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INFORMAÇÃO / DICAS DE SAÚDE

Nem sempre quando bate aquela fome no meio da tarde é, verdadeiramente, fome. Muitas vezes, é apenas uma vontade incontrolável de comer motivada por diversos fatores, como o tédio, o estresse, a ansiedade, tristeza, frustração ou apenas a força do hábito.

Eis que surge um termo cada vez mais usado na nutrição: a fome emocional.

Ela não é uma fome real, que é a fome orgânica. Ela é gerada por uma série de fatores emocionais que nos fazem pensar em comida e comer freneticamente, ato que muitas vezes é acompanhado de um profundo sentimento de culpa.

"Essa compulsão, a busca incessante por conforto na comida, contribui para o aumento de peso", afirma a nutricionista membro do Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo (CRN-3) Lara Natacci, diretora da clínica de nutrição DietNet. "Geralmente comemos mais do que nosso corpo precisa."

Todos nascem com um "kit de instruções" interno e único, que diz quando você está com fome e quando está saciado. Um bebê, por exemplo, chora quando quer comer e, quando está satisfeito, rejeita o leite.

O problema é que, ao passar dos anos, nos impomos algumas regras alimentares — comer a cada 3 horas, fazer 6 refeições ao dia, almoçar ao meio-dia etc. E a correria do dia a dia nos faz perder esse "relógio natural". 

Por isso é tão difícil saber quando realmente estamos com fome — ou quando só queremos descontar alguma questão emocional na comida.

"O grande problema é não conseguir interpretar os sinais do organismo. A gente nasce regulado, mas vamos perdendo [essa regulação] ao longo da vida", esclarece a nutricionista.

Identificar os diferentes tipos de "fome" é possível, mas requer disciplina. É necessário, principalmente, voltar a dar atenção aos sinais que o nosso corpo dá quando precisa de nutrientes. Para isso, o HuffPost Brasil conversou com a nutricionista Natacci e elencou os diferentes tipos de fome — seja o orgânico, o emocional e até mesmo a fome motivada pela nossa rotina e maus hábitos.

Fome orgânica


© LarisaBlinova via Getty Images

A fome orgânica é a fome verdadeira, fisiológica, para o corpo recarregar os estoques de energia. Os sintomas, segundo Natacci, variam de acordo com a pessoa. "Algumas pessoas sentem dor de cabeça, vazio no estômago, tontura, fica de mau humor etc."

Além dos sintomas, a fome fisiológica aparece de forma gradual, não repentina, e normalmente dá vontade de uma refeição completa, não por um alimento específico.

"Na hora em que a pessoa está comendo, ela se sente bem, pois está suprindo suas necessidades fisiológicas", acrescenta a nutricionista.
E um ponto importante: o corpo dá sinal quando está saciado.

Fome emocional


© Getty Images/Foodcollection

Ela bate quando você está ansioso, estressado, entediado. Normalmente vem de uma forma urgente e está ligada a um alimento confortante, como um doce, um pão, carboidratos em geral.

Além disso, a pessoa que come com emoções não consegue parar tão facilmente, mesmo estando saciada.

"O resultado é comer muito mais do que o necessário e, quase que instantaneamente, ter sensação de culpa e tristeza, porque sabe que comeu mais do que deveria", disse a nutricionista. "A principal consequência dessa fome emocional é o sobrepeso. Se seguíssemos apenas a fome orgânica, a gente não teria muito problema com o peso como temos hoje."

Outros tipos de fome


© lolostock via Getty Images

Além da fisiológica e da emocional, alguns outros hábitos e pensamentos contribuem para uma alimentação exagerada.

Existe a fome do hábito, que é programada. Se você por exemplo come sempre ao meio-dia, vai reclamar se passar um pouco desse horário. "Mesmo não estando com fome, vai buscar o alimento por causa da rotina", explica Natacci.

Outra pegadinha é confundir fome com sede. Quando não estamos hidratados, buscamos alimentos para suprir a necessidade de água.

Para não cair nessa, beba ao menos 2 a 3 litros de água ao longo do dia, evitando uma hora antes e uma hora depois das principais refeições.

Também existe a famosa "fome por recompensa", que entra em ação quando temos um dia cansativo e achamos que "merecemos" um afago. "Não tem problema comer um chocolate de vez em quando, o problema é isso se tornar uma rotina", acrescenta a nutricionista do CRN-3.

Outra "falsa fome" aparece quando associamos o prazer do lazer com o prazer da comida. Por exemplo, aquela pipoquinha que não pode faltar quando se assiste a um filme no cinema, ou aquele petisco que te acompanha nas maratonas de séries.

Como podemos mudar isso?

Identificar os diferentes tipos de fome — e principalmente qual o verdadeiro — é o primeiro passo para mudanças. Mas não basta. Afinal, agora que você sabe que come por outros motivos além da fome, como mudar isso?

Você precisa prestar atenção ao se alimentar. "Quando estamos mais conscientes do que comemos, sentimos nossas sensações orgânicas e nos conectamos com o nosso organismo."

Por isso, nada de distração na hora das refeições, o que inclui parar de checar mensagens no celular, ver TV, assistir séries, entre outras. Um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) revelou que, em comparação à refeição sem distrações, se entreter com o smartphone ou com um livro enquanto se come pode aumentar o consumo de calorias em até 20%.

"No momento que você tem um fator distrator, você não presta atenção na quantidade de alimento que você está ingerindo", disse ao G1 o coordenador do estudo, o professor Luciano José Pereira, do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade. "E o nosso centro da saciedade leva em consideração não só o aspecto fisiológico daquilo que foi ingerido, mas também o efeito da própria memória."

Além das distrações, evite comer apressado, em uma reunião, no carro ou na frente do computador. "Você precisa estar com toda sua atenção na comida", aconselha Lara Natacci.

Outra dica é aguçar seus 5 sentidos na hora de comer: sentir o cheiro, ouvir o barulho, ver o alimento e, se possível, até tocá-lo. "Agir como um verdadeiro expert da culinária, identificar os preparos, os temperos. Isso vai te dar mais prazer e saciedade."

Fazer pequenas pausas e mastigar bem também ajuda a aumentar o tempo da refeição, uma vez que nosso cérebro demora alguns bons minutos para perceber que estamos saciados.

Como controlar a fome emocional?


© Getty Images/iStockphoto

Sabendo que a sua fome é puramente emocional ou motivada pela rotina, a nutricionista aconselha listar uma série de atividades alternativas. "A pessoa pode ler um livro, brincar com uma criança ou um animal, tomar um banho, o importante é achar outras atividades prazerosas além da comida", disse a nutricionista do CRN-3.

Se a fome desaparecer após fazer uma dessas atividades, é porque ela era mesmo emocional.

Se a fome insiste, faça um lanchinho com calma, prestando atenção na comida.

Por fim, se depois de seguir todas estas dicas e a vontade pelo chocolate não desaparecer, não encane -- é normal comer mais em alguns dias, e menos em outros.

"Se você tem uma alimentação equilibrada, tem que se permitir. Isso não é proibido. Melhor comer o doce do que ficar substituindo e comendo diversos alimentos", finalizou Lara Natacci.

Autor(a): Luiza Belloni
Fonte: www.msn.com/pt-br/saude/nutricao/fome-ou-vontade-de-comer-saiba-diferenciar-a-fome-orgânica-da-emocional/ar-AAz5Oet?ocid=spartanntp
Colaborador(a): Ana Paula Ribeiro

 

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