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O fato de um homem ser papa, em si, já o faz famoso. Não necessariamente querido. Apenas famoso. O que faz um papa ser querido é a capacidade de entender que homens, como ele, são todos pecadores. Não menos queridos por isso. Nem menos amados também. O Papa, como representante divino, é aquele que aponta e manda para o céu ou para o inferno. E como a gente sabe bem o que apronta por aí, meio resignado, se magoa, mas aceita. Aceita ser posto de lado, discriminado. Porque já está acostumado, a vida já fez isso tanto, já nem é tão novidade. O que a gente também sentia, mas não contava, é que a vida magoa as pessoas também. Mas se vem do céu, não era para ser diferente? Quando se busca uma religião o que se espera não é exatamente ser amado, ser confortado, ser querido do jeito que se é? Porque se é igual ao que se tem aqui, pelo amor de Deus, né? Mais do mesmo? Mais chicote no lombo? Não há lombo que aguente.

A gente clama aos céus por um apoio, um cafuné, uma quentura na alma, uma esperança de que nem tudo está desmoronando. Quem sabe, antes do final, até dá certo? Se o que se encontra é pecado e dedo apontado, nos resta a mais pura solidão. Triste demais isso. Eu mesma já passei por grandes dificuldades tentando batizar umas crianças amigas. Não podia. Uma foi aceita, porque era um padre de outro mundo, além das regras humanas. Mais próximo das divinas, certamente. As outras duas, sem o padre legal, não eram aceitas. Mentimos. De cara limpa. O batizado rolou. Mentir na igreja não é pecado? É. Mas rejeitar criancinhas não é um pecado muito pior? Na balança o que nos sobra?

Eis que nos surge Papa Francisco. Numa postura tão simples que não resisto a chama-lo de Chiquinho. E recolhe os dedos apontados e nos diz que somos, sim, muito bem-vindos. Não uns ou outros, mas todos. Nossa, que alívio. Seja muito bem-vindo também, papa Chiquinho. Você é bem o que a gente precisava.

Autor(a): Mônica Raouf El Bayeh

 

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