Logomarca Velhos Amigos
INTERAÇÃO / DE AMIGOS PARA

O GRANDE SUSTO 
publicado em: 05/12/2018 por: Lou Micaldas

Findava o dia, quando um temporal ameaçador, de um modo surpreendente, assolou a morada do retiro da fazenda. 

A chuva ameaçava cair a qualquer instante e todos se recolheram, acotovelando-se na humilde morada. 

De repente todos ficaram tensos, algo de anormal os assombrava. Eles não adreditavam no que ouviam. O vento adentrando pelas frestas da janela trazia o murmurinho vindo da encosta, que mais parecia lamentos de almas penadas, o que deixava todos de pelos arrepiados. E não havia, ali, naquela circunstância, quem tivesse a coragem de ir constatar o que realmente acontecia, ou o que produzia tão estranho sussurro, principalmente porque naquelas bandas ficava o velho e abandonado cemitério da propriedade. 

Parecia um rosnar intermitente e entremeados de gritos que mais se assemelhava com uivos de desespero abafado pelo vendaval. 

Eram seis horas e escurecia prematuramente, motivado pelo tempo chuvoso, clareado de quando em quando pelos raios fortíssimos cujas descargas com estrondosos retumbar aumentavam ainda mais o tiritar dos presentes. Todos já abobalhados e de mau agouro, pois estavam acometidos de medo pelo que de anormal acontecia. 

Aconchegavam-se uns aos outros buscando proteção onde ela não existia. Nada aliviava a tensão e, para piorar a situação, uma criança chorava desesperadamente e nem mesmo o acalento da mãe que a ninava a fazia calar, o que só aumentava a angústia reinante. 

Todos boquiabertos, mudos, receosos, pasmos diante do triste lamentar que ouviam a tempos miúdos, sempre recortados por períodos de silêncio, acompanhado pelo farfalhar dos arvoredos do pomar açoitado pela ventania. 

Na delonga daquela situação de pavor ninguém imaginara, pelo menos, acender uma vela, não como devoção a favor das almas que os amedrontavam, mas sim para iluminar o cubículo em que se apertavam. 

Seguido ao barulho horripilante, que dera uma trégua, lá fora se ouviam passos. A ansiedade era cada vez mais crescente e em cada um o esbugalhar dos olhos parecia que ia jogá-los para fora da órbita. Houve até quem acreditasse que "o ser" o vinha buscar, era chegada a sua hora, balbuciava uma oração pedindo salvação. Pancadas fortes na porta da frente. Ninguém se atrevia a concluir ou atinar o que as faziam. 

Após curto espaço de tempo, ouviu-se uma voz chamando pelo dono da casa e indagando se tinha alguém ali. Foi como se um som mavioso os arrebatasse dos escombros em que se achavam, um alivio total e todos queriam atender ao mesmo tempo, saindo do sufoco, formando um burburinho. Agitados procuravam se locomover para o pronto atendimento ao suplicante que, na realidade, era o grande salvador de uma situação constrangedora. 

Em uma situação inusitada, o visitante, um mascate que viera até ali vender suas mercadorias, tivera seu carro atolado na travessia do córrego e por mais que o funcionasse não o tirava do barro e, então, sabedor da casa próxima gritava por socorro, alguém que o ajudasse a empurrar o veículo. 

Depois de socorrida, a "alma do outro mundo" foi agraciado com um jantar que mais parecia uma oferenda ao Deus das Trevas que tanto medo causara aos pobres colonos que ainda tremiam e, apesar dos pesares, lhe eram gratos por tirá-los daquela situação aflitiva. 

Autor(a): Adalberto Thiago da Silva - Paranaíba-Ms 30/07/03

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA