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INFORMAÇÃO / DICAS DE SAÚDE

A recomendação é que sejam realizados consultas e exames preventivos periódicos por oftalmologistas

A chegada à terceira idade pode ser acompanhada de alguns sintomas, como problemas musculares, falta de coordenação e dificuldade de se locomover. No entanto, o que muitas pessoas ignoram é que os problemas da visão estão entre os mais comuns relacionados à idade. Isso porque, com o envelhecimento, a estrutura ocular também sofre alterações, assim como todo o corpo humano. Isso causa a redução da acuidade visual. Catarata, glaucoma e olho seco são alguns dos problemas associados ao envelhecimento. E, apesar das inúmeras patologias que afetam os olhos, especialistas afirmam que é possível se prevenir das doenças e mesmo viver bem com elas, desde que os pacientes realizem consultas e exames periódicos específicos por um médico oftalmologista.

Embora o surgimento de problemas oculares seja multifatorial, muitas patologias estão relacionadas ao envelhecimento do organismo. “Devemos ter em conta que, com o envelhecimento, todo o nosso corpo sofre transformações fisiológicas e morfológicas. Os olhos não são exceção. Eles também envelhecem e sofrem perdas com o passar dos anos”, aponta Geraldo Benício Siqueira, oftalmologista assistente da Clínica de Olhos da Santa Casa de Belo Horizonte. 

Aliados ao envelhecimento, vários problemas estão associados a doenças como diabetes e hipertensão arterial, e ao estilo de vida. “O excesso de exposição ao sol e o tabagismo, por exemplo, também são fatores ligados ao aparecimento das patologias.” Dessa forma, o médico aconselha uma avaliação ocular preventiva periódica, semestral ou anual, com o objetivo de diagnosticar precocemente as doenças oculares mais comuns nessa fase da vida. “Ao sentir qualquer alteração ou sintoma ocular que venha a afetar a visão, os pacientes devem procurar imediatamente o especialista, pois, quanto mais rápido os diagnósticos forem obtidos e os tratamentos iniciados, maiores serão as chances de êxito na cura ou na obtenção de qualidade de vida”, destaca. 

O especialista ainda reforça que os sintomas das doenças podem ser semelhantes, e, por isso, é essencial realizar as consultas. “A alteração na visão pode ser ocasionada por dor, vermelhidão nos olhos, secreção ocular, sensação de olhos secos, visão dupla, embaçamento, perda súbita da visão, entre outros. Olhos com dor muito intensa e súbita pode ser um glaucoma agudo? E a perda súbita da visão, é causada por um descolamento da retina? Ou uma infecção? Só o exame com o especialista dará o diagnóstico certo”. 

PRINCIPAIS DOENÇAS 

Entre os problemas oculares mais frequentes na terceira idade estão a catarata, o glaucoma, as retinopatias, a degeneração macular relacionada com a idade (DMRI), a presbiopia, conhecida como “vista cansada”, e a síndrome do olho seco. Segundo o especialista, na maioria desses casos, o idoso consegue conviver bem com a patologia, desde que siga corretamente as instruções médicas.

Ariane Gillian Leles Henriques de Azevedo, oftalmologista do Instituto Vizibelli, explica que, mesmo em casos como a presbiopia, que não é propriamente uma doença, ocasionam um grande problema ao idoso, pois exige o uso constante de óculos para que se possa enxergar de perto. “A chamada ‘vista cansada’ começa aos 40 e se completa aos 60 anos, e a principal causa é a própria idade que leva à perda da capacidade do cristalino de focar para enxergar de perto.” Já a catarata, que é a principal causa de cegueira reversível no mundo, resulta na perda progressiva da transparência do cristalino, causando visão embaçada. “Ela ocorre principalmente depois dos 50 anos e, geralmente, ocorre de forma natural por causa do envelhecimento do organismo, não podendo ser evitada ou prevenida”, diz Ariane. 

Também ligada ao envelhecimento do organismo, a degeneração macular relacionada com a idade (DMRI) é a principal causa de perda visual irreversível em pessoas acima de 60 anos. “A DMRI consiste na degeneração da estrutura da parte posterior do olho (mácula), responsável pela visão central. A doença apresenta sintomas como dificuldade na leitura, visão com linhas onduladas, pontos escuros ou espaços em branco, embaçamento da vista e distorção das formas, evoluindo para a perda gradual e irreversível da visão”, esclarece a oftalmologista. Apesar de não haver cura para a degeneração macular relacionada com a idade, ela pode ser controlada, se detectada no início. “A DMRI é mais comum em obesos, fumantes e pessoas caucasianas. Assim, adotar uma dieta rica em alimentos com alto teor de ômega-3, além de vegetais e folhas verdes, não fumar, praticar exercícios físicos com frequência, controlar o peso e a pressão arterial e proteger-se da radiação solar por meio de óculos escuros com proteção ultravioleta são cuidados que podem ajudar a prevenir a doença”. A tendência ao olho seco, também frequente em idosos, muitas vezes é ocasionada por alterações senis nas pálpebras e distúrbios do sistema lacrimal, que podem desestabilizar a superfície ocular do paciente, gerando irritação ocular com secreção e lacrimejamento, podendo resultar na deficiência visual. 

