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POESIAS DE MAGDALENA LÉA
publicado em: 13/12/2016 por: Lou Micaldas

 

NATAL
PALAVRAS A PAPAI NOEL
O SUAVE MILAGRE

 

NATAL

Há sinos e guizos tinindo, cantando em suas vozes de cristal.
Porque é Natal!
Porque é Natal, há árvores de cor
e luz na casa familial.
E antagonismo sob disfarce
de um riso na face.

Porque é Natal, há presentes camuflados em embrulhos resplandecentes
que se vão oferecer
contando pelos que se dão
os que se hão de receber.
E o cartão de "Boas Festas" mais que convencional
Porque é Natal.

Porque é Natal há um Papai Noel de salário mínimo contratado para a ocasião
que finge que é
que finge que dá
sob a barba de algodão.

Porque é Natal, há estrelas luminosas
guiando com luz fatal
à casa comercial

Porque é Natal, acumulam-se calorias
na ceia convencional
e o fígado levanta protestos
de difícil digestão
Dívidas se acumulam
pela alta da inflação.

De resto já nada importa
nem tem significações
Ninguém tem culpa de nada...

Só o peru é culpado, afinal.
Mate-se o peru
porque é Natal.

PALAVRAS A PAPAI NOEL

Papai Noel, por que é, hein,
Que você pra mim não vem?

Hoje é dia de Natal,
E a noite toda esperei.
Fiquei, ali escondida
E tanto, tanto chorei...

Botei o meu tamanquinho
Que só tem um furo só,
Mas está quase novinho...
E... eu tapei o buraco
Com um pouco de sabão...

Papai Noel, foi por isso
Que você não veio, não?

Papai Noel, eu não sei
Porque você não me quer
Porque você nem sequer
Uma só vez me procura...

Não sou má, não sou vadia,
Levanto-me todo dia,
E a rua inda está escura.
Mamãe fica ali deitada,
Está tão doente, coitada!
Tosse, tosse sem cessar!
Sou eu quem lhe faço tudo:
Cozinho, lavo e ainda tenho
O bebê para cuidar.

Por isso é que eu não estudo,
Não vou à escola aprender!
Papai Noel, um segredo
Eu preciso lhe dizer:
Não tenho nenhum vestido,
Este já está tão roído!...
O dinheiro que ganhamos,
Vendendo lenha e sabão,
É pro leite do bebê
E um bocadinho de pão.

Não sou má, Papai Noel!
Você, que está lá no céu,
Você mesmo pode ver
Que nem uma travessura
Tenho tempo de fazer...

Ainda sou tão pequena,
E todo ano - é uma pena! -
Não tem nada para mim!
Nem mesmo qualquer boneca
De pano, ou uma peteca,
Ou bola, ou coisa assim...

À casa daquela menina
Que é rica e mora na esquina
Você foi, Papai Noel!
E é tão pertinho daqui...
Era só mais um passinho,
Você vinha de mansinho
Que eu estava mesmo ali.

Foi tanta coisa bonita
Que você botou pra ela:
Boneca, toda catita,
Jogos, fogão e panela...

Mas talvez que você tenha
Um pouquinho de razão,
Pois que você lá no céu,
Sempre a vê, Papai Noel,
Brincando ali no portão.
E pensa e vê com certeza,
Que eu estou sempre ocupada,
Vou deixar abandonada
Mamãe, a casa, o neném?

Papai Noel, eu já sei
Porque você não me vem
Nesse dia vinte e cinco:
- Você pensa que eu não brinco...

O SUAVE MILAGRE

(Adaptação, EM VERSOS, de um conto de Eça de Queiroz)

I

Numa choça desgarrada, 
Orando, clamando ao céu,
Vivia a mais desgraçada
Das mulheres de Israel.

II

Tinha um filho, um aleijado. 
Com sete anos de vida, 
Gemia enfermo e mirrado, 
numa enxerga apodrecida.

III

Alguém lhes contou, um dia. 
Que, na Judeia, vivia
Um Rabi doce e bondoso, 
Que amava o pobre, o aleijado, 
O infeliz, o desgraçado,
E o mísero leproso. 
Que o pranto ao triste enxugava, 

 

IV

E a todo enfermo curava, 
E aos pobres, em multidão, 
Um reino Ele prometia, 
Que em abundância seria
Maior que o de Salomão.
E amava toda criança. 

 

V

Mas o Rabi, esperança
Do Infeliz e do triste, 
Onde mora? Onde existe?
Ah! Ninguém o saberia. 
Nem o mais rico e importante
Pois só Lhe via o semblante
Quem sua graça escolhia!...

 

VI

Então o triste doente, 
Numa voz fraca, tremente,
Que é mais soluço ou gemido, 
Ergue as mãos secas, mirradas,
E pede à mãe desesperada
Que traga o Rabi querido.

 

VII

- “Oh!, Meu filho o que me queres?
A mais pobre das mulheres
Trazer  Jesus aqui?
Tantos o buscam ansiosos,
São ricos são  poderosos,
E não encontram o Rabi...

 

VIII

Pra nós não há esperança!”.
Diz a mulher à criança,
Abrindo os braços em cruz.
Geme o menino cansado,
(A voz um fio apagado):
- "Eu queria ver Jesus..."

 

IX

Assim que ele murmurou, 
Logo a porta foi-se abrindo... 
Devagar, Jesus sorrindo, 
Respondeu: "Aqui estou!"

Autor(a): Magdalena Léa

 

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