como o mais importante para o progresso e a cultura deste país, provavelmente ele será muito bem-remunerado e considerado como a principal peça na evolução do Brasil, um país do primeiro mundo.

Viva o dia 15 de outubro, dia de todos os professores.

Singela homenagem de todos nós que passamos pelos seus bancos escolares.

Autor: Paulo Kwamme

HOMENAGEM AOS PROFESSORES

P pronome
R regência
O oposto
F funções
E enunciado
S sujeito
S substantivo
O Objeto
R raciocínio
(A) advérbio

 

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