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INTERAÇÃO / DE AMIGOS PARA

AS VIAGENS DE AVIÃO
publicado em: 23/01/2017 por: Lou Micaldas

Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o voo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Cresci, me formei, e comecei a trabalhar.

No meu trabalho, desde o início, voar sempre foi uma necessidade constante. No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal. O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. As poltronas do corredor agora eram exigência.

Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar a São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar o mais rápido possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque. E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara.

Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer. Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela?

Vamos sentar na janelinha!

Creio que, aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.
A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, 'a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos'.

Olhe pela sua janelinha e curta a beleza que a vida está te oferecendo!
Abraços sustentáveis,
Marcio Zeppelini

Autor(a): Marcio Zeppelini
Colaborador(a): Valdir Quirino

 

 

 

 

 

 


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