Pressão dentro do olho 

Outro problema ocular recorrente na terceira idade é o glaucoma, doença que causa o aumento da pressão dentro do olho, danificando as fibras nervosas do nervo óptico e causando perda da visão periférica e, posteriormente, se não for diagnosticada e tratada em tempo adequado, perda da visão central. “Os casos mais comuns são silenciosos e, por isso, a realização rotineira de consulta oftalmológica completa em pacientes acima dos 40 anos é indicada”, recomenda a médica. Já as retinopatias são doenças que alteram os vasos sanguíneos, causando má circulação na retina. Elas são provocadas por complicações do diabetes e da hipertensão arterial nos vasos da retina, gerando deformidades em seu percurso, extravasamento de líquido e até mesmo hemorragias. “As retinopatias se instalam devagar e, por muitas vezes, não há sintomas no início da doença, mas, posteriormente, podem ser frequentes o embaçamento e a diminuição da acuidade visual. Por se tratar de doenças progressivas e relacionadas ao agravamento de outras duas enfermidades maiores, torna-se imprescindível o controle severo da glicemia e da pressão arterial”, aconselha Ariane. 

Apesar dos muitos problemas, a especialista destaca que o tratamento adequado dessas patologias melhora muito a qualidade de vida dos idosos, uma vez que as técnicas têm índice considerável de sucesso. “E mesmo quando não houver possibilidade de cura em algumas doenças degenerativas, o controle adequado sob a orientação de um especialista pode minimizar os efeitos danosos na visão”, reforça. 

CIRURGIAS 

Algumas doenças ou alterações oculares só podem ser tratadas por meio de cirurgia. A catarata, o glaucoma refratário ao tratamento clínico e o descolamento retiniano são apenas alguns exemplos de patologias que requerem intervenção cirúrgica. Apesar de o procedimento apresentar algumas possibilidades de complicação em casos de paciente com determinadas doenças, o oftalmologista Sérgio Eduardo Marciano de Souza, coordenador dos departamentos de Catarata e Cirurgia Refrativa e de Oftalmopediatria do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, salienta que os avanços na oftalmologia permitem que a capacidade de enxergar seja resgatada e a independência na terceira idade mantida. “Os riscos aumentam quando existe alguma doença sistêmica associada, que dificultam, mas não impedem a realização do ato cirúrgico. É preciso compensá-las antes, para, em seguida, realizar o procedimento indicado”, explica. 

O médico reafirma que diagnósticos precoces, tratamentos e cirurgias a laser são, atualmente, mais acessíveis e promovem melhorias significativas à saúde ocular e ao bem-estar do indivíduo com mais idade. “Além de possibilitar ainda mais autoestima ao paciente idoso, o resgate da visão evita acidentes domésticos e quedas, mais comuns nessa fase da vida. Quanto mais precoce for feito o diagnóstico das doenças oculares maiores as possibilidades de preservação da visão”. 

Principais doenças oculares na terceira idade 

» Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) 

Principal causadora de cegueira em idosos, a doença consiste na degeneração da estrutura localizada na parte posterior do olho. A DMRI surge com o embaçamento da vista e distorção das formas, evoluindo para a perda gradual e irreversível da visão. Porém, se detectada no início, pode ser controlada. Outros sinais da doença são dificuldade na leitura, visão com linhas onduladas, pontos escuros ou espaços em branco. 

» Presbiopia 

Atinge pessoas acima dos 40 anos. Popularmente conhecida por cansaço da visão, se caracteriza pela perda da qualidade visual para perto. A correção da presbiopia é feita por meio de óculos, lentes de contato e cirurgia. 

» Catarata 

Comum depois dos 50 anos, a catarata consiste na perda progressiva da transparência do cristalino, deixando, assim, a visão embaçada. Ocorre de maneira natural e pode ser acelerada por diversas doenças, como o diabetes. A catarata é o principal motivo da cegueira reversível no mundo. O tratamento é cirúrgico e consiste na remoção do cristalino e na colocação de uma lente intraocular. 

» Glaucoma 

A doença provoca lesão no nervo óptico, podendo levar à cegueira irreversível, caso não seja diagnosticada em tempo. É provocada pelo aumento da pressão ocular e pode ocorrer em um ou nos dois olhos. O tratamento consiste no uso de colírios, tratamento a laser e cirurgia. Todos esses tratamentos têm como objetivo abaixar a pressão ocular. 

» Retinopatias 

São complicações provocadas pelo diabetes e hipertensão arterial. A doença altera os vasos sanguíneos, causando má circulação na retina. A retinopatia se instala lentamente e os sintomas variam, sendo mais comum a visão borrada, a impressão de ter moscas voando ou flashes sendo disparados e até mesmo a perda repentina da visão. O tratamento consiste em usos de medicamentos injetáveis nos olhos, aplicação de laser e, em alguns casos, tratamento cirúrgico. 

» Olho seco 

Provocada por alteração nas glândulas lacrimais, desestabilizando a superfície ocular. A doença atinge principalmente mulheres depois da menopausa, pacientes com uso crônico de alguns medicamentos ou aqueles que são submetidos a tratamentos de quimioterapia ou radioterapia. 

Autor(a): Karen Santos / www.uai.com.br
Fonte: Sérgio Eduardo Marciano de Souza, oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães

 

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