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INTERAÇÃO / DROGAS, ETC

AJUDA TAMBÉM ON-LINE PARA DEPENDENTES QUÍMICOS E SEUS PARENTES
publicado em: 22/09/2015 por: Netty Macedo

Psiquiatra usa a internet como mais uma alternativa para auxiliar no combate as drogas

RIO — Com 34 anos de profissão e mais de 20 anos de trabalhos voluntários realizados na região, o psiquiatra Jorge Jaber acaba de criar um site voltado para dependentes químicos, seus familiares, médicos e especialistas no assunto. Nesta entrevista, ele explica o motivo.

Como surgiu a ideia de criar o Blog da Recuperação e como ele funciona?

O site veio como uma extensão do meu trabalho para satisfazer a necessidade de pessoas que têm problemas na área de dependência química. É uma nova forma de comunicação com este público que, hoje, é de milhares de pessoas. Inicialmente, ele responde às dúvidas de dependentes, familiares, médicos e psicólogos. Também divulgamos a possibilidade de atendimento gratuito, na Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, para aqueles que não têm recursos para arcar com o tratamento. No blog, dependentes químicos dão seus depoimentos e aqueles que estão se recuperando descrevem suas experiências bem-sucedidas na busca de uma vida sem drogas.

O trabalho de atendimento gratuito é voltado para tanto para os dependentes como para os familiares?

Sim. Diariamente, de segunda a sexta, temos sessões para os dependentes, e, uma vez na semana, temos um grupo para os familiares. Também oferecemos um curso de formação de mão de obra especializada em dependência química. Após a conclusão do curso, os alunos ganham um diploma e têm a chance de trabalhar em outros lugares. Muitos destes alunos são aproveitados inclusive na minha clínica.

Há outras atividades, além da ajuda especializada, à disposição do grupo que frequenta a Câmara Comunitária da Barra da Tijuca?

Convivemos o tempo todo com um assunto muito sério da área da sáude. Então, temos interesse em levar diversão para quem frequenta a Câmara. Por exemplo, no dia 21 de setembro vamos realizar uma sessão pipoca. Exibiremos um filme sobre dependência química e distribuiremos refrigerante e pipoca. Também levaremos pessoas para discutir o longa com a plateia.

O que o motiva a dedicar tanto de seu tempo ao trabalho voluntário?

Tenho uma série de razões. A primeira é uma questão pessoal: aos 15 anos, perdi meu grande amigo de infância de overdose e isso me marcou profundamente. Também participei da geração que assimilou o uso de drogas; vivi nesse ambiente e vi toda a tristeza que isso poderia gerar. E por último, no início de minha carreira tive muito dificuldade de me identificar com uma especialidade, e a Psiquiatria me tocou por causa do grande sofrimento humano, um sofrimento que me faz me lembrar de mim. Também me sinto insatisfeito por só poder tratar quem pode pagar. Sinto necessidade de ajudar os que não podem. E eu também ganho muito com os pacientes. Por exemplo: quando vejo dependentes de crack de baixa renda, aprendo mais sobre medicina.

De que forma deve proceder quem precisa de ajuda?

O dependente químico ou familiar que estiver necessitado pode entrar em contato com a Câmara Comunitária da Barra da Tijuca pelo telefone 2432-8232. Ou, também pode procurar a minha clínica, no número 2442-4354.

Autor(a): Maíra Rubim
Fonte: Jornal O Globo 
Colaborador(a): Valeria Lopes

 

 

 

 

 

 


